Esse post é só uma isca. O que importa nele é o que esperamos que surja logo abaixo, na caixa de comentários. A ideia é espalhar a pergunta a diversos grupos que se auto-denominam coletivos – sejam artísticos, ativistas, o que for. É uma pergunta que sempre nos fazem e que, dada a ausência (felizmente!) de uma definição “aurélica”, repassamos agora a outros. A proposta, enfim, é abrir uma reflexão sobre o trabalho em coletivo e as possibilidades que se abrem nessa perspectiva.
Nossa resposta (se é que há uma) também deve aparecer em algum momento, mas vamos deixar a conversa rolar antes.
Aos coletivos, fiquem à vontade para responder como quiserem. Elaborando um pouco a pergunta, queremos saber o que, na opinião de vocês, os torna coletivos – quais as aspirações e motivações, como isso se reflete no cotidiano, no modus operandis etc.
OK? Agradecemos desde já.








Isso é praticamente uma pergunta de projeto de mestrado.
Okay, mas vamos pensar juntos no conceito.. Vamos pensar coletivamente :)
Vou falar o q vejo na proposta Coletivo. Uma imensa oportunidade de unir cabeças que observam, pensam e atuam de formas diferentes, onde cada um colabora com o seu conhecimento para um resultado final completo.
Oi Dani! É que não quis mencionar possíveis razões ocultas para a pergunta… :)
Coletivo é um espaço para prazer. E prazer de verdade só se consegue com mais de uma pessoa. Trocando em miúdos, São pessoas que se reúnem pra fazer qualquer coisa que lhes dê prazer.
heterogênese e multidão de subjetividades… vale ver e ler o sinhô Jean Oury:
"O Coletivo", Jean Oury http://bit.ly/5nWwyw
"Jean Oury: Toda criação verdadeira é um processo de auto-constituição" http://bit.ly/7wky2D
parecem ótimas as referências de Oury… já to revendo o vídeo pra desenferrujar o francês e procurando trechos do coletivo na rede!
Porque duas cabeças pensam melhor do que uma! Quem dirá 3, 4…
Porque ninguém é auto-suficiente! estão começando a redescobrir isso.
Coletivo! Uma oportunidade única de avaliarmos o individualismo tão presente nos tempos de hoje de modo a resgatarmos o espirito de união e propostas que apresentem soluções e caminhos para produção em grupo. Acreditando que num futuro não muito distante o COLETIVO pensado como real possibilidade de expressão e produção em grupo viabilize o crescimento de redes sociais. Para isso espero que a febre do COLETIVO multimídia que vem dominando as cabeças de vários grupos que se denominam coletivos e saem produzido com uma câmera na mão e um copydesk na cabeça seja somente uma febre que passará. Aos que sobreviverem com os anos que não se tornem um "coletivo individual".
"Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade". Raul Seixas
Em química existe o efeito sinérgico. Acho que se aplica a coletivos. Aqui vai a definição: Quando o efeito dos esforços combinados de diversos agentes é maior do que a soma dos esforços individuais.
Indo um pouco mais além, penso que estamos em um momento: os indivíduos (re)descobriram como trabalhar coletiva e colaborativamente. Me parece que o próximo passo natural é transportar essa sinergia e colaboracionismo à esfera intercoletiva, se perdoam o neologismo.
Não faço parte de um coletivo (e ainda tô no estágio de estudante de fotografia), mas queria participar do bate-papo por aqui:
Me parece muito claro, básico como o ditado "duas cabeças pensam melhor…", que um trabalho pensado coletivamente só tem a ganhar. Mesmo sendo a fotografia, como já ouvi muito, um ato "essencialmente" pessoal, creio que o fator "antes de fotografar" de um trabalho, o pensar e discutir ideias para um projeto, seja enriquecido enormemente se feito coletivamente.
