MTST

janeiro 6th, 2009 | § 27

Acordei no dia 19/11/2008 sabendo que teria pauta boa pela Folha. Na noite anterior Marlene Bergamo perguntou se não queria fazer um trabalho duplo, ela fotografaria um protesto do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) em um supermercado na Zona Sul da cidade enquanto eu faria outro no mesmo horário, mas em Taboão da Serra.

O Movimento escolheu a data e hora para fazer protestos simultâneos espalhados pelo estado de São Paulo focando as críticas nos subsídios de 160 bilhões de reais, concedidos pelo governo federal, como forma de auxílio aos bancos para enfrentar a crise econômica. Enquanto os banqueiros ganhavam verbas gordas, os supermercados inflacionavam os preços da cesta básica para também engordar o caixa, já que previam tempos de vacas magras.

Um dos donos de supermercados mais conhecidos do país, o empresário Abílio Diniz, declarou que – depois do pacote de ajuda que o governo ofereceu aos banqueiros – ele podia dizer de peito aberto que tinha orgulho de ser brasileiro.

Jota Batista, coordenador estadual do MTST e um grupo de aproximadamente 200 pessoas pensavam diferente naquela manhã em Taboão da Serra e resolveram fazer uma compra coletiva no supermercado Extra. Como forma de pagamento eles apresentariam um cheque simbólico, o chamado cheque miséria, no valor dos subsídios concedidos pelo governo. Com essas ações conjugadas o Movimento conseguiu parar a manhã de compras em diversos supermercados da capital e mostrar para Abílio Diniz que orgulho é algo demasiadamente relativo.

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§ 27 Responses to “MTST”

  • paula disse:

    registro importantíssimo, movimento mais importante ainda. me sinto péssima quando lembro o quão pouco politizada a população ainda é, e feliz por demais quando vejo manifestações assim. que sejam cada vez mais presentes.

  • lufec disse:

    belíssimo trabalho! arrepiou

  • Pepe Mélega disse:

    Muito bom, ótimas fotos e som perfeito. Parabéns. Abs

  • Sisso Carvalho disse:

    Léo

    Parabéns pelo excelente trabalho..Uma exposição nua e crua das falcatruas e desmandos de nossos “malditos governantes, malditos banqueiros agiotas…e malditos macro-empresários safardanas”.

    Estamos caminhando para um “condição de desgraça populacional”, onde não nos restará alternativa, senão saquearmos aqueles que nos oprimem…com objetivo de sobrevivência (Loyola tinha razão…NÃO VERÁS PAÍS NENHUM)

    Restará aos nossos filhos, que nos enterrem em covas razas e covas coletivas, pois não mais porderemos morrer…pois não teremos dinheiro para custear nossos próprios enterros.

    Sou um revolucionário e um grande formador de opiniões entre todos aqueles que convivo…Mas não vejo saída para esta situação DESGRAÇADA…Um PAÍS MISERÁVEL DE RICOS…Pouco ricos e senhores feudais!

    Já não nos basta a cultura se a maioria utiliza os jornais para limpar seus próprios dejetos humanos em suas entranhas ao invés da leitura, pois são disléxicos ou semi-analfabetos.

    Como conclamar um povo que admite a esmola como forma participativa nas riquezas de um País e que admite sem amarguras a institucionalização do voto cabresto como forma de escolha de poder de seu próprio País?

    Como conviver com este despaltério e absurdos crônicos?…Governantes, banqueiros e seus “lambedores de botas” estão sempre recebendo seus APORTES FINANCEIROS como se trata-se de uma propriedade privada…como se fosse uma brincadeira entre amigos exclusivos!

    Infelizmente meu amigo, nos NÃO SABEMOS VOTAR, NÃO SABEMOS FAZER REVOLUÇÃO…NÃO SABEMOS TRAÇAR NOSSO PRÓPRIO DESTINO!

    Somos nós, a sombra de um passado amargo e obscuro, que jamais deixará de existir em nossas vidas, graças a nós mesmos.

    Somos um povo medíocre!

    Grande abraço…seu trabalho me emocionou!

    Sisso Carvalho
    Músico, Poeta e Louco

    “…Ser feliz..é a maior vingança…”

  • kika disse:

    genial! fotos incr’iveis!

  • Muito interessante!
    O buraco é muito mais embaixo e é bom chamar a atenção para protestos como esse.
    200 pessoas e um cheque nesse valor não podem passar batidos.
    Que bom que você estava lá.
    abraços

  • Ailton disse:

    As fotos foram interessantes.
    O uso de P&B para cenas de protestos remetem para os anos 80, início do período forte do sindicalismo brasileiro.
    Particularmente acho que as cenas da minutagem 0:18 e 3:25 mostram um diferencial interessante. A primeira mostra o povo quase em oração, cabeças-baixas. A outra, no fim da ação, punhos erguidos, em confronto, enquanto a pessoa (um dos coordenadores?) apresenta um sorriso de vitória.
    A pergunta que fica é quem venceu, quem ganhou com esse movimento…

    • Leo Caobelli disse:

      Oi Ailton, tudo bom?

