Alcoólicas: Cia de Foto

outubro 15th, 2008 | § 42

Iniciamos aqui as Alcoólicas, sessões de papo fotográfico (ou não) regadas a qualquer bebida que esteja disponível. A idéia é simples: garrafas abertas, gravador no centro da roda, câmeras espalhadas e…

Para estrear a seção, fomos até a casa da Cia de Foto.

Clique nos botões para ouvir trechos da conversa. Para ouvir todos na seqüência, basta clicar em um botão e controlar o player.

 

 

É quase meia-noite quando João apanha a nossa câmera, então em algum ponto do chão do estúdio, e declara esta uma produção coletiva. Estamos, talvez, já na quarta hora desse papo que durará mais de cinco. Sem saber mais de quem eram as fotos, esse conteúdo visual, que embaralha dois coletivos, despretensiosamente mantém a sua autoria enquanto reforça os telhados, já que a chuva é de pedras.

Nas definições enciclopédicas da palavra coletivo, sobram referências naturais como alcatéia, colméia, bando, arquipélago. A que mais nos chamou a atenção, no entanto, foi revoada. Segundo o Michaelis, revoada (re.vo.a.da), no coletivo, corresponde a um bando de aves que voa de volta ao seu ponto de partida.

Durante o nosso papo, Pio citou esse ponto de partida por diversas vezes, seja na revisitação que a fotografia faz a todo momento , seja citando Cartier-Bresson e Robert Capa. Somos então não muito mais do que pássaros que preferem voar em companhia, e que só querem circular e voltar ao ponto que chamaram de partida. Assim, se torna natural que os desavisados ainda usem estilingues e pedras contra a revoada.

As pedras, no caso da Cia, são muitas vezes as comparações com a linguagem publicitária, rebatidas por Pio , ou o questionamento sobre o tratamento de imagem .

Percebemos, na conversa, que a Cia enxerga as pedras pelo caminho, mas sem tropeçar. Como, por exemplo, quando o João foi premiado com o World Press Photo e imediatamente celebrizado , sem que a discussão envolvesse a participação do coletivo como um todo, seja na preparação , mérito ou no próprio questionamento da autoria .

Outro caso semelhante é o do jovem fotógrafo Ronaldo Camelo, ganhador do Prêmio Porto Seguro na categoria revelação, que teve o suporte da Cia de Foto para desenvolver seu projeto .

A questão da autoria foi um dos fios condutores da nossa conversa, já que essa reunião de mais de 5 horas se originou a partir do questionamento sobre autoralidade individual x coletiva em uma lista de discussão sobre fotografia.

A pergunta sobre quem é a Cia de Foto não pode ser respondida sem que se saiba como ela funciona: quem a anula e como são pensadas e quebradas internamente as suas hierarquias . Uma resposta é simples, no entanto: o modelo proposto pelo coletivo é, sim, funcional .

Talvez todas essas pedras possam ser resumidas à crise em que o fotojornalismo se encontra, como lembrou o Rafael, em um momento em que as artes dialogam com a realidade muitas vezes com mais propriedade do que a fotografia de periódicos .

É também no contexto dessa crise que o sindicalismo fotográfico e o pensamento burocrático, na defesa da “reserva de mercado”, se mostram refratários a mudanças e resistentes a quem queira quebrar as supostas regras .

Foi explorando esses diversos caminhos que a Cia chegou à internet, abrindo mão do velho mantra fotográfico da cópia em papel, e se mostrando em pêlo no Flickr , inserindo-se assim em discussões sobre Creative Commons e copyright .

Quanto ao filho mais novo do grupo, o blog, os “Cias” assumem seu lado “fotógrafo-preciosista”. A atualização é lenta, porque tudo precisa ser bem pensado, trabalhado e digerido antes de ir pro ar .

Saímos da Cia depois da 1h da madrugada, com as pedras já desfeitas em pó, e com a certeza de que aquele momento coletivo ímpar caminhava para sua multiplicação, mesmo que apenas de garrafas .

Cenas




Mais:

Música: Supertalented – You’re Wrong – Birdsong Netlabel.

 


Para levar:

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§ 42 Responses to “Alcoólicas: Cia de Foto”

  • [...] partir de hoje, o resultado pode ser conferido no site deles, com direito a audio, foto, texto, que eles fazem muito bem. Vale a [...]

  • Eder Jules disse:

    Lamentável apenas foi ver que uma iniciativa tão importante no meio fotográfico não rspeitasse a própria lingua de origem, nada contra um site bilíngue ou até termos e jargões, mas um site no Brasil, TOTALMENTE em ingles….senhores nisso voces deixaram a desejar, e muito.
    Tomem meu comentário como crítica construtiva, de um pai que já sente dificuldade em ensinar portugues ao filho graças ao massivo desrespeito com a nossa lingua, como pode ser visto inclusive em outra matéria aqui mesmo no garapa: sobre anuncio de calças.

    Abraços s todos.

  • Cia de Foto disse:

    Oi Eder,

    td bem?

    Obrigado pelo comentário. Na verdade, nosso site é em inglês porque é nossa forma de conversar com o mundo. E quando digo “o mundo” não são os britânicos nem americanos, que infelizmente não são muitos os contatos que temos com eles. O inglês é a nossa ferramenta de relação, por exemplos, com um amigo e professsor de Jakarta,na Idonésia, ou com Boris Bendikov,companheiro da Cia na Rússia(nosso KGB), Guilhermo no México e mais Itália, Alemanhã, China, Holanda, França, enfim, para nos mostrar e para ver coisas legais. E essa língua facilita. Só é por isso. Mas falamos melhor em português, tá?
    Há também nisso uma razão comercial que é o fato do mercado internacional de fotografia interessar muito a Cia de Foto.
    Abraços,

    Cia.