Mas claro, há opiniões contrárias e eu queria citar a carta do Flávio Damm, na minha opinião um tanto áspera sobre a questão dos coletivos, publicada na Photo Magazine que saiu semana passada (edição 29), em que ele comenta a matéria sobre a Cia de Foto publicada na edição anterior, e diz no último parágrafo:
"Desejo por antecipação que, quando eles se desentenderem, sobreviva do grupo, pelo menos, um bom fotógrafo, maduro e criativo, pensando com a própria cabeça. E responsável, se for possível, assinando o que criar. Dedico a esses jovens bem-intencionados a frase: 'Panela que muitos mexem fica insossa ou sai salgada'. Autora: a minha cozinheira"
Na verdade me parece que a birra com a opção por um coletivo sempre cai para o problema da autoria, da assinatura. Principalmente para fotógrafos de longa data, que lutaram pelo crédito, pelo direito de autoria em fotografias publicadas. Mesmo assim, e respeitando a opinião do Flávio Damm, acredito que há também um pouquinho de falta de força de vontade de algumas dessas pessoas mais velhas em parar pra pensar nos benefícios de um trabalho coletivo…
Oi Fábio, bom ter teu comentário por aqui.
Sobre o Damm, que não conheço pessoalmente, só queria fazer uma colocação simples.
Quando fotografava pro Guia da Folha, o fazia de forma individual. Tenho dezenas de exemplares de fotos de lasanhas, todas asssinadas por Leo Caobelli.
Hj, parte de um coletivo, tenho dezenas de ensaios com a assinatura Garapa – um deles selecionado pelo PHE onde estivemos ontem fazendo leituras de portfólio. Tenho certeza que minhas fotos de lasanha não teriam sido escolhidas para uma leitura internacional como foi ontem com o PHE. Logo, por lógica, pode-se entender que minha fotografia é muito mais autoral hoje em coletivo do que nas lasanhas individuais e não preciso da minha cozinheira pra enxergar isso! :D
Faço parte de um coletivo que nasceu de um erro jurídico e hoje passa por um processo de estruturação.
Interessante pensar que problemas apontados pelo Garapa/Cia e outros coletivos que se manifestam pro ai, se repetem tanto internamente dentro do coletivo, quanto com as relação com clientes. Um revista interna X, relutou muito a dar o crédito só com o nome do coletivo "São padrões da revista", mesmo previamente sabendo que trabalhamos assim.
Creio que a coletividade coloca ao chão o ser misterioso criado nas últimas décadas "O fotógrafo Super Man", o visão de deus.
Onipotente e que se prepara para a cena segundos após chegar nela e decide onde fará o seu grande clique.
Quando se trabalha em 2 nos esforçamos para que as personalidades e qualidades se somam e não se dividam.
Sinceramente trabalhar coletivamente é uma nova escolha
Há alguns anos tinha a visão "Vou entrar pra revista/jornal, publicar um tempo, "aprender" bastante e seguir minha vida de freelance"
Hoje mudou para as seguintes aspas "Vou desenvolver meu ato fotográfico, minha pós produção, meu pensamento fotográfico e produzir conteúdos do nosso interesse"
como disse o Fábio Messias falta força de vontade para ver os benefícios de um trabalho coletivo
Pra finalizar creio o coletivo é mais importante para aqueles que estão dentro dele do que para a sua volta.
Nao, nao falta forca de vontade. Falta respeito por parte de alguns que se acham acima do bem e do mal. Se a mesma "dificuldade" fosse vista por ambas as partes como uma oportunidade de aprendizado, ficaria menos dolorido para todos, grupos e individuos.
Coletivo ? Pois todos querem ser a CIA DE FOTO.
Garapa, tomem vergonha na cara desenvolvem uma linguagem fotografica própria, pois os temas fotografados por vcs são bem mais interessantes e instigantes que os da CIA.
Ao invés de ficarem olhando a grama verde do vizinho, cuidem da grama de vcs que ainda está germinando.
Roberto, acho que o Rodrigo te mandou uma mensagem pessoal, mas faço questão de responder publicamente uma manifestão que se faz em um canal igualmente aberto ao público.
Não é nossa pretensão ser a Cia de foto. Os caras tem 6, 7 anos de história nas costas e como tu bem lembrou, nossa grama está recém germinando… nem dois anos de plantação ainda!
