Um pouco antes de viajarmos para a Espanha, caiu nas nossas mãos a oportunidade de editar um material pesadíssimo, e muito importante, sobre a Cracolândia, região de São Paulo que não tem limites geográficos estritos, mas que é conhecida por toda a população da cidade. O conteúdo foi todo produzido pelos repórteres Fernando Donasci e Paulo Whitaker, da agência Reuters. A nosso cargo ficou a edição da peça abaixo, realizada em parceria com os dois fotógrafos.
Vejam o vídeo e o relato de Paulo Whitaker no site da Reuters.
Abaixo, o vídeo em português, distribuído sob licença Creative Commons:








Bastante bacana, curto bem da montagem de foto/vídeo que vocês fazem, dá uma bela mescla narrativa.
Alguns pontos construtivos que não sei se são direcionados à Garapa ou Reuters:
- a música no final fica dramática demais, um pouco apelativa
- "os habitantes de São Paulo são obrigados a conviver com os usuários de crack" é foda, quéisso, solicito olhar mais humano aqui. O argumento leva ao higienismo de remover usuários para que os habitantes não sejam mais obrigados a conviver com essa miséria humana e tácabado. Já pensaram na desgraça que deve ser pra um usuário ser obrigado a conviver com os habitantes de São Paulo?
- faltou depoimentos de usuários
Garapas, o que lhes coube foi a edição, sim? É a melhor parte da peça. Ficou foda.
com abraços,
Fala Breno,
Só pra esclarecer, realmente o nosso trabalho foi só de edição – o conteúdo foi produzido pelos dois repórteres da Reuters. Outro detalhe é que a edição foi feita muito rapidamente, por diversas questões, o que com certeza se reflete no resultado. Acho mesmo que a cracolândia merece um trabalho aprofundado, de longo prazo, mas aí são outros 500, ou até mais. E conseguir dinheiro pra esse tipo de trabalho não costuma ser tarefa fácil.
Obrigado pelos comentários!
Abraço.
Breno,
Concordo em número, gênero e grau!
Poxa, "…obrigados a conviver com os usuários de crack…", sacanagem, essas pessoas são fruto de um problema social que a cidade dá as costas. O vídeo ia muito bem, tocante, indignante, conscientizador para o problema social que atinge essas pessoas. Essa frase no final vai na contra-mão da preocupação com as pessoas e parte para um lado oposto, quase facista. Desmerece todo o trabalho.
Temos que inverter essa mentalidade de que eles são "problema" da cidade, uma vez que a cidade, o sistema e a falta de empatia dos cidadãos querendo varrer pra de baixo do tapete essas pessoas é que gera essa miséria e o total descaso humanitário!
Produção impecável, estética legal, vídeo fantástico, mas não envio para frente.
Com todo o respeito!
Abraços
tem uns hotéis pela cracolândia onde rolam umas feiras têxtil por causa do bom retiro e eu andava direto por lá. fiquei habituada a ver gente nas situações mais terríveis
[...] pouco antes de viajarmos para a Espanha, caiu nas nossas mãos a oportunidade de editar um material pesadíssimo, e muito importante, sobre a Cracolândia, região de São Paulo que não tem limites [...]
Sempre legal levantar o tema.
Achei meio clichê a abordagem do tema, colocando mais uma vez os mais pobres e desdentados como usuários de crack.
Quem não se vê no usuário mostrado tem medo apenas da violência que eles pobres, podem causar no bairro, na cidade.
Se veem passivos em um comportamento que é global, na crackolândia ou em Alphaville.
Argumento que isso é um equívoco pois tive uma vivência a pouco de um amigo de classe média alta que perdeu tudo pois se viciou silenciosamente no crack. Agradeço a vocês por tocarem no assunto, de qualquer forma.
classe media alta = rico.
rico não burro = trabalho ou faculdade , dinheiro! /cocaina pura, whisky, mdma, vodka, energetico, skunk, festas, roupas caras, sexo, imagem. hedonismo capitalista. Drogas como ferramentas para alcançar prazer, uma delas.
rico burro = crack crack crack
crack droga de pobre percentualmente.
[...] surgirá a partir de todo o material inspira-se em produções como a do Coletivo Garapa, sobre a Cracolândia; ou “A Folha Sagrada”, em que El País, de Cali (Colômbia) expõe e debate o cultivo e uso [...]
Todo mundo sabe. No centro da maior e mais rica cidade do país, São Paulo, existe uma área denominada cracolândia, onde o crack é consumido por centenas de pessoas a luz do dia e a noite toda. Não tenho dúvidas que existem várias ações do poder público contra essa abominável prática do consumo desenfreado de drogas, mas até agora elas não foram suficientes e nem surtiram efeito algum. Dessa forma, São Paulo vai sendo obrigada a conviver com esse “monumento” da degradação humana a céu aberto.
O governo do Estado de São Paulo anuncia investimentos de quase R$ 100 milhões em um centro de tratamento de esgoto em Campos do Jordão, a “Suíça Brasileira” como é também conhecida, um dos destinos turísticos favoritos da Classe média paulista em meses de inverno. Apesar da beleza da cidade, de fato agradável e muito gostosa para passeios, é notório o mau cheiro em seus pequenos rios que mais parecem córregos, o Sapucaí-Guaçu, Perdizes e Capivari. O Mau cheiro ofende os narizes sensíveis desses pobres paulistanos que de passeio pelas ruas frias da cidade entre chocolates quentes e cappuccinos se sentem incomodados. Na estância turística paulista, além das luxuosas casas de temporada, dos hotéis cinco estrelas (alguns com diárias de R$ 1.300) fica também a residência de inverno do governador.
Há um elo entre a Cracolândia e a “Suíça Brasileira”, antigamente Campos do Jordão foi uma estância de tratamento de doentes Tuberculosos por causa do clima, hoje a cidade de 46 mil habitantes chega a receber 500 mil visitantes num mês de temporada é área de preservação ambiental e de fato merece ser tratada com carinho. Mas o Estado de São Paulo talvez tenha prioridades maiores. O próprio município por ser rico poderia viabilizar a obra. Com um PIB per capita de R$ 10.482 e com uma receita municipal de cerca 100 milhões de reais anual daria par realizar a obra da ETE numa parceria entre o governo local e a iniciativa privada interessada em melhorar a cidade.
Saneamento básico é algo de fato básico em qualquer cidade, mas será que é assunto prioritário do estado cuidar do mau cheiro nos “córregos” da rica Campos do Jordão ou tentar de uma vez por todas combater o crack na capital? Fico imaginando se não seria uma ação mais urgente construir com esse montante um imenso hospital, com todas as modalidades de tratamento, para tratar dos viciados que se acumulam nas ruas do centro como se fosse “lixo humano”, como se vagassem num umbral ou num limbo despossuídos de suas almas. E nada de tomar medidas “higienistas” removendo os usuários para que os habitantes não sejam mais obrigados a conviver com essa miséria humana, mas cuidar deles e não varrer pra de baixo do tapete essas pessoas.
O mau cheiro dos córregos de Campos do Jordão pode sim esperar um pouco mais, porque tem outras coisas mais “fedidas” por aí que precisam de uma resolução mais urgente.