  • Deivyson disse:

    Muito legal a entrevista
    admiro muito o trabalho do cia de foto

  • Eder Jules disse:

    Ok, Cia de Foto, sucesso para voces, eu compreendo perfeitamente a sua ótica.
    Talvez meu comentário fosse movido pelo prazer de ter um grupo com tanto sucesso dentro do meu país, e querer mostrar isso a outras pessoas de nem tanto sucesso e que provavelmente não sabem ingles.
    Sucesso a todos.

  • Marcio disse:

    Eu não vejo essa ‘competição’ que você colocou,entre fotojornalismoxarte.
    São duas linguagens diferentes.
    Dizer que ‘os caras não tão fazendo nada’,é muita prepotência na minha opinião.

  • Cia de Foto disse:

    Eder, obrigado mais uma vez.
    Além do site, temos o nosso blog (ciadefoto.com.br/blog) e nosso Flickr (www.flickr.com/ciadefoto).
    Vamos falando.
    Abs

  • Cia disse:

    Oi Márcio,

    é sempre bom discutir sobre essas questões.

    Aqui por exemplo, pensamos que ser prepotente precede um poder onde o desmando é tirano. Um poder abusado, injustificado. Isso é um poder prepotente. Prepotência no stricto senso da palavra.
    Nós não temos poder.
    Somos fotojornalistas revendo o que é ser fotojornalista.
    E aí nesse caso não seria prepotência de nossa parte falar sobre essa questão, mas direito. Como fotojornalistas temos o direito de opnião sobre as questões que envolvem esses dois mercados, o de arte e o de jornalismo.

    E aí, nesse compartilhamento de idéias é bacana dizer que onde temos colhido questões fotográficas, nossa atual fonte, tem sido mais no mercado de arte.
    São eles que estão comunicando idéias. Eles não estão ilustrando, estão discursando.
    E aí nesse ponto te digo que o fotojornalismo no Brasil tem sido mais um serviço técnico do que uma linguagem.
    Sabe um exemplo bacana dessa discussão? É ver trabalhos de arte desfazendo versões históricas do fotojornalismo de guerra.
    E ver que a arte tem colocado o fotojornalismo no seu melhor emprego e o tem valorizado pelo discurso, pela ética e pela História
    Não queremos passar a idéia de que não fazemos parte disso. Fazemos sim. Nem queremos ser injustos com quem nos ensinou.
    Não podemos ser injustos com Marlene Bérgamo, por exemplo, porque ela é uma potência do que se pode fazer no mercado de fotojornalismo brasileiro, isso como um exemplo entre vários.
    Nós temos fotógrafos muito bons, virtuosos. Aliás o melhor resultado de nossa sociedade moderna: ser virtuoso.
    Mas isso não forma mercado. não existe mercado de heróis e é incrível como aparece mais heróis quando o mercado é fraco, porque aí uma exceção passa a ser um ato heróico.
    Sabe uma outra exceção? João Wainer. Na cobertura das eleições municipais de SP o que ele tem feito no blog da Folha SP é muito bom. Aliás a Folha é o jornal que lemos e gostamos muito. Acompanhamos colunas, cadernos. Essa mesma Folha que queimou o arquivo de foto em determinado ano de sua história. Isso sim significa prepotência: queimar arquivo.
    Esse é o mecardo de que fazemos parte e é ele que criticamos.

    Obrigado pela questão e se você for fotógrafo, nos der a chance de conhecer seu trabalho.

    Cia.

  • Eder Jules disse:

    Discordo totalmente do Márcio, o fotojornalismo hoje está pausterizado, uma mesmice sem precedentes e diria até, banalizado.
    O que se vê em termos de linguagem, de denúncia propriamente dita está com o pessoal do lado artístico que procura com imagens buscar o protesto que antes víamos nas primeiras páginas dos jornais mas que hoje está muito ausente: imagens sem nenhum impacto.
    A Cia de foto explanou muito bem o que acontece e eu ficaria apenas “chovendo no molhado” nessa questão.
    Mesmo assim não poderia deixar de “cerrar fileira” à Cia de foto nessa questão.

  • Leonardo Wen disse:

    Caros garapistas e cia ilimitada;
    Parabéns pela visão de futuro e pela atitude correspondente!! Não vejo a hora de voltar para seguir praticando a fotografia como se deve.
    Abraços a todos,
    Leo Wen.

  • Leo Caobelli disse:

    Agora me senti obrigado a participar!
    1) A fluidez com que a cia consegue responder, seja textualmente ou fotograficamente, ainda me deixa de boca aberta!
    2) O xará comentar por aqui me lembra da falta que ele faz na redação do jornal e também nas páginas do impresso!

  • Bom mesmo isso de escutar um jornalismo que vai caçar as aspas — legitimo entre cachaça e cerveja — e volta com a caça inteira à disposiçao:
    a gente clicando nesse triangulozinho ouve entonaçao, hesitaçao, o entre falas, pessoas.

    Se Paulo jà tiver se deparado com Rosana e pedidos encarecidos de pensar um jornalismo wiki, conto como o maior elogio que fiz a pàgina dessa proposta em junho, nao conhecendo o garapa, com muita vontade de encontrar assim um jornalismo que nao fosse segredo, embasado no mistério do que hà no gravador e nas fontes. Justo o que hà de especial é o encontro e, desse encontro, uma disposiçao de quem està do lado jornalistico pra dar uma linha de articulaçao, pra por num site a matéria, com o espaço e peso que for: que nao ocupa o espaço do caderno seguinte, nem do anunciante, na world wide web…

    Boa rapazes!