Porém faz parte dessa trajetória a busca por uma linguagem própria, desenvolvimento de temas, aprofundamento de conteúdos e grife-se busca por pensarmos que essa é uma constante e não uma fórmula que se desenvolve e nos aprisiona.
Lembro de uma passagem em que o compositor e pianista Philip Glass fala um pouco sobre a ansiedade juvenil: "Não entendo jovens com menos de 30 anos falando em MEU estilo, MINHA linguagem, MINHA estética – tenho mais de 60 anos e ainda me surpreendo com o que faço". Creio que na Garapa queremos ser assim, abertos a surpresas, desafios, novidades e então, por hora, nos é suficiente trilhar esse caminho, com mais interrogações do que exclamações e muitas reticências para pausa e reflexão.
Não somos, entretanto, tão abertos a rancores, agressões, e acusações que não sejam uma tentativa de diálogo construtivo, colaborativo. Dai vem esse post e nossa busca pelo entendimento do coletivo em sua pluralidade, seja ele fotográfico ou não. Assim nos conectamos com a Cia, com o Pandora, com o Sub, IZ, Coletivo da Maré e diversos outros processos de colaboração coletiva. É natural que vc desconheça essa pluralidade e lhe venha à cabeça a relação exclusiva com a Cia… mas aos poucos os interessados vão buscando informações e chegando a um universo mais amplo de referência e pesquisa.
Tenho um amigo que costumava usar uma máxima interessante: "Tem gente que conhece o mundo pelo olho mágico do apartamento". Não podemos nos deixar cair nessa armadilha de conceitos pré-estabelecidos, ainda mais quando, de dentro desse apartamento mesmo, nos são possíveis tantas informações e debates como este mesmo que aqui falamos.
Fica o convite para visitar a Garapa e discutir isso tudo entre copos de cerveja!
Penso que em algum ponto, o esquema pessoa jurídica perante ao mercado, é muito mais bem recebido. Uma empresa de fotografia frente às empresas, é muito mais vantajoso e descomplicado que trabalhar com uma pessoa física, implica em menos relação pessoal.
Por outro lado, penso que as pessoas, neste momento de mundo que estamos vivendo, estão entendendo que esse individualismo tão defendido nos últimos tempos, não pode levar o ser humano a lugar nenhum. Nunca andamos sozinhos e isso é brigar contra a própria natureza.
Chegando ao ponto dos coletivos, acredito que as duas cituações descritas se encaixem, tanto é uma necessidade de mercado quanto de "ser humano" agora acredito que deve-se levar muito em consideração alguns fatores a mais quando a questão é um coletivo fotográfico.
O por que dessa necessidade, vem desde as crises que obrigaram as pessoas a dividirem espaços, tornando questões como custos um tanto mais viáveis, possibilitando que várioas projetos se desenvolvam e à partir daí começam a nascer novas linguagens, novas formas, novos movimentos, etc.
Não sei o que veio primeiro, não sei o que nasceu do que, deixo aqui também questões a serem pensadas e discutidas.
Acho que já temos aqui (nos comentario acima) um ponto base: Coletivismo sempre existiu e, por mais que se desenvolva uma sociedade individualista, tudo o que vc faz, come, bebe e usufrui é fruto de um processo coletivo. Somos seres sociais e não águias solitárias à espreita de uma presa… Se a fotografia reflete o mundo que à cerca (mesmo sendo um espelho muito distorcido), então talvez estejamos reconhecendo na nossa labuta um primeiro esforço da humanidade para reverter um processo que se desenvolve à dois séculos.
Acho que devemos reconhecer que ser "coletivo" está na Moda, o que não justifica posturas rancorosas e egocêntricas como o exemplo do Roberto Ávila. Pelo contrário… A época em que o Jazz se misturou com o pop e difundiu-se largamente (entrando na moda e no mundo comercial) foi também a época em que se desenvolveu mais enquanto música/arte, criando gênios revolucionários como Dizzy Gillespie (para citar um só). No Brasil, o coletivismo fotográfico já data de décadas, com as agências e cooperativas fotográficas e suas propostas politico-sociais bem elaboradas. Nós (digo, os fotógrafos do presente) estamos colhendo frutos plantados lá atrás, e o coletivismo é um desses frutos. Temos uma certa obrigação de utilizar essa chance para reinventar ou reposicionar o papel da fotografia na sociedade…
O que é e o por que de coletivos eu não sei… mas está aí, temos que pensar e usufruir dessa possibilidade… e esse espaço aqui é justamente um exercício nesse sentido… Valeu garapada!