      Muito boa sua análise, precisa mesmo.
      A pessoa que mais aparece em evidência nas fotos é sim o coordenador, o mesmo das falas, Jota Batista.
      Sobre a pergunta, quem venceu? Acho que não existe uma resposta objetiva para tudo isso, apenas mais e mais questões que vão surgindo.

      Perguntas essas que vão desde a validade do pacto social que estabelecemos, passando pela formatação do discurso de contestação, até saber se todos os envolvidos em manifestações tem ciência da bandeira que levantam.

      Porém sempre creio que o importante é ter mais pontos de interrogação do que exclamação.

  • Itamar Sandoval disse:

    Muito bom, muito.
    Uma rica e genial idéia de como fazer jornalismo e fotojornalismo, exelente. São ações desta natureza que faz o elo entre as classes sociais. Dá uma sacudida em quem está parado.
    Parabéns ! Vou divulgar.

  • mandou muito bem.
    grande abraço e parabéns
    Raimundo Paccó

  • Moacyr Lopes Junior disse:

    Boa Léo.

    Mandou Bem!

    abs,

    Moa (Moacyr Lopes Junior)

  • A verdade é que, independentemente do “assinador de cheques” do BC ser um banqueiro (portanto não é uma raposa cuidando de galinhas), elegemos governo federal pra que eles tratem da macroeconomia, da agroindústria do feijão, e não da etiqueta de preço do saquinho; somos o “mercado” e vivemos num estado de direito democrático, onde em tese o consumo equilibra os preços pela procura. Mas é evidente que nada disso funciona abaixo do equador… pois o único direito ao consumo por essas bandas é comida (senão não há força de trabalho etc), fazendo com que o setor supermercadista seja privilegiado.
    Difícil pra qualquer governo deste imenso país lidar com as questões do cotidiano, das ruas, dos estômagos ácidos e das mentes cáusticas; a classe média vive placidamente à espera de próximo degrau social (pra cima ou pra baixo) e só se manifesta pela “Família com Deus pela Liberdade” quando lhe é conveniente e é claro, se entretém desfrutando —à distância segura— de belas fotos na seção Cotidiano (cotidiano de quem?) dos jornalões centenários.
    Um trabalho fotográfico como esse que seja feito com um mínimo de calor, inevitavelmente vai procurar “agregar valor” com técnicas classicistas, como o P&B, as compressões de planos (em enquadramentos fechados), a ausência de zonas negativas, os cliques de baixo pra cima, abrindo com argumentações plausíveis e civilizadas e encerrando com palmas da claque e palavras de ordem standards. Acho que não tem jeito, o roteiro é esse. E o palco também: o mesmo dos saques (não simbólicos) de décadas anteriores, da mesma família da patética “Operação Uruguai”… roteiros ruins que resta à nós fazermos filmes bons.

    • Caro Fernando, como garapeiro, agradeço por demais pela sua dedicação na observação desse trabalho. Queria apenas discutir alguns pontos. Primeiro, não acho que seja responsabilidade do governo federal APENAS tratar da macroeconomia e da agroindústria. Pelo contrário, penso que é justamente por tratarem apenas disso que o poço de merda fica cada vez mais fundo. É o agronegócio que quer a derrubada da floresta, não o pequeno agricultor ou extrativista que vivia (e vive) por lá. É o especulador imobiliário que quer manter prédios vazios enquanto pessoas vivem na rua. Quando o Estado só trata do macro, só quem vive desse macro ganha. O deus Mercado já se provou frágil há anos.

      Quanto à classe média, concordo plenamente, e o jornalismo (e a sua vertente fotográfica) entram no mesmo balaio. Fotojornalismo é brincadeira de luxo de uma classe abastada (alta ou média, tanto faz – seja eu ou o herdeiro do Unibanco) que se sente culpada porque ainda não caiu no poço. Gostei da sua frase final (“roteiros ruins que resta à nós fazermos filmes bons”). É por aí, é o nosso jeito de fingir que é conosco. Mas ‘vamo que vamo’, que em alguma coisa é preciso acreditar.

      Abraço.

    • A propósito, quem será que pediu a retirada do Maranhão da Amazônia Legal?

      http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1485

  • Thais disse:

    Ótimo vídeo, esses protestos nunca são divulgados…

  • Eduardo Knapp disse:

    Parabéns Caobelli!!!! Tá ai um alternativa para expor nossos trabalhos que ninguém vê…

    Grande abraço
    E Knapp

  • Parabens, prá variar um pouco esse mundinho midiatico enfandonho e burocratico esta mandando muito bem…
    vamos copiar que vale a pena.

  • Gostei mUITO de muitas fotos, e do PB bonito de tudo,
    e depois que vinha dizer so isso, assim no encanto, cai na rua de comentàrios: e numa que estou de prestar mais atençao à internet em movimento, li todos
    Dai foi: esse do Fernando mexeu bom, e a resposta do Paulo me deixa fã do garapa e do formato! Vamo que vamo,
    agora sem a fanzice boba mas no minimo deixando registro de que adoro o jeito de que, pra rolar a pagina e escrever, sempre vamos bater os olhos nos outros escritos! Salve!