  • Leo Caobelli disse:

    Ilana,
    Tu pegou exatamente o espírito da coisa: deixar falar, sem que sejamos os detentores do que vai ao ar (ainda quero colocar a íntegra da entrevista) – sem tirar do “receptor” cada entonação, hesitação, nervosismo ou humor em cada sentença. Nunca tinha pensado no termo jornalismo wiki, mas acho que se enquadra perfeitamente. Que cada leitor, ouvinte e espectador possa clicar à vontade, na ordem que quiser e pensar, refletir sobre o que ouve e vê… e o melhor, sem ter um anúncio de pneu, calcinha, agência de turismo ou bebida invadindo uma sagrada conversa entre amigos.

  • Rapaz, isso está virando um bate-papo virtual, uma extensão da conversa, adorei. Quem dera a gente pudesse transmitir toda a experiência que foi esse papo, quem dera não houvesse limitações.
    Como elas existem, a brincadeira vira exatamente essa, lidar com esses limites e aproveitar que eles não são nem comerciais nem espaciais nem burocráticos.
    Ilana, adorei seu “jornalismo sem segredo”. Mais do que wiki, eu diria open source, aberto, escancarado. De tão despretensioso que é, acaba sendo provocativo.
    Que siga o boteco virtual ;)

  • Cia de Foto disse:

    A idéia do formato dessa entrevista é muito boa.

    Vocês lembram de um filme A Montanha dos 7 Abutres que o Kirk Douglas é um repórter e em uma conversa com um aborígene tem a resposta:
    “suas perguntas revelam mais sobre vc do que as minhas respostas revelariam sobre mim”?

    Para nós isso é a essência do jornalismo.

    A idéia wiki é o grande ponto dessa história seguida da edição.

    Será muito legal se vocês tiverem fôlego de andar com esse projeto.
    Tem que ser demorado e com esses players que levam a gente para dentro da conversa. Vira um papo coerente até quendo os entrevistados se contradizem.

    Cia.

    • André Linardi disse:

      Opa pessoal da Cia

      nunca vi “A Montanha dos 7 Abutres”

      mas no “Profissão Reporter” do Antonioni o Jack Nicholson esta entrevistando e filmando um curandeiro africano e o curandeiro também diz isso, então se levanta vira acamera para Jack, o entrevistador, e completa:
      “Agora podemos começar a entrevista”

      parabéns pelo trabalho, para mim, na inexoravel posição de jovem, as questões que vocês colocam (ou provocam)principalmente sobre publicidade,internet e sustentabilidade são de uma importancia sem tamanho, mesmo com divergências é acompanhando vocês que tiro muito de minhas conclusões sobre meu trabalho

      valeu rapaziada,até um dia

      • Cia de Foto disse:

        Oi André,

        obrigado pela correção, vamos atrás dos dois filmes para nos certificarmos de onde vem a cena.
        Mas havia a dúvida se seria Profissão Repórter(M. Antonione)ou o do filme já citado.

        abs,

        Cia

  • O negócio por aqui ficou grande! Tem o vídeo, o texto, o áudio e os comentários que já tá ficando melhor que o restante :).

    A Cia sempre colocando alguns pontos interessantes que o cara pára, pensa, pára e pensa novamente. Muito bom!

    Sobre fotojornalismo, bom. Sobre arte, bom. Gostei dessa parte do Rafael. O Castilho fala disso na entrevista no Olha, vê: “No entanto, creio que a renovação na fotografia esta vindo das artes visuais, [...]“, disse ele. Será?

    Garapa… Parabéns! Vocês me revigoram. Fiz aquela doidera de Gretchen por causa de vocês. Esse áudio player no meio do texto é muito genial. Gosto dessa mistura de tudo ao mesmo tempo. O vídeo, fiquei querendo mais. Porém, com o áudio no texto, parece que entrei mais na intimidade.

    Até.

    Belém.

  • Cia de Foto disse:

    Sabe, Belém, um ponto a mais nisso que a gente colocou? É que o mercado que gera mais novidades é o que está veiculando melhor.
    Os trabalhos bons estão nascendo de experimentação, estudos acadêmicos e também de produções que se distanciam do clique, como apropriações.
    Vcs viram que a Rennó ganhou o Porto Seguro? Que bom isso.
    E Rennó é muito fotojornalista apesar de suas fotos serem veiculadas por meios não jornalísticos.

    As últimas coisas que nos chamaram atenção foram trabalhos de estudantes.
    Não de estudantes daqui porque esses, generalizando, não andam experimentando muito, não é verdade?

    Pensando do último domingo para cá, um assunto que nos pegou com fotografia foi uma dieta divulgada pelo Fantástico e que consiste em fotografar o prato antes de comer. É uma forma de se educar para o volume do que se precisa ingerir.
    Vcs imaginam o que é isso? Olha que inventário maluco de comida tão fazendo! De nossa comida do horário comercial, de nossa preciosa hora do almoço urbano, nosso selfservice. E é uma moda. Tinha uma mulher que já perdeu 44 kg. E há várias comunidades nesse feito. Tem um Blog de uma adepta da dieta que recebe 4 mil visitas por dia.

    Queríamos apostar que o melhor da fotografia tem vindo da ciência e de meios que seguiram outra doutrina de produção independente da de redação.
    Temos produções mais densas em utilizações da fotografia mesmo quando se trata de um uso leigo como fotografar o que vai se comer.

    O legal é que esse movimento melhora a gente, não é? Quanto mais usam fotografia, melhor é ser fotógrafo.
    E aí ficamos com o seu “será”. Concordamos que a discussão é mais ampla.