Bom…
Estou comecando a achar que aquilo que sempre foi feito apenas mudou de nome, trocou de roupa, e se transformou em novidade de novo.
Antes que me acusem de velho egoista, o que foi mais ou menos o que o Flavio Damm teve que ouvir ali em cima, digo que trabalhos pensados, elaborados e finalizados coletivamente sao em minha humilde opiniao sempre recompensadores.
Nao é isso que o cinema sempre fez?
Mas aí vem o Roberto, e de uma forma nada elegante me faz refletir…
Será que o sucesso de um coletivo nao influencia os outros (leia-se: emperra, atrasa)?
Será que um grupo tem que obrigatoriamente desenvolver uma linguagem fotográfica coletiva?
Será que "abandonar o individualismo em prol do coletivo" nao é uma ideia meio antiguinha em 2010?
Será que grupos trabalhando juntos precisam se chamar de coletivos para serem reconhecidos como tal?
E finalmente, essa semantica tem alguma importancia?
Foi o que o cinema sempre fez. O que nós fazemos ao morar em condominios. Ao estruturar uma associação.
Agora a semantica e a nomenclatura não fazem diferença (no nosso caso). O que realmente conta é o processo.
É como uma agência onde todos são editores, assistentes, antedimento, fotografos, pauteiros, contabilidade, pós produtores, etc.
Quanto a linguagem acredito que é um caminho pessoal, querer desenvolver e evoluir o nivel da sua própia fotografia.
Porém em grupo se tem segundas opniões sobre o quão relevante é o seu pensamento fotográfico.
Acho a idéia atual e o "modismo" dos coletivos insita o debate e evolui a idéia.
Clicio te rebato a seguinte pergunta
Um fotógrafo que atue sozinho não tem as mesmas responsabilidades de um coletivo?
Ora, claro que sim!
Por isso colocar de modo reducionista a questão como "coletivos versus individuos" me parece bastante imaturo, primário e fora de foco.
Não há porque dizer que "se não é um coletivo, é passado". Isso é pura idiotice. Há diversos caminhos, nomes, e todos podem (e devem) produzir com consciência e responsabilidade.
Não gostaria, mas vou me citar como exemplo. Trabalhei durante 10 anos em um estúdio na Cardoso de Melo que era um…grupo de fotógrafos unidos que dividia o espaço e opinava /interferia no trabalho dos outros. Cláudia jaguaribe. Iroã Zwicker. Luciano Mello. Vladimir Fernandes. Hildo Moura. Arnaldo Martins.
Não, não chamávamos de "coletivo", mas muitas das decisões eram coletivas.
Tá tudo certo… Só questiono a "novidade", pois não é nenhuma novidade.
My two cents…
A "novidade" só existe porque tem tanta gente se sentindo incomodada com uma coisa tão antiga quanto trabalhar em conjunto!
A única coisa que me chateia, de verdade, é que nenhum dos coletivos que conheço diz que trabalhar individual é uma coisa absurda, desrespeitosa, indigna. Cada um faz seu caminho e isso basta.
É estranho ser crucificado como se agridíssemos alguém só por escolher um outro caminho.
Vou pedir para que a discriminação de coletivos tb seja crime! hahahahaha :D
Amigos, amigas, saudações rubro-negras (e o jogo nem começou!!!! que risco!!!!)
