Ensaio: Morar

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Já se vão mais de 19 meses desde que alguém da Garapa entrou pela primeira vez no edifício São Vito, na região central de São Paulo. Dali nasceu a idéia de registrar os apartamentos “vazios”, cheios ainda de memórias de moradores que se foram já há quase 5 anos. Em abril de 2004, a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão Marta Suplicy, desapropriou o São Vito, cadastrando proprietários e inquilinos com a promessa da reforma do prédio popularmente conhecido como Treme-Treme.

Com a chegada da administração Serra/Kassab, o projeto de reforma foi abandonado e a idéia de derrubar os prédios tomou força. Reeleito, Gilberto Kassab fez desse fato uma de suas primeiras plataformas de ação, iniciando o processo de desocupação do prédio conjugado ao São Vito, o edifício Mercúrio.

No dia 01 de dezembro de 2008, aproximadamente 50 guardas civis metropolitanos subiram os 24 andares do edifício colando ordens de despejo em cada um dos 6 apartamentos que compõem cada andar. Assistentes sociais informavam os moradores de que eles tinham duas semanas para deixar os apartamentos. Caso desobedecessem, teriam seus pertences colocados na rua.

Foi em meio a esse clima de tensão e expectativa que conhecemos um pouco das 34 famílias que ficaram no edifício após o prazo dado pela prefeitura.

Dona Selma, Cláudia, Maria, Lili, Joyce e tantos outros (a maioria mulheres) foram contando as suas histórias, muitas delas vividas dentro do edifício. Deram, assim, a sua perspectiva de moradia, questionando enfim a destruição de quase 800 apartamentos em uma cidade marcada por um imenso déficit habitacional.

A resistência, porém, não durou muito. Menos de dois meses após o prazo estipulado pela prefeitura, na manhã de 11/02, as famílias amanheceram novamente com a presença da polícia e, no espaço de 12 horas, o prédio foi desocupado e totalmente lacrado.

Algumas famílias conseguiram alugar apartamentos às pressas; outras estão em casas de amigos e parentes. Já os 144 apartamentos do Mercúrio começam a trilhar o mesmo caminho das 624 unidades do São Vito: mobílias que não puderam ser transportadas, objetos que se perderam pelo chão, lembranças deixadas pra trás do que um dia já foi mais vivo.

Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.

Para saber mais:
- Matéria do jornal O Globo sobre a desapropriação do Ed. São Vito (29/11/2006);
- Matéria da revista Vitruvius sobre o antigo projeto de requalificação do São Vito (10/2004);
- Matéria do portal G1 sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Matéria da jornalista Renata Bessi, publicada no Centro de Mídia Independente, sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Um mapa para entender onde acontece tudo isso.

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29 Comments

  1. nossa, incríveis as fotos. passei algum tempo vendo-revendo. as janelas. obrigada por terem enviado o boletim.

  2. Carlos_Carvalho

    Amigos
    Parabéns. Não sei se foi proposital mas incrível a relação temporal entre a 1a. e a última foto. E também a encruzilhada insinuada na foto 6. Muito bom.

  3. queridos garapas.

    ficou beeeem lindo né. to assustado de como ganha força assim em sequência. E o tratamento ficou muito apropriado. acho que vcs chegaram numa linguagem com dramaticidade mas na medida. nem mais nem menos.
    a minha preferida do coração é a 7.

    e nnao se fala mais nisso.

  4. carlos carvalho

    queria reforçar essa questão do tratamento. também achei na medida.muito bom, muito forte , sem sair da realidade. abs

  5. A foto 21 é uma redenção. O musgo, a luz, o verde, as paredes cor de fruta antes de ficar madura, o armário descansa bem acomodado na horizontal e aberto, sensação de floresta. E sensação de que tem uma coisa boa, vital e principalmente bonita, não sendo gestada, para nascer, mas ali, presente. Se não o homem, os espaços sempre se ajeitam. Certamente é importante saber porque moramos onde e como moramos. Escolha é luxo. Igual é luxo fazer orçamentos, decidir, derrubar, intervir, despejar. Agora, residência pode ser também interior e que a sensação, nem que seja como esperança, da foto 21 visite os ex moradores do Treme-Treme, na sua diáspora.

  6. Newton Medeiros

    Parabenss belissimo trabalho …

  7. cesar schaefffer

    parabéns…muito boas fotos…a cor me agrada muito
    então, queria saber mais sobre essa exposição…confesso que sempre guardei esse material do são vito…na verdade tenho um material das últimas famílias a deixarem o são vito…eram aquelas que depois do "despejo" da prefeitura para aquela famosa "reforma" não tinham para onde ir…tenho um trabalho maior do que o que você viu no flickr…podíamos conversar…tenho muito interesse, sim…
    aqui meu e-mail: jukaone@gmail.com…se preferir, pode ligar 8202.4258
    abraço

  8. Cassio

    Muito bonito o ensaio. Pelas cores e contraste as fotos parecem slides antigos, o que dá um sentimento de nostalgia ao ensaio.

    Parabéns.

  9. Carlos Aranda

    Felicidades que buen trabajo, saludos desde México, Mondaphoto

  10. Brilliant, this serie really catch my eyes, fascinating work. Thank you so much for share it with us :)

  11. Fotojornalismo de extrema qualidade !!!
    Parabéns!

  12. walter tabax

    e as pessoas? Onde estão estas pessoas? O que acontece com estas pessoas? Onde vivem estas pessoas? Esqueceram-se da vida destas pessoas? Elas ainda existem? Já morreram? Tem casa para morar? Estão ao relento? Receberam alguma ajuda pela equipe que fez as fotos? Elas tem algum tipo de assistência? Ah… as fotos, sim, as fotos estão muito bonitas.

