
Há um conceito nas ciências sociais chamado “economia da dádiva”, segundo a Wikipedia, “uma forma de organização social na qual os membros fazem doações de bens e serviços valiosos, uns aos outros, sem que haja, formal ou explicitamente, expectativa de reciprocidade imediata ou futura”. Nesses sistemas, o mais importante é que o “presente” não seja acumulado, mas que circule; é ele quem cria o laço social que une uma determinada comunidade.
A era digital escancarou a reprodutibilidade das imagens a ponto de acabar, inclusive, com a ideia de uma matriz física que garantisse uma certa exclusividade, escassez. A imagem digital torna-se etérea, uma sequência de zeros e uns, facilmente disseminada pelas vias eletrônicas. Todas essas transformações afetam a forma como produzimos, interpretamos e consumimos imagens – ou, em um termo mais adequado aos tempos atuais, informação.
Pensando em tudo isso, e inspirados por exemplos semelhantes, resolvemos fazer aqui uma experiência. Criamos uma galeria chamada Galeria.CC, onde disponibilizaremos ensaios para aquisição em diferentes formatos.
O “CC” do nome da galeria vem da licença Creative Commons que acompanha as imagens em versão digital – quem desejar pode baixar gratuitamente as imagens em alta resolução (15cm / 300dpi) e utilizá-las como quiser, desde que respeitadas as condições da licença (citação da fonte, uso não comercial e distribuição dos conteúdos derivados sob a mesma licença).
Além do download gratuito, as imagens estarão à disposição para compra de cópias assinadas e numeradas em três opções de tamanho. As cópias serão impressas em qualidade fine art e terão preços determinados por uma fórmula simples: custos