Bom, eu ando marcando minhas posições nessa discussão de coletivos sempre que acho que está se instalando a dualidade coletivos x fotógrafo sozinho. Recentemente, no Espírito Santo, uma mesa de debates chegou a se chamar Coletivos x Individualismo, como se um fotógrafo que não trabalha em grupo, coletivo e etc. seja necessariamente um individualista, com a carga de pré-conceitos que este termo possui. Escrevi para a coordenação do evento e recebi como resposta algo próximo da galhofa. Não sei, com exceção dessa carta do Flávio Damm (que eu desconhecia) de nenhuma campanha de nenhum fotógrafo contra os coletivos fotográficos. Mas a recíproca é verdadeira e até já se começam a cunhar adjetivos, Fotógrafo Super Man, Herói individualista, Herói solitário….Porque não pode ser Coletivos & Fotógrafos sozinhos? Quem está contra quem? Sinceramente eu gostaria de saber quem está contra mim pra eu conhecer pessoalmente, fazer um carinho, trocar umas idéias, etc. Sou dessa "velha guarda" que anda sendo tratada como portadores de uma linguagem superada, mas atribuo isso ao mesmo frescor de juventude que eu tinha aos 25 anos e se eu me irritar com isso significa que continuo com 25 e não os 52 atuais. Claro que não vou perder 25 anos assim tolamente. Não vou entrar na questão da linguagem fotográfica porque isso é melhor de ser feito numa mesa de bar porque vamos ter que abrir muitas garrafas. Mas Leo, na ânsia de defender o coletivo, você que é tão lúcido, cometeu um pequeno deslize de enunciado. Dizer que enquanto você trabalhava para a Folha, seu arquivo era só de lasanhas e você não tinha um trabalho autoral por isso e que seu trabalho autoral só se desenvolveu no Garapa é cometer algumas injustiças e induzir as pessoas a pensar que só no coletivo seu trabalho autoral seria desenvolvido. Você não tinha uma linguagem autoral antes por suas próprias contradições internas, nada a ver Folha x Garapa. Se hoje você desenvolveu um trabalho mais autoral foi porque VOCÊ quis e desenvolveu. Se trabalhar em coletivo foi importante, fundamental ou crasso, escolha a intensidade da importância, é outra história. Se você não fosse Leo Caobelli, não ia ter coletivo que funcionasse na sua autoralidade. E te lanço um desafio. Faça agora um trabalho autoral sobre lasanhas para mostrar a você mesmo e depois a nós todos a diferença entre o Leo Folha e o Leo Garapa. Não tome isso como uma questão pessoal mas te afirmo que o que resultar hoje desse desafio poderia ter sido feito na Folha dos bons/maus tempos.
E desculpem a franqueza, mas sim, ser coletivo está na moda assim como nos anos 80 as empresas preferiam trabalhar com agências do que com freelas pela simples razão que as agências estavam sempre em condições de atender a uma empresa ao passo que um freela podia furar por falta de estrutura individual ou capacidade física de fazer 300 trabalhos por semana. O que há de novo além do aspecto da estrutura é a busca por uma linguagem fotográfica propiciada pelas novas tecnologias e o fato de que coletivos como a Cia questionam a autoralidade. Desculpem mas é só essa diferença(claro que não é pouco). Claro que existem outras questões – e que também não vou me aprofundar pelo menos por agora pois quero ver o mengão – uma delas eu questionei a Cia no Paraty em Foco – o cuidado necessário quando se trata de fotografia de informação, mas no fundamental é isso. E eu quero mais é que vocês criem um milhão de coletivos bem sucedidos, sejam felizes, criem suas famílias e tratem a fotografia como algo gostoso. E se der, por favor deixem eu fazer meu trabalhinho aqui, sozinho. Não estou incomodando ninguém. Tô na minha. Um abraço, beijos e MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
p.s. Vocês acham que o trabalho do Salgado é um trabalho de um individualista? Perguntem a ele para ver a resposta.
Oi Carlos!
Sabe pq citei a Folha na questão da autoralidade x lasanha?
Pq com 3 pautas diárias, plantões de 10 horas na porta de delegacias e 2 finais de semana por mês esperando que algo acontecesse dentro da redação, não tinha tanto tempo como tenho agora para pensar a MINHA fotografia.
Sim, ela é tb uma fotografia individual, idiossincrásica e, por consenso, coletiva.
Tem muito fotógrafo da Folha que é autoral, João Wainer não me deixa negar isso!
Mas eu não consegui. E aqui cabe algo pessoal, individual.
