FestFotoPoa – Oficina de Fotojornalismo e Multimídia

Com muito atraso, finalmente disponibilizamos por aqui o vídeo final da oficina de fotojornalismo e multimídia que demos no Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, o FestFotoPoa, em abril deste ano. Tivemos 19 participantes, que passaram uma semana discutindo, fotografando, gravando vídeo e áudio e editando esse material.

Como resultado, tivemos três peças multimídia, aqui agrupadas em um vídeo único. A primeira tratou dos caminhos que levavam cada pessoa ao festival todos os dias, um retrato sensorial de viagens individuais. A segunda peça buscou fazer um resumo do festival sob diversos olhares: os funcionários do Centro Cultural, as visões dos “estrangeiros”, a rua. O último grupo fez uma homenagem ao fotógrafo João Roberto Ripper, presente no festival, explorando também uma oficina de daguerreótipo que foi parte da programação.

Veja o vídeo abaixo. Na sequência, dois relatos de participantes da oficina.

Os de dentro, os de fora e os do centro
Ana Lira

Humanismo e realidade, fotografia e compromisso, tema principal da terceira edição do Fest Foto Poa, é o elo entre as histórias que fizeram parte do trabalho Os de dentro, os de fora e os do centro, que integra a cobertura audiovisual produzida pelos integrantes da oficina do Coletivo Garapa no festival.

Quando começamos a conversar sobre a linha mestra do trabalho, algumas idéias foram colocadas na roda, e logo percebemos que três delas se destacavam na preferência do grupo. A primeira era falar do festival, da fotografia e de seu papel social por meio das pessoas que trabalhavam dentro do edifício-sede do evento: o Centro Cultural Érico Veríssimo. As equipes de limpeza, segurança e manutenção têm um papel importante no funcionamento das atividades que ocorrem em qualquer espaço de eventos, mas, em geral, ficam invisíveis aos olhos dos visitantes.

O objetivo da primeira narrativa, então, era acompanhar o cotidiano dessas equipes e observar como elas interagiam com o festival e com a fotografia. Nesse processo, nós pudemos conhecer melhor o trabalho da faxineira Vanda Cunha, que aceitou de imediato a nossa companhia e colaborou bastante com o andamento das sessões de fotos e gravações; da atendente do café Monjolo, Marlene, para quem a fotografia é a “lembrança de um tempo que não volta mais”; da supervisora Cleusa Silveira que, quando vê as fotografias do próprio casamento, tem vontade de casar de véu e grinalda outra vez; e da equipe de segurança formada, entre outros, por Vinícius e Cleonir Flores, que nos colocaram diversas questões sobre a relação fotógrafo e fotografado. Relatos que mudaram a nossa perspectiva de interação com o evento.

A segunda proposta de rumo narrativo foi apresentada por fotógrafos de Porto Alegre, que queriam discutir as impressões dos colegas de fora acerca da cidade, do festival e das trocas que aconteceram no Centro Cultural Érico Veríssimo. Alguns deles, como o carioca Lucas Zappa e o recifense Alexandre Belém estavam chegando pela primeira vez à cidade. O sergipano Alejandro Zambrana estava se reconectando com Porto Alegre, depois de alguns anos sem visitar a capital gaúcha O mesmo acontecia com Ana Lira, que também participou da conversa com o grupo.

Essa turma representou todos aqueles que, morando em cidades e estados próximos ou não de Porto Alegre, se deslocaram para trocar idéias durante seis dias de Fest Foto. Esses relatos, então, trariam um outro ponto de vista do festival por meio da investigação das expectativas que “os de fora” nutriam a respeito da cidade e do festival, dos intercâmbios realizados e dos resultados que poderiam se desdobrar em futuros projetos individuais e coletivos dos participantes.

A terceira idéia era conversar com as pessoas que circulavam e trabalhavam no centro de Porto Alegre, local em que o evento foi realizado, e observar como elas se relacionavam com aquela área da cidade. O trabalho foi feito por uma equipe que uniu fotógrafos locais e de fora para que houvesse um diálogo mais amplo sobre o tema.

Durante a experiência, Lucas Zappa e Bianca Barbosa se aproximaram de trabalhadores da rua dos Andradas e colheram depoimentos e imagens que sintetizassem a relação deles com aquele ambiente. Os entrevistados ficavam todos os dias em pontos de grande circulação de pessoas, por serem vendedores de rua ou representantes comerciais, e vivenciavam mais do que qualquer participante do festival as vantagens e desvantagens de trabalhar no centro de uma capital. Um dos aspectos mais marcantes foi a maneira como eles ignorados pela maioria da população que sobe e desce as ruas apressada. A vendedora de fotografia 3×4 ganhou visibilidade porque estava sendo filmada. Na maioria das vezes, ela passa despercebida no meio da multidão entoando solitária o seu canto: fotooo…foooto…fotooo…

Depoimento
Fernando Krum

No nosso grupo, pensamos em criar uma peça contando o caminho que cada um de nós, participantes do Festfotopoa, fizemos até chegar ao ponto de encontro diário: a Casa de Cultura Erico Veríssimo, localizada no centro de Porto Alegre.

Com uma temática apontada, cada participante teve total liberdade para contar, à sua maneira, o cotidiano ao seu redor. Paisagens que encontramos diariamente e às vezes esquecemos, as pessoas que nos deparamos no caminho, os intervalos de espera entre uma condução e outra. Um exercício de ver o comum-corriqueiro com olhos curiosos e atentos.


P.S. garápico: Agradecemos a todos os participantes pela dedicação e pelas lições que aprendemos: Alejandro Zambrana, Alexandre Belém, Ana Lira, André Feltes, Bira Oliveira, Bianca Barbosa, Carmen Silva, Daniel Marenco, Eduardo Lima, Fabiano Scholl, Fernando Krum, Fernando Vieira, Gilberto Barroso, Jessé Giotti, Jefferson Coppola, Lucas Zappa, Ricardo Wolffenbuttel, Rogério Amaral e Tamires Kopp.

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