  • Felipe Gabriel disse:

    Sou um embrião em meio a tanta informação, estou começando a estudar e a pensar fotografia agora, sou extremamente grato aos Blogs Garapa, Narua, Trama, Olha,vé, o mais novo da Cia… entre outros.
    Nesse lugar de descontração e muita informação é onde está o jornalismo real, onde podemos ler sem interferência de mercado algum aqui só vejo vontade de informar, e o bom fotojornalismo tbm não pode ser encontrado aqui na internet? A fotografia não é mais apenas aquilo impresso em papel ela está na hipermídia, acredito q nesse playgraund de informações é onde está nascendo o novo fotojornalismo também, aqui temos linguagens q se mesclam pela arte e pela nformação.
    A internet vem democratizando informação q antes era apenas acessível a uma elite cultural…

    Viva ao buteco virtual! Puxe uma cadeira pegue um copo e sinta-se à vontade q aqui o Chopp não tem “colarinho branco”!

    Obrigado pela informação!

  • queiroga disse:

    Pois é, esse lance de fotografar o prato, me remete a outros usos (como o de fotografar coisas antes de jogá-las fora, hehehe), incluindo um que conheci recentemente: a produção fotográfica como ferramenta na alfabetização, onde os alunos com dificuldade de aprendizado fotografavam palavras e essas imagens eram trabalhadas em sala, criando um vínculo bem maior do que nos livros didáticos. Essa prática tem trazido um retorno surpreendente entre alunos surdos.

    Mas o assunto que por ora me interessa muito é uma discussão que Pio iniciou, mas não vi muito desenvolvimento, sobre realidade. O cara falou até em Cristo etc e tal, mas queria mais sobre esse tal surrealismo no tratamento da realidade por um fotojornalista.

    Claro que esse vínculo com o real é bem específico e superficial na fotografia, mas é ainda uma justificativa (equivocada) para várias utilizações. Digo equivocada pois mais valeria termos conhecimento desse espelho quebrado da realidade do que querer fazer crer que aquele reflexo é passível de se passar como verdadeiro, imparcial etc e tal.

    Legal esse espaço, parabéns ao Garapa pela sua criação. Tive alguns problemas com o áudio, não sei se teria a opção de download, podcast…

  • Mui bueno!
    Garapa: Gostei bastante do formato da entrevista, mas “num vô minti prus sinhores” que eu esperava uma versão longa do que vcs fizeram na sabatina da folha. Foto + Vídeo + Áudio, tudo em um play. Mas imagino o trampo que daria fazer isso, e talvez até perdesse o lance de todos ficarem a vontade na hora.
    Que venham outras entrevistas e outras novidades. Boto fé na Garapa, prefiro a minha com limão.
    Cia: Conheço o trampo de vocês já faz um tempo, gosto de muitas coisas, outras nem tanto, mas isso não vem ao caso. O que quero dizer é que adoro ver coisa boa e nova sendo produzida, o fotojornalismo está mudando, e mesmo a distância se percebe que a Cia como coletivo nunca está parada, sempre “inventando moda”, sempre não agradando a todos. Eu vejo isso como uma ação de marketing “fotojornalístico” ducaralho. Vida longa a Cia.

  • Leo Caobelli disse:

    Queiroga:
    Na mudança da versão 2 pra essa que é a versão 3 do site, acabamos tirando a opção de podcast do ar, mas logo voltamos com ela, atualizada com direito a poder baixar tudo que está por aqui e pelos outros cantos do site.

    Henrique:
    Pois, a idéia é fazermos coisas mais longas mesmo. No caso da entrevista, usamos quase nada de captação em vídeo e fotografamos pouco – já que os 3 se envolveram completamente nas 5 horas de conversa. Assim, teríamos pouco material para dar suporte a algo mais longo.
    Hoje, quando vejo vídeos como o da Bolívia, que tem lá seus quase 6 minutos, já acho coisa demais.
    Nossos 15 dias em Cuba, provavelmente virem um especial de 15 minutos, pois achamos que só com um tempo de imersão maior é possível fazer um “produto” mais longo, sem que ele fique cansativo.
    Nesse caso da entrevista então, a peça virou o todo; vídeo + texto + players + comentários sendo feitos e respondidos… o que o deixa de um tamanho que gosto, mas realmente espero que os próximos possam ter um pouco mais de vídeo, ir se alongando até em cenas mais subjetivas, sem falas… fazendo e aprendendo.

  • Pois é, essa interação pelos comentários eu adorei, é tão complicado ter gente comentando no blog, normalmente só escrevem quando o assunto é polêmico heh
    O conteúdo da entrevista ficou 10, e isso que importa, o método de apresentação vai sempre se aperfeiçoar, complicado seria ter um jeito 10 de apresentar, mas uma entrevista meia boca ;)

    Abras

  • Cia disse:

    Oi Queiroga,

    Como vemos a técnica de alfabetização aplicada? Qual a fonte? Que legal essa prática. Seria muito bom conhecê-la.

    Achamos que a discussão do surreal atrela-se também a esses exemplos de aplicações com a fotografia.

    Poxa, fotografar para aprender a ler? Recriar um símbolo que é cheio de significados com outros em cima? Fotografei um “G” para que minha intuição conversasse com essa letra e me ensinasse a fazer uso dela…

    A fotografia é uma superfície de conceitos e é também um texto. Um texto denso, uma trama tecida em planos. Ela é algo que desloca. Induz a pessoa que a está vendo a ter em mãos um assunto distante, de perto. Aquilo que foi fotografado agora está ali inerte e na sua frente. Parado e superficial porém denso. Permitindo até que você complete essa trama, reenquadre e redifina o que ela venha significar.

    A fotografia é na verdade um hipertexto. É por isso que autoria não se define por uma idéia ou necessidade de mercado. A cultura da fotografia tem uma resposanbilidade maior que uma autoria convém.