Decobri a fotografia na faculdade com os professores e tutores Fernando Schmitt e Jaqueline Jonner.
Logo se criou o grupo de foto da PucRS, o Camera Lucida – do qual fiz parte.
Por tb ser músico, sempre fiz parte de bandar… ou seja, pra mim a coisa sempre funcionou melhor em coletivo.
Tem gente que prefere fazer sozinho.
É lida, maneiro, jeito.
Melhor ter todos os pontos de vistas possíveis do que massificar um modo de operação fotográfica! Nisso todos concordamos, ou não?
Abs
Perdão, mas não sabia que a questão ainda está tão viva. Esse clima de uns contra outros me entedia um pouco.
Fui ingênuo nas minhas primeiras respostas, pois não sabia que ia dar nisso.
Tentando desmistificar um pouco: pessoas podem ter trabalhos individuais mesmo participando de coletivos. É só uma questão de fazer mais e falar menos.
Pra simplificar a coisa toda, aí vai minha resposta definitiva: "porque sim. por que não?"
Concordo plenamente Carlos Pêra.
abs
Carlos Carvalho
Somos dois Carlos!
E acho que a máxima do fazer mais e falar menos é ótima.
Pra contibuir colaborativamente, Mari – minha esposa – acaba de falar aqui do lado: "divisão de trabalho, multiplicação de idéias" – boa definição de coletivo!
Abs
Somos três então.
Aliás, vou parar de postar que tenho fotos para importar, e o Lightroom me espera.
Bom, digamos que a prosa tomou um rumo bem distinto do objetivo original da pergunta, direcionada, a princípio, aos próprios coletivos (e não apenas aos de fotografia). A palavra 'coletivo' foi colocada entre aspas justamente para que os grupos respondessem o que os define como tal. Não é nosso objetivo defender ou condenar qualquer modelo de organização, pelo contrário. Viva a diversidade!
Portanto, na tentativa de sair do maniqueísmo que (não sei por que motivo) costuma aparecer nessa discussão, resolvi anotar alguns pontos que, na minha opinião, justificam a nossa opção pelo coletivo.
1. Do nosso trabalho, tudo aquilo que é coletivo por excelência passa pelo crivo dos três, sem hierarquia. Ou seja, todo trabalho é resultado de um intenso processo de elaboração coletiva, um intenso triálogo que, acreditamos, só nos faz crescer. Isso não impede que tenhamos projetos pessoais, que também acabam crescendo em consistência a partir da contribuição do grupo.
2. Toda a grana é dividida em partes iguais.
3. Sozinhos, nunca teríamos produzido tanto e com tanta disposição. A própria dinâmica de cobranças mútuas faz com que o trabalho aconteça.
4. Ao contrário do que alguns sugerem, ninguém se anula no coletivo. Um trabalho coletivo reflete a dinâmica do grupo. Um trabalho pessoal reflete questões individuais. Ambos coexistem.
Acho que, basicamente, é isso. Mais uma vez, lembro que, se está na moda ou não, tanto faz; bons trabalhos serão reconhecidos sendo eles coletivos, individuais, anônimos… talvez o coletivo tenha sido uma forma de compensarmos as nossas fraquezas (por que não?). De qualquer forma, foi uma opção, que pode servir a uns e não a outros. Para nós, até agora, foi a melhor opção que já fizemos na carreira.
Gostaríamos muito de saber como funcionam e o que motiva outros coletivos pelo mundo afora.
Nossa, vou perder 10 minutos do meu domingo ressacoso nessa discussão que também já me cansou completamente!
Concordo com quem fala que não tem o menor cabimento tentar colocar em termos de "melhor" ou "pior" trabalhar com coletivo ou não. Gente, pela centésima vez: cada um sabe o que é melhor pra si… Cada grupo ou indivíduo tem o direito (ou dever) de organizar e realizar seu trabalho da maneira que lhe for mais adequado. Caraca, não tem cooperativa de catador de lixo? Não tem catador de lixo "independente"? Alguém já viu catadores de lixo discutindo e divergindo em torno do tema?! Então, qual é o dilema afinal?!