  • Oi Leo

    O Garapa está fazendo exatamente aquilo que venho tentando fazer há algum tempo(desde que a internet surgiu). Fotojornalismo, posicionamento e divulgação para um público amplo e diversificado. Em meus pequenos cursos de fotjornalismo sempre bato na tecla que não há como fazer fotojornalismo sem fazer jornalismo e que jornalismo é um instrumento que não pertence a ninguém, Folha, Veja. Estado Time etc.. É preciso dominar a técnica e ir buscar a informação. No caso do fotojornalismo, a fotografia de informação. Claro que todos queremos viver disso mas nunca foi fácil. O diferencial agora é que que existe essa incrível ferramenta que é a internet e isso vocês estão dominando como poucos. Estou super entusiasmado com essas possibilidades e as parcerias que são possíveis. Acredito que estamos em um terceiro estágio da linguagem fotojornalistica. Antes você tinha o fotojornalista solidário com as questões sociais mas atrelado aos interesses da empresa onde ele trabalhava. Depois veio o fotojornalista independente, livre dos interesses da empresa em que trabalhava mas carregando consigo sua bagagem cultural que inevitavelmente influencia seu olhar e sua forma de ver “o outro”. Agora surge a possibilidade desse fotojornalista partir para uma terceira etapa onde ele continua solidário mas trabalha em duas frentes. Buscar “limpar” seu olhar de sua carga cultural para se aproximar o máximo possível da realidade do “outro” que ele documenta, mas ao mesmo tempo oferece seu conhecimento para capacitar “o outro” e ajudá-lo a criar seu próprio olhar. É isso que está acontecendo nas periferias das grandes cidades. E nisso essa ferramenta web + Garapas da vida podem fazer um enorme diferencial. Acredito fortemente que nosso papel hoje, além de usar a web para fazer trabalhos como esses do Garapa, também é capacitar essas comunidades e formar uma rede não “alternativa” mas ATIVA, que ofereça um outro olhar, uma outra realidade e uma outra versão. Sim, rapaziada, informação é poder. E nesse campo não existe isenção. Há que se tomar uma posição, sem no entanto perder a ternura jamais.
    Parabéns, cada vez mais sou fã do traalho de vocês.
    abração
    Carlos Carvalho

  • Kenji Arimura disse:

    Parabéns pelo trabalho! É o meu sonha fazer algo que tenha algum impacto sócio/político assim. O que vc está fazendo serve de grande inspriração. Obrigado

  • É interessante esse tipo de política: o governo evidenciando os mais fortes, os mais abastados. Ricos sobem, enquanto pobres, quando escalam a montanha social, escalam pouco. Por falta de forças.

    O burguês, financiado pelo Estado, tem forças pra suportar uma crise. Na verdade, ele sabe que sempre vai estar na asa do intervencionismo estatal, por mais que seja – outrora – época de liberalismo. Se sofre crise, o Estado afaga; depois, se rebela, até entrar em uma overdose novamente. E assim, cíclicamente, ele se sustenta nesse capitalismo. O desfavorecido, sem-teto, sem-terra, morador de rua ou favela, não tem uma mãe estatal pra confortar, e quando tem, é, na verdade, uma droga assistencialista viciante. Ele não tem controle sobre a produção, sobre o lucro, sobre a economia, e o que resta pra ele é esperar que os governantes, a elite, se mova em prol dessa classe.

    Mas é sabido que os governantes sempre estão aquém do povo. Mesmo quando, no passado, eram de classes parecidas, esquecem e se corrompem com o poder e a posse. Pra quem está lá, tudo parece bem.

    Mesmo para indivíduos como eu, da classe média, a crise não parece abater tanto o nosso país. Até sofrermos alguma catarse por projetos como esse fotojornalismo crítico. Através dessa combinação de manifesto e imagem, a gente se põe no lugar de quem realmente sofre com uma crise, com um abalo; de quem realmente precisa de auxilio. E enquanto não for investido nisso, nessa base, não pode se falar em alguma forma de "justiça distributiva" ou "igualdade" em terras tupiniquins. E em nenhum lugar do mundo onde impere essa ganância sangue azul.

    Parabéns pelo trabalho. Ótimo jornalismo, excelente multimídia que chega a me dar inveja e até uma vontade de aprender fotografia, só pra se ter uma noção pequena desse olhar paralelo da sociedade. Até linkei o site no meu blog.
    Abraços,
    Maurício Pitta

  • [...] MTST (em vídeo) Domingos (em video) Warrior Ink (em vídeo) [...]

  • [...] não é novo e/ou original. Só para citar um exemplo, faço referência ao trabalho do Garapa, que há tempos vem impressionando com os seus projetos experimentais. De toda forma, dá um certo otimismo ver esse espírito transgressor invadir também a redação [...]

  • [...] MTST (em vídeo) Domingos (em video) Warrior Ink (em vídeo) [...]

  • victor disse:

    quero saber qual é o significado da bandeira do mtst

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