  13. Querido walter tabax, tudo bom?
    Antes de tudo agradeço a você pelo interesse na vida de nossos fotografados, assim como por nossas imagens.
    Já respondendo suas questões, para nós – Garapa – os ex-moradores do edifício Mercúrio são muito mais do que personagens de fotografias, são seres humanos e, indo além, são parte também de nossas vidas, nossos amigos.
    O ensaio Morar, como descreve o texto, não acaba aqui. Os moradores agora habitam novas casas e continuamos visitando-os quase semanalmente… muitas vezes nem registramos essas visitas, vamos até suas casas meramente como amigos, para confraternizar.
    Se você for morador de São Paulo terá a oportunidade de conhecê-los na quarta-feira. Conforme post aqui no site mesmo: http://www.garapa.org/2009/04/habite-se-na-galeri… as 19:00 será inaugurada uma exposição que contém estas e outras imagens (muitas delas já nas novas casas). Os moradores todos estarão presentes, assim como outros amigos nossos.
    Quanto a seu questionamento sobre ajuda, digo que não somos "a equipe que fez as fotos", mas cidadãos preocupados com as reformas habitacionais da cidade e, sobretudo, com os moradores que a cidade quer esquecer… deixar ao relento. Fotografar, registrar e fazer-nos presente é a nossa maneira de contribuir com o debate e ,de alguma forma, não permitir que se varra tudo pra debaixo do tapete.
    Não esqueça, quarta, dia 15/04, as 19:00 na galeria Olido.

  14. Pesado… Me fez repensar o apoio velado que dava às ações de nossa atual administração…
    Ainda acho válido o processo, mas antes via apenas com a visão da cidade, sem a humanização…

    Crescer e renovar é preciso, mas antes, a responsabilidade com estas famílias e a história de cada um é muito maior…

    Parabéns Leo Caobelli e aos demais que fizeram parte do projeto, certamente, o objetivo acima postado foi alcançado

  15. Horrível de lindo! Parabenzaço ao trabalho sensacional. Cada foto é uma obra-prima.

  16. Ola!
    Me chamo Anderson Barbosa e sou fotojornalista
    Vivi nas ocupaçoes do centro, coordenadas pelo MSCT durante 6 anos e venho desenvolvendo projeto sobre o tema. Varios fotografos ja conseguiram realizar seu trabalhos e apresenta-los ao grande publico. O meu ainda continua apenas para amigos
    Gostaria que vissem o link que passo nesta mensagem. Contem um resumo destes anos em que vivo nas ocupaçoes do centro e outras que segui acompanhando. O assunto é semelhante por tratar-se da questao habitacional no centro da cidade e mesmo nao sendo ocupaçao, o Mercurio tambem é um ponto crucial na discussao sobre que cidade queremos.
    Eu fiz a saida dos moradores.
    Bom, segue o link e gostaria que comentassem a respeito
    http://www.flickr.com/photos/vidassemteto segue outro tambem
    http://www.flickr.com/photos/fotojornalistaandersonbarbo...

  17. Ana Silvia

    Nossa, meninos, ainda não tinha visto inteiro…tá incrível mesmo.
    Me lembrou muito as imagens do Ronaldo, ex. CPF que ganhou revelação do Porto Seguro em 2007 (e teve a direção, edição e tratamento dirigido pelo Pio e Cia)… O que falaram muito do Ronaldo naquela época, era que era a favela, pelo olhar do seu morador (e por isso tão valioso e diferenciado). Bom, não sei o que vocês fizeram, mas acho que conseguiram sim, um registro com um olhar de dentro (e não de intruso).
    A sete é muito linda, mas a última cala a boca de todos nós.
    Depois quero saber mais da edição.
    beijo,

  18. Carla Freitas

    Nesses momentos percebemos que nada sabemos sobre aqueles que colocamos no poder. Para onde foram essas pessoas? Será que em algum momento pensaram no que aconteceria com essas pessoas quando elas perdessem a sua moradia? Uma imagem diz tudo, e essas fotos retrataram a tristeza e a dúvida daqueles que não tinham noção de quando poderiam perder seu imóvel. Parabéns pelo trabalho.

  19. Parabéns pelo trabalho caras, por mostrar esse fato e pelas fotos que estão incríveis como sempre. Um olhar extremamente refinado sobre uma questão bastante dura.
    Como tudo que é bom deve ser passado para todos… tomei a liberdade de escrever no meu blog dando a dica da exposição.
    Sucesso caras.

  20. ester hamermesz

    Que belo trabalho! Vcs podem fazer um livro só dos detalhes de decoração dos apartamentos. Parabéns!

  21. Oi Como vai?

    É a primeira vez que entro em seu blog e achei super interessante o registro do dia a dia, do cotidiano simples.

    Um abraço,

    J. Geraldo Padilha

  22. Gostei muito do trampo todo.
    O Anderson Barbosa tem trabalhos fantasticos sobre o tema.
    Acho que vcs ja viram… vale a pena.

    Salve!

    • Olá Márcio,

      Obrigado pelo comentário e pela dica. Interessante mesmo o trabalho do Anderson.

      Abraço!

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