Tem trabalho bom de fotografia no Brasil pra cacete nos dias de hoje. Tem trabalho bom de coletivo, tem trabalho bom de fotógrafos solo, tem trabalho bom de gente que trabalha em jornal, de gente que não trabalha em jornal… Tem trabalho bom de fotografia de gente que nem fotógrafo profissional é!
Agora, pra onde nos leva essa discussão? É punheta intelectual a parada?? Quando parece que estamos entrando num acordo começa tudo outra vez… Por Diooooosss!! heheheh
Clício, concordo contigo: a estória não é nova mesmo! Você deu um exemplo, temos outro na Casa da Rufino em Fortaleza, que na década de 70 (ou 80… o Ed me mata!!) foi uma espécie de coletivo fotográfico que trabalhava de uma maneira bastante parecida com a que a gente trabalha hj na Garapa (talvez até um pouco mais radical!). Isso sem pensar em movimentos musicais, literários, artísticos… Não tem realmente NADA de novo nisso… Então não deve ter crise mesmo, né não?!?
Novamente, acho que a gente tá vivendo um momento especial para a produção fotográfica neste país. Ontem, por exemplo, nas leituras de portifólio do PHE tinha mais brasileiro que qualquer outra nacionalidade. Todos grandes fotógrafos, independentemente de trabalharem "coletivamente" ou "individualmente". Todos muito generosos, com um comportamento de troca de conhecimento valoroso e bonito… Todos amigos, conhecidos, companheiros de discussões conceituais e de bobagens de mesa de bar. Não tô nem aí se o Breno assina Breno ou Rota (não resisti `a piada, Brenos!!), se o Castilho trabalha sozinho ou se desenvolve projetos com o Pedro David e o Pedro Motta, se a CIA assina Pio, Rafa, João ou Carol… O que me admira é ver aquele monte de trabalho lindo sendo produzido e oferecido pro mundo… Aquele monte de gente vivendo do que e para o que ama fazer.
No final da noite de ontem, na qual levamos os estrangeiros da leitura de portifólio para uma festinha de confraternização, a Dafne, fotógrafa argentina, me confessou estar surpresa com a maneira como foi recebida pelos brasileiros do "encontro"(os coletivos e os não coletivos!!!). Surpresa com o carinho que temos uns pelos outros e pela disposição em trabalhar em conjunto, em dividir e cuidar deles (os estrangeiros) e uns dos outros. Isso pra mim é o porque de ser "coletivo"…
Falei!
Bjos a todos
Rodrigo
Mengoooooooooooooooooooooooooooooo!!!!! o maior coletivo do Brasillllllllllllllzilll zilll zillll!!!!!! (foi meio vergonhoso, mas tudo bem né galera!!!)
Paulo, assino em baixo, rodrigo, assino em baixo….beijos e abraços!!
"Talvez o coletivo tenha sido uma forma de compensarmos as nossas fraquezas"
Paulo,
Acho que essa sua frase resume bastante o que penso de um coletivo.
Receber os louros de um trabalho solo pode fazer bem ao ego… o ruim é comemorar no boteco sozinho.
Abraços
Gente,
nós vivemos em coletividade. Passamos toda a nossa vida, construindo, desconstruindo, reconfigurando, criando estratégias. Tudo para nos relacionarmos da forma mais viva com o mundo. O trabalho, pensamento, produção, enfim, vida em coletivo, é apenas uma extensão do que somos: pessoas em relacionamento constante com o mundo em que vivemos. Faço parte de um coletivo aqui em Aracaju, estamos começando mesmo, ainda quebrando um tantão a cabeça pra sentirmos o funcionamento desse organismo vivo que escolhemos trabalhar juntos: Trotamundos Coletivo.
Posso dizer que, com certeza, é um trabalho hercúleo constante, mas dividir/multiplicar esforços/resutados sempre nos traz uma sensação muito boa na construção dos nossos projetos.
Vida longa ao Garapa, por suas espetadas no lugar-comum.
abração
Zak
Saudações!
Tenho uma sugestão bibliográfica:
"A emoção e a regra", de Domenico de Masi.
