MTV Pública – Consumo

outubro 11th, 2008 | § 11

Na última semana, enquanto trabalhávamos, encontramos um anúncio de uma promoção do jeans Diesel no jornal. Primeiro, nos espantou o fato de o anúncio ser todo em inglês, o que, segundo o Procon, contraria o Código de Defesa do Consumidor.

Também nos chamou a atenção o fato de que o grande atrativo da promoção era o preço do jeans: R$ 300,00, ou 72% de um salário mínimo. No dia seguinte, fomos até a loja da marca, nos Jardins, para cobrir o evento e ver de perto o resultado da campanha.

Essa é uma primeira peça que produzimos, aproveitando o espaço que temos na MTV. A idéia não é criticar a marca especificamente ou mesmo o consumo (seria hipocrisia demais), mas talvez (olha a pretensão) causar uma reflexão sobre o peso das decisões que tomamos diariamente.

A música que acompanha o vídeo tem um título longo e curioso: “Using air bubbles as lenses i see the outside. I suspect the world is not what it seems” [Usando bolhas de ar como lentes eu vejo o lado de fora. Suspeito que o mundo não é o que parece]. A faixa é do israelense Cherly KaCherly, e faz parte do projeto Drop – a 4 note. As músicas de Cherly são publicadas sob licença Creative Commons pelo selo virtual Birdsong.

Veja, portanto, o vídeo:


Para levar:

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§ 11 Responses to “MTV Pública – Consumo”

  • thais disse:

    é bizarro isso, o salário de uma pessoa ser uma calça jeans para outras…
    esses dias mesmo, vi uma mulher gastando 600 reais em uma loja de roupas, que provavelmente ela nem precisava.
    todas vezes que tenho um surto de consumismo penso no absurdo que é essa nossa necessidade de comprar coisas e mais coisas…

  • E qual o problema? se cada um tem sua própria relação de poder aquisitivo? se uma pessoa que ganha apenas 1 sal. não teria condições de comprar uma calça de 600 reais, e se alguém que ganha 20 vezes mais (ou vem mais) pode?
    e se a pessoa, mesmo não ganhando tudo isso, quiser comprar?
    Qual o problema?
    Cada um gasta da maneira que quiser, certo?
    E se a campanha está em inglês? qual o problema, se o público dirigido é específico?
    Acho pior, taaanto pior, essa forma de convencimento ao consumismo VELADO utilizado pela própria emissora em questão (MTV)
    Porque não falam disso?
    celulares, bonequinhos, quitutes, venda de estilos, e rigor de comportamento, para crianças que absorvem de tudo?
    Ora, ora…

    • Leo Caobelli disse:

      Fabio,
      O problema, ao meu ver, é claro.
      Enquanto criarmos a glamourização exacerbada de qualquer bem de consumo se sobrepondo a melhoria de condições básicas para um coletivo inteiro, estamos sim criando um grupo de marginalizados.
      Essa marginalização, aliada ao poder de persuasão da publicidade, criam os desejos de consumo em quem tem e também em quem não tem – o que vc mesmo citou: poder aquisitivo.
      Assim, querendo mas não tendo, rouba-se.
      Não me lembro de qual sociólogo é a frase, mas parece que já saiu até em sorte do orkut: A sociedade prepara o crime, o criminoso apenas o pratica.
      Quanto a publicidade em inglês, você foi categórico, ela é excludente. Excluir, ao invés de incluir é uma política de valorização capital. Quanto mais se reduz o grupo de consumo, mais algo se valoriza monetariamente – é o princípio de oferta e procura que regulamente mercados há anos. Mercados estes que estão quebrando, como podes ver em outro especial recém adicionado por nós.
      Mas mais importante que a crise na bolsa é a crise moral que leva alguém a defender que o preço de uma peça de roupa é apenas uma etiqueta, um valor… ele é mais do que isso, meu caro Fabio, é a síntese de nossa sociedade criando seus próprios algozes – pensando antes em excluir do que em incluir – empurrar do que abraçar.
      São escolhas, e como todas elas, têm suas consequências.
      Cabe apenas lembrá-las no meio da Rebouças com um 38 encostado na nuca.

      obs: e não esqueça também de que a maioria desses oásis de consumo exclusivos são produzidos em países sem leis trabalhistas definidas, onde uma criança é responsável pelo lindo adorno dos teus tênis.

  • Andre Deak disse:

    Falou e disse Leo. Essa discussão merecia virar um post. Bem, talvez eu faça dela um post… parabéns pelo trabalho de vocês.

  • [...] amigos do Garapa.org, grupo independente de jornalismo multimídia, produzem, entre outras coisas, vídeos que vão ao ar [...]

  • pô, me lembrei de alguns anos atrás qdo vi um tênis numa vitrine por mais de 500 reais. Isso qdo o salário ainda era menor que o atual.
    Fiquei indignado e fui falar com o cra da loja, perguntando se ele cahva sensato colocar um tênis na vitrine dele que custava quase dois salário mínimos. Não sou contra vc ter grana e gastar numa coisa que vc quer, porém pra nossa geração isso se tornou uma doença, uma síndrome de amor às coisas e separação às pessoas.
    Ótima discussão!

  • Igor" disse:

    Sim, Fabio Chenepan, mas você acha que uma pessoa que ganha meio salário mínimo vai optar pelo o que? JEANS ou ALIMENTO?
    Para você deve ser fácil falar, você está na frente de um computador, na sua casa, com sua bebida aí ao lado, ouvindo uma música bacana, com sua camisa da moda, mas é preciso entender que pessoas como você, infelizmente são minoria. A grande população não tem ou teve a mesma oportunidade que você têm, tente entender isso, a fome ainda predomina no Brasil e não só aqui. Ao mesmo tempo que você, no natal, pensa em ganhar presentes e mais presentes, grande parte das pessoas querem ter o seu alimento. Queria você, viver nessas condições? Acho que não, por favor, reflita sobre o caso, e, após isso, reformule seu pensar.

    Abraço, parabéns aos autores do vídeo.

  • Junior Valler disse:

    Vc consome ao mesmo tempo que é consumido.

  • Gracias por el post man! segui con tu buen trabajo

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