    Em nossa prática diária há sempre um fotógrafo que ajusta uma cena. Ajusta o equipamento de captura. Ajusta a própria luz que será captada, o ângulo e o enquadramento. Ajusta até o momento em que vai fazer a tal cena existir. E isso é em um clic que as vezes é mas rápido até do que pensar no som dessa palavra.

    Foi foda termos falado em Cristo. Exemplo comum demais, né? Mas é bom pensar que Cristo existe porque nós o inventamos. Que ele é um marketing de uma ideologia de consumo. E que dizer que ele não existe porque não tem DNA, porque não houve o indivíduo na história filho de uma virgem, também é falho porque ele existe de fato e por invenção nossa. Nossos gostos, sistemas, culpas e amores são também resultados dessa existência. Então ele existe por uma invenção que se tornou real.

    A fotografia é isso. Uma invenção. Uma intersecção de dois conhecimentos, o da arte e o da ciência. Como pensamento, o que lhe vem da arte, ela é sempre uma mentira e nunca imparcial. Nenhum ser digitaliza uma cena apenas. Toda foto criada tem um estilo. Um resultado de quem a criou. E o que vem da ciência é a amplitude da capacidade se ver. É o instrumento mecânico criado a conveniência de nossa percepção.

    E, por falar em Cristo, vamos tocar em uma questão também importante, o “Marketing” de quem bem falou Henrique.

    Marketing nesse sentido é uma técnica ligada ao consumo. São ações de comércio e, no mercado, que direcionam a saída de mercadorias e ou serviços de quem produz para quem compra.

    Seria, por fim, a Cia perceber que discutindo questões relacionadas ao mercado, se colocando como coletivo e ou sendo pivô de discussões de autoria, reverteríamos nossas idéias em consumo. Nosso Marketing aí seria o de fomentar esse consumo através de discussões no mercado.

    Acho legal a colocação. Nos faz pensar a respeito do que é se colocar nesse mercado. Talvez ter essa consciência e jogar com ela possa ser bom. É só ser ético. A gente jogaria questões identificadas como polêmicas, colheríamos isso e faríamos um bom uso dessa colheita. Equação feita. Existe uma lógica no mundo que pratica algo assim, a da sustentabilidade.

    O que agora dá para dividir com vcs é que não há essa lógica na Cia de Foto. E não sei se é ruim ou bom. Não há porque não somos bons captalistas. Não aprendemos ainda nem a administração básica de nossas contas. Nunca instrumentalizamos conscientemente ações de marketing. Não temos portifólio, por exemplo, nem fazemos visitas de prospecção para conseguir trabalhos. E esse é todo um capítulo de aprendizado pela frente.

    O nosso formato ainda perde muito. É caro. Liquidez não existe na Cia até porque antes de existir já é dívida. Ainda bem que as dívidas não crescem, isso é o sinal de que daria para colocarmos a palavra lucro para dentro de casa. Sonhamos com isso. Nosso projeto é comercial até porque politicamente é muito bom ganhar dinheiro com fotografia no Brasil. Então seria um show de bola.

    O que dá para dizer é que a Cia não entende qual é de fato a questão em ser “polêmica” por ser um coletivo. De fato não entendemos. A nossa produção é bem maior do que a que a gente consegue mostrar ou vender. Isso para dizer que se há um Marketing na Cia tem que ser estudado até para que ele funcione. Qual seria um Marketing que não escoa tão bem uma produção? É ruim um Marketing que nos tira de prêmio e nos gera muita cobrança. Tem gente no mercado que torce para que a gente acabe! Olha que loucura.

    Uma moda seria legal de inventar: a de um mercado colaborativo. Idéias trocadas por uma razão na história toda. E se creditarem isso a Cia de Foto, de ter inventado essa moda no mercado, gol. Mesmo achando uma coisa resumitiva demais ao se creditar.

    E repasso essa questão que nem se faz em jogo de dominó. Para mim aqui quem está fazendo Marketing é o Garapa. E o melhor possível. Adoramos ser cúmplices nessa ação. Um dos méritos dessa entrevista é o da edição. Nós falamos, mas quem direcionou nossas idéias foi o Garapa. O Marketing é deles e tomara que a ação toda dê muito certo e que o motor dessa discussão evolua para que o pensamento da Garapa seja mais fortes e mais tangível.

    Bem, desculpem por tantas palavras é que nos falta a técnica de sermos mais hipetextos em nossa escrita e falta também os players que sustentam tão bem essa entrevista.

    • queiroga disse:

      Velho, esses resultados eu acho que não estão na internet. Eu os conheci visitando a escola e conversando com os educadores que estão fazendo essa experiência, dentro do contato que tenho com esse universo dos surdos através do Fotolibras (www.fotolibras.org), como você bem conhece.

      Boa essa idéia da fotografia como hipertexto. Ela remete a outros textos, sim. Textos fotográficos também. E, sempre, polissêmicos. Daí uma exigência (talvez maior que uma permissão) de reinterpretações, redefinições, ressignificações. Um campo tão aberto, no mínimo 50% a ser construído pelo espectador, mas ainda assim com uma metade muito carregada das vontades, falta de vontade ou vontade da não vontade do fotógrafo. A menos que ele seja um mero “chofer de câmera”. Ou mesmo ele sendo um operador do dispositivo, sei lá.

      Que nem o homem inventando Deus e Cristo para tentar enquadrar algumas questões, arrumar numa composição áurea das coisas fáceis (e penosas para os bem-aventurados), que nem isso tudo são algumas tentativas de resgatar a realidade através da ilusão. O cinema é assim: um monte de imagens congeladas para dar a impressão de movimento. O sentimento da realidade “volta” baseado numa ilusão causada por um “defeito” do nosso organismo.

  • Garapa disse:

    Pessoal, começamos a testar aqui um sistema diferente de comentários, com respostas a comentários específicos. Vamos ver se funciona. Que siga a discussão.

