Editar um ensaio fotográfico é sempre uma tarefa difícil de executar, às vezes até dolorosa. Multiplique a tensão por três (no nosso caso) e você terá uma ideia do que é editar em um coletivo. Se no processo de captação o diálogo é conceitual, propositivo, na hora da edição é que vem o verdadeiro exercício de coletividade. Quando a proposta é criar um ensaio coeso envolvendo três visões que podem ser parecidas, mas nunca iguais, é preciso avaliar muito bem as posições do indivíduo e do coletivo – até onde vão os limites de um e de outro – e é aí que o papo esquenta.
O bom é que esse processo é sempre construtivo – pelo menos no nosso caso, felizmente. O ensaio, no final, reflete não apenas as pontas do triângulo, mas a sua superfície – ou seja, o diálogo entre os três.
Tudo isso para dizer que estamos no processo de edição do trabalho que levaremos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, que acontece em Madri no mês de maio. Decidimos dar sequência a um trabalho que iniciamos no ano passado, sobre o muro que foi construído na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro. Na verdade, decidimos reiniciar o trabalho em uma nova proposta, trabalhando e experimentando com formatos analógicos (bem variados, por sinal).
O trabalho ainda não está finalizado – colocamos as fotos na parede e estamos “namorando” a proposta de montagem. Publicaremos aqui quando estiver tudo pronto. Por enquanto, como diria Pedro Bial, é só uma espiadinha.










Que bacana, meninos! Esta idéia do muro merece mesmo algo 'maior´. Boa sorte.
Garapas,
fiquei muitíssimo curioso pra ver o resultado no formato analógico, pra me inspirar.
Muitos sucessos e Axés.
Muito bom!
Aqui estamos descobrindo o editar coletivo.. realmente, é uma tarefa muito construtiva e de saber medir-se.
espero pra ver o resultado!
Pela "espiadinha", nota-se que será um ensaio fantástico. Parabéns rapazes.
Dá-lhe!!!
bjoooo
E no fim a edição ficou ainda menor. Haja desapego! ;) Em breve publicaremos o ensaio aqui.
uma pergunta: vocês usam aquela tinta metalizada pra poder grudar as coisas com imã na parede? sabem se rola?
Oi Rafael, na verdade, usamos uma massinha adesiva da Pritt chamada Multi-Tak. É bem mais fácil de trabalhar do que tinta metalizada e ímãs.
Ei garapas, este processo pictures on the wall é meu jeito de editar muitas vezes… adoraria ir aí dar uns pitacos nessa história se vcs aceitarem um bicão!!!
abracos,
Eder
posso roubar esse post?! alôca!
opa, poder pode, mas a gente tá preparando outro :)
loviá!
[...] site do encontro e nos sites dos coletivos participantes. De nossa parte, já concluímos a edição do ensaio sobre o muro do morro Santa Marta, e em breve publicaremos aqui, mas temos algumas novidades que [...]
Oi, ontém li este post e a noite estava lendo um certo livro, vou transcrever uma passagem pra vcs: "Dessa vez, ele recorta um por um os negativos que pretende conservar, fazendo no calor do momento um exercício de auto-crítica sem a mais ínfima condescendência. Três quartos do que ele examina são descartados. Sua triagem é feita a olho nu, mais instintiva do que nunca. Mas seu julgamento é irrevogável, pois os negativos descartados vão imediatamente para o lixo. Os escolhidos são colocados numa lata de biscoito Huntley and Palmer e entregues a seu pai, que tem o reflexo de guardá-los em segurança num cofre de banco." O livro é Cartier-Bresson, o olhar do século, de Pierre Assouline. O contexto deste momento é a segunda guerra invadindo a França… logo mais HCB será o prisioneiro de guerra KG 845, por 3 anos. Bom trabalho pessoal, o coletivo de vcs é muito legal!!!
Olá !
Sou uma inconformista, naõ aceito nem um lado nem outro, antes de algumas respostas…
Um muro é realmente bastante simbólico enquanto "apartheid". Mas em um país como o nosso, onde as leis não são respeitadas por não existir justiça…
Como defender a natureza ( a Amazônia é um bom exemplo do desrespeito) e a própria vida dessas pessoas ao residirem em áreas de risco ?
Será que um " bom tema" vale mais que a vida e a conservação do meio ambiente ?
Evidentemente que meu "pensamento crítico" também coloca a escolha do " bom tema" muito válida, como uma forma de "questionamento" e de debate.
Até onde o "visual" é mais importante que o "real" (?)