São estudos sobre importantes COLETIVOS dos séculos XIX e XX, nos EUA e Europa. Esse link http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1998_AR... apresenta um bom texto sobre o livro. São vários Coletivos (Bauhaus, Dr Manhattan, Estação Zoológica de Nápoles, etc).
Quem não quiser comprar novo tem UM COLETIVO DE SEBOS, o Estante Virtual: http://www.estantevirtual.com.br/ , geralmente com preços BEM MAIS em conta.
GRANDE abraço!
André Teixeira
Se é coletivo ou individual, o mais importante de tudo é a obra realizada. Ora, uma obra pode ser realizada por várias mãos, mas ter uma pessoa no comando (no caso de um diretor de cinema, pro exemplo) que vai assinar, assumir a autoria. Mesmo um fotógrafo pode clicar auxiliado por diretores de arte, assistentes, tratadores de imagem, e considerar que a imagem é dele, pois ele foi o coordenador do processo.
Agora, se é uma criação coletiva de fato, onde pessoas terão peso igual na criação e realização, não vejo nenhum problema em assinar em nome do coletivo. Creio que cada membro do coletivo deve pesar essa decisão individualmente (contradição!). Num futuro próximo, caso algum deles siga outro caminho, ele irá mostrar os trabalhos em seus portfólio e dizer que foi responsável por 1/3 daquela imagem? Isso pode gerar um problema?
Acho que um caso a ser pensado é caso os coletivos comecem a virar marcas, grifes, e não realizadores de obras. Deixar a autoria de lado em detrimento de uma marca de empresa, isso sim é andar pra trás. Não acho que seja o caso do Garapa.
O caminho do Garapa é uma caminho ousado, interessante. Com tanta produção em tão pouco tempo, tenho certeza que está valendo a pena para os envolvidos.
Um abraço,
Leo Drumond
um formigueiro é algo que só acontece em coletivo
uma fauna, uma constelação são coletivos
um organismo humano é coletivo
uma sala de aula é coletiva
uma equipe de cinema é um empreendimento coletivo
uma banda de música é coletiva
o teatro é feito em coletivo
a semana de arte moderna de 1922
conceito esse que não anula a singularidade do autor
a autoria está presente em cada acontecimento coletivo
o que tem de específico é a função que cada parte ocupa no todo coletivo
a modernidade nos emancipou dos absolutismos comunais
o indivíduo ganhou posse de suas criações
tornou apto o labor de seus sentidos
se ser coletivo é assinar algo de modo coletivo
deparamo-nos assim com uma lacuna
a inexistência do autor
a autoria deveria ser, portanto, coletiva?
parece que
Pegando carona no Zak e reafimrando o que disse anteriormente, é isso ! É só uma extensão do que já somos e por algum desvio de momento de mundo, foi apagado, graças a super-produção da individualidade implantada em nossa geração, o que está acontencendo é uma revolução ! todo mundo cansado de ver que o tal individualismo não rola. Não digo aqui que o fotógrafo que ando solo esteja descartado, mesmo este, depende de algumas mãos a mais – geralmente – para concluir suas obras, estejam elas na categoria que for. Estendo aqui o pensamento neste seguimento para salientar que todo conhecimento é único, cada qual possui o seu e o que nos torna coletivos é a união destes conhecimentos todos na construção de algo comum.
Pensando em outras circunstâncias, também não acho legal essa moda de coletivos sem propósitos, tudo bem que pode ser uma tendência de mundo que escorreu para o mercado – consequentemente e praticamente óbvio – mas acredito que seja preciso pensar no que se está fazendo, oque se está construindo e não somente se usar de um certo modismo, que deixo bem claro e sem rasgação, que não acho que seja o caso do Garapa e muito menos da Cia de Foto. Os vejo como pioneiros no que fazem. Já são a revolução acontecendo frente aos nossos olhos !
Eu sinto falta de um coletivo pra mim!
Gosto muito dessa ideia de coletivo, e na minha opinião o trabalho fica muito mais completo e muito mais dinâmico. Hoje eu trabalho 24hs dentro de um coletivo e posso afirmar que tenho crescido muito e aprendido muito dentro do COLETIVO.