  • Meu caro Pio,

    Vejo que Flusser permeia suas reflexões!

    Beijo,

    Georgia.

  • Cia disse:

    Oi Geórgia,

    que bom Flusser no meio de qualquer caminho, né?

    Estamos atualmente muito atentos nos trabalhos e idéias de Giselle Beiguelmam(PUC SP), http://www.desvirtual.com/.
    Ela é uma professora nossa apesar de não sermos alunos dela!
    Eduardo Brandão é outro que refrata idéias, assim como Hans Aarsman citado aqui por Queiroga.

    Esse povo todo ajuda que só.
    Ajuda e atrapalha também porque as vezes tira o sono da gente.
    Idéias tem disso. Elas tiram o sono.

    Sabe um trabalho que estamos lendo muito agora?
    O do professor da ECA, Joel La Laina Sene, Fotografia: Ensino é Pesquisa.
    Muito bom. Lindo de bom.
    Sabe umas fotos da Cia que tentam criar uns espaços panorâmicos? Tem um post em nosso Blog no dia 19 de setembro sobre essa pesquisa(http://ciadefoto.wordpress.com/2008/09/19/uma-imagem-com-cinco-cliques/).
    Esse trabalho do Professor Joel Laina Sene tem nos ajudado muito.

    Mas quem realmente nos faz ler um mesmo livro há quatro anos e quase cinco é Susan Sontag.
    Ela escreveu em 1977 o que ainda não conseguimos captar.
    É aquela que lhe chama no vagar de um pensamento e lhe faz dizer ah! claro, entendi.
    Como ainda não tinha visto dessa forma?
    E daí o tempo passa e ela lhe pega naquele mesmo vagar…
    Susan Sontag ainda é para Cia a melhor explicação.

    bjs

  • [...] Conheçam a novidade da Garapa. As Alcoólicas são “sessões de papo fotográfico (ou não) regadas a qualquer bebida que esteja disponível”. E para iniciar: Cia de Foto. [...]

  • [...] Conheçam a novidade da Garapa. As Alcoólicas são “sessões de papo fotográfico (ou não) regadas a qualquer bebida que esteja disponível”. E para iniciar: Cia de Foto. [...]

  • joana pires, pe disse:

    é muito bom ver um espaço assim. pra pensar fotografia também, porque às vezes vejo posturas em que pensar a fotografia é crime, como se fosse um movimento de ir além da essência da imagem. e no entanto, a fotografia mesmo já vai além dessa essência visual desde que nasceu. e quanto ao jornalismo wiki do garapa, acho que, no caso dessa entrevista com a cia, tá mais pra jornalismo creative commons mesmo. tanta participação, tanta colaboração que dá ao texto mil vozes, mil olhares, mil tons. muito bom, galera! parabéns ao garapa, pela iniciativa.

  • Eduardo Barcello disse:

    Quando conheci o trabalho da Cia achei bacana, achei muito bom, mas hoje em dia não gosto mais, é sempre a mesma coisa!
    Sabe quando a gente ouve a mesma música mil vezes? e vê o mesmo filme dez vezes! é assim que hoje eu vejo o trabalho de vocês!
    O que mais me admira é que são três pessoas fazendo exatamente a mesma foto, três? quatro? seis?
    não sei mas acho que vcs deveriam ousar mais e de repente fazer um trabalho mais individualista, a fotografia ter que ser mais solta, sem regras, sem padrões, sem preconceitos!
    Mas com certeza vcs vão achar que minha opinião é péssima! Até porque vcs são o máximo! Ganham todos os prêmios de concursos feitos por vcs mesmos! Vou confessar, vcs são hilários!

    abraço Eduardo

    • Leo Caobelli disse:

      Eduardo,
      Antes de mais nada quero dizer que em um ponto concordo em absoluto com sua opinião: os caras da cia são hiliários.
      Poucas vezes me diverti tanto em um ambiente onde só haviam fotógrafos.
      Conversamos sobre tudo, rimos muito, filosofamos demais e, novamente, rimos mais ainda.
      Aliás, já que estamos falando de fotografia, gostaria muito de poder ver seu trabalho, pois imagino que ele seja mais solto e desregrado como você descreveu. Tenho muita curiosidade pela produção alheia.
      Sempre que uma sala tem muitos fotógrafos, principalmente quando eles não se conhecem pessoalmente – como foi nosso caso com a Cia – os egos se inflam e todo mundo adora narrar prêmios, fotos cheias de estórias de pescador e contar vantagem. Engraçado que com a Cia não foi assim. Embora, como você mesmo disse, eles tenham muitos prêmios (e cabe lembrar que eles não criaram o World Press, Joop, Prêmio Porto Seguro) – fomos nós que perguntamos sobre eles, já na quarta hora de entrevista, pois – até então – ninguém havia falado sobre medalhas e troféus.
      Mas entendo que você esteja se referindo ao prêmio de revelação na semana FNAC Fotosite. Pois bem, aqui enxergo uma meia verdade dupla (o que não faz um inteiro). A Cia fez a curadoria do evento, criou um flickr que é mais acessado que a comunidade do Martin Parr, mas não criou a semana, pois ela já existe antes da participação do coletivo. A segunda meia verdade está no próprio prêmio: revelação. Quem ganha WP já é revelado, logo – acho que a Cia poderia ter recebido outros prêmios na própria semana, mas não me cabe julgar méritos de um júri.
      Mas sua opinião não é péssima, só acho um pouco agressiva – principalmente quando se apresenta assim, escrita, registrada tão cheia de exclamações – embora, como dissemos no texto, já esperávamos pedradas, tanto na vidraça do coletivo amigo, quanto na nossa!

  • Cia de Foto disse:

    Eduardo, o espaço é de discussão e o direito de opinar é livre.
    Mas acho que podemos voltar para a fotografia e usar esse espaço, tão valioso, para discutir soluções, problemas, idéias, referências.
    Cedemos a entrevista, falamos o que pensamos. Não escondemos nada e estamos abertos a comentários, positivos ou negativos. O Leo se antecipou e retomou o rumo desse espaço, como um bom mediador, mas a conversa pode ir ainda mais longe.

    Dos assuntos que você levanta, achamos que “prêmio” é um que precisa ser falado.

    A Cia de Foto não tem tantos prêmios assim. Infelizmente.

    Geralmente somos selecionados, mas não ganhamos. Nunca fizemos parte de uma banca curatorial ou criamos um prêmio.

    O que acontece é que produzimos muito e defendemos a idéia de que as instituições que dão prêmios, bolsas e incentivos a produção fotográfica deveriam fazê-lo com trabalhos em processo, ainda frescos, recém postos a público.

    É o caso da última seleção do Porto Seguro. A Cia de Foto gostou muito do resultado. Uma seleção coerente e didática, o que é o mais importante.

    Chega de prêmios por esforço.

    No caso do prêmio promovido pelo Fotosite, o que se figurou, em nossa opinião, foi o quanto nossa comunidade sofre um “delay” em relação ao que se está produzindo.

    É claro que não podemos ser revelação. Isso restringe a possibilidade de quem de fato é, de aparecer ao público, de ter seu trabalho discutido.
    Acho bom que se faça uma crítica ao ranking criado pelo Fotosite. Nós o fazemos para eles, diretamente.
    Eles tentaram uma forma que normalmente se aplica a prêmios corporativos, institucionais, em que o mercado vota e é eleito.

    Somos entusiastas do Fotosite e queremos muito que eles fiquem melhores.

    Mas isso depende da fotografia brasileira. Só podemos criticá-los se nos envolvermos. Trata-se de nosso principal portal especializado.
    Fizemos a curadoria dessa última edição da Semana e frequentamos todas as outras e, mais uma vez, percebemos que fotógrafos profissionais não comparecem se não são estrelas do evento. Uma pena. Nessa última edição ainda tivemos a felicidade ver mais fotógrafos do que nas outras, mais ainda é pouco, muito pouco.

    A idéia de ser notícia no Brasil é deturpada. Se espera mais uma celebritização. Ser notícia seria mais como “aparecer”, é como um prêmio no mais resumido sentido da palavra.

    O que a Cia espera do Fotosite é crítica e referências. Esperamos serviços que nos ajudem na lida e nas pesquisas. Esperamos, sobretudo, novidades.
    Um ideal para nós seria ver um profissional como Eder Chiodetto mais ativo no conteúdo do portal.

    Mas reforçamos que quem chegar perto do Fotosite descobrirá que são pessoas muito legais tentando, sem muito recurso, fazer um trabalho legal. E que eles depedem de nossa comunidade. Nós somos o conteúdo!

    As brigas que ocorrem em nosso Mercado são na maioria da vezes gratuitas e resultantes de um certo caos, de uma certa falta de referência em tudo.
    Seremos melhores se formos éticos, comprometidos e a partir daí estudiosos, criativos e responsáveis com a formação de novos profissionais.

    Prêmio e notícia deveriam ter um objetivo comum, o de fomento. Só teremos isso quando tivermos crítica no mercado brasileiro. Não opiniões irresponsáveis, mas crítica embasada. E há gente no Brasil apta a essa função.

    E hoje as ferramentas estão aí, para todos, de graça. O Garapa reforça a liberdade que se tem hoje em dia pra criar um espaço para troca de idéias. Blogs como o Fotoblográfico, do Masao, O TramaFotografica, da SImoneta, o Granulado, da Carla, o Olha|Ve, do Belem, e tantos outros formam, ou pelo menos tentam, um senso crítico, parâmetros de discussão.

    São profissionais do mercado fazendo uma endocrítica, tentando melhorar o dia-a-dia, pondo em xeque quem antes detinha o poder exclusivo de comunicar. E isso é o mais gostoso. A fotografia como assunto, hoje em dia, é subversiva na essência.

  • Flávia Lelis disse:

    Olá Pessoal do Garapa,

    Tudo bem?

    Vimos que fomos mencionados nos comentários e, independente das opiniões de todos, gostaríamos de esclarecer alguns pontos relativos à Semana Epson Fnac da Fotografia e ao O Melhor da Fotografia, Brasil 07/08, projetos da casa.

    Tratam-se de dois projetos independentes, realizados por profissionais diferentes. A Semana deste ano contou com curadoria do coletivo Cia de Foto como convidados, assim como tivemos em 2007 o Eder Chiodetto, e nos anos anteriores, o Pisco Del Gaiso.

    Já para na composição de O Melhor da Fotografia contamos com votos de 80 profissionais da comunidade fotográfica, entre curadores, galeristas, jornalistas, fotógrafos e colecionadores. O resultado é a mais pura expressão da opinião destas 80 pessoas, e coube ao FOTOSITE a coordenação do projeto e 1 voto. Convém deixar claro que a Cia de Foto participou do júri com 1 voto, assim como os outros votantes. Discordar dos nomes apontados pela comunidade ou, até mesmo, da metodologia é válido, respeitamos. Sugerir qualquer outra coisa não é justo com os votantes, os votados e conosco.

    Nosso intuito com a seleção foi convidar a comunidade fotográfica a apontar profissionais deste cenário que tenham se destacado dentro de um período, só isso.

    Não escolhermos nenhum vencedor, vocês – a comunidade – é que o fizeram.

    Celebramos a fotografia e espaços como o Garapa, onde a fotografia é o personagem principal!

    Se alguém tiver alguma dúvida, será um prazer responder.

    Abraço,

    Flávia Lelis
    Editora do Portal Fotosite e de O Melhor da Fotografia

  • animal todo cruzamento de informacoes, texto, audio, foto, video, comentarios e tal. parabens garapeiros!
    essa discussao com certeza vale cada garrafa! e ao meu ver tem tudo pra gerar, e já está gerando um puta conhecimento, que além de alimentar dezenas de mentes, se parece muito com o que a história mostra dobre movimentos de vanguarda. que continue! firme e forte! parabens ciadefoto

  • Carla Romero disse:

    É muito bom ler, ouvir, falar e refletir sobre fotografia. Fiquei feliz com mais essa iniciativa. Ótima a idéia de juntar o blábláblá da Cia de Foto com a linguagem multimídia do Garapa. Sou fã dessas turmas. Os dois coletivos trouxeram ar fresco para a fotografia brasileira, conseguem abordá-la de um modo inovador. Suas idéias e projetos despertam a atenção de uma audiência que está cansada de tanto ver sempre o mesmo. Vida longa ao Garapa e a Cia.

  • Mônica Maia disse:

    Garapeiros, que iniciativa genial, parabéns! Já estive na casa da Cia e a conversa foi ótima e o tempo foi curto. Só faltaram as garrafas abertas rs rs rs.

    Iniciar estas seções com a Cia foi uma grande escolha. O papo fotográfico com eles é intenso, polêmico, instigante e até provocante.

    Desafio os dois coletivos para uma Alcoólica sobre Fotojornalismo (fotojornalismo, fotoreportagem e fotodocumental)!

    Estou neste momento tentando preparar uma palestra sobre o tema para levar para a Argentina e não está fácil he he he.

    Se me permitem citarei os dois coletivos brasileiros, entre histórias clássicas de grandes mestres, além de novas histórias de um mundo digital, de um tempo que não pára, de um modo conectado de ser, e tudo que o cerca.

    bjs

    ps. Carla querida, você tem que estar na roda do fotojornalismo, não acho que ele esteja em crise, ou se está não está sozinho, talvez ele seja uma consequência das publicações, e uma coisa puxa a outra. Alguém precisa puxar este fio ao contrário e recriar espaços para os fotojornalistas brasileiros.

  • Leo Caobelli disse:

    Guardei uma pergunta pra encerrar o debate, já que estamos com uma nova Alcóolicas na agulha (ainda pra essa semana).
    Há algum tempo uma amiga minha, conversando sobre o caixa de sapatos pergutou:
    - Sei que o tema deles é intimidade, mas será que intimidade se resume a foto no banheiro?
    Fiquei com duas pulgas atrás da orelha, uma porque não lembrava de tantas fotos no banheito assim, outra pq eu passo bastante tempo no banheiro, logo faria parte da minha rotina fotográfica de intimidade.
    Não obstante, resolvi contar. Até o final de novembro, o flickr da cia de foto, que abriga a caixa de sapatos tinha:
    221 fotos
    16 delas tendo o banheiro como locação.
    Fazendo uma simples regra de 3 e considerando 221- 100%. As fotos de banheiro seriam 7,21% da caixa.
    E por que eu estou então quase reposndendo uma pergunta? Porque me surgiu outra. Nenhuma das fotos da caixa de sapatos é ausente de personagens, daí me perguntei, a intimidade só existe a dois (no mínimo)?
    E sintam-se livre pra responder a pergunta dos banheiros sem tanta matemática!

  • Cia disse:

    Oi Leo,

    penso que depois de três anos o Caixa de Sapato é cheio de pequenas histórias.

    Hoje em dia por exemplo, achamos que as melhores fotos publicadas ali partem para uma pegada mais subjetiva, mais fantasiosa de nossa intimidade.

    Nós agora temos uma bolsa de 10 meses para desenvolvermos esse projeto e muita coisa legal vai acontecer.
    Pelo menos tomara.. .

    Não houve ainda uma intenção de capitularmos o ensaio.
    Então os 7% de banheiro estão ali ao acaso do que é o banheiro em nossa vida.
    Mas, por exemplo, parquinhos de praças aparecem muito em nossa caixa. Acordar idem.
    Piscina é outro ambiente que muito aparece assim como carro e sofá.

    É claro que não elegemos o banheiro como resumo de nossa intimidade.

    A única coisa que de fato ainda não apareceu no trabalho foi ausência.
    Isso é legal de perceber.
    Nossas cenas ainda são protagonizadas pelos personagens e não pelo cenário.
    Acho que isso é um sinal do quanto ainda há de pesquisa para esse ensaio.

    Conseguir passar intimidade só pelo cenário é muito para Cia de Foto.
    Ainda não chegamos lá.
    Não estamos no estágio de sermos concisos.

    Agora pensando no objeto Caixa de Sapato.
    Voltamos na questão, será que intimidade se resume em uma Caixa de Sapato?
    Talvez uma caixa consiga editar bem os sentidos de intimidade.
    E aí chegamos em um ponto que não existe personagem. Somente uma Caixa.
    Um cenário que guarda, que mistura.
    Perceber o que pode ser esse meio, esse objeto, para o ensaio é um ponto forte de discussão.
    Ele é a forma, o veículo que trará o teor do trabalho mantido em resumo.

    E aí é legal pensar o que é resumir.
    Resumir em um trabalho fotográfico é a forma de deixá-lo simples.
    E uma idéia tem que ser simples para que apareçam construções complexas.

    Obrigado ao Garapa pelo espaço proposto.
    Foi ótimo dividir com vocês.

    Abraços e vamos para a próxima Alcóolicas, já bem vinda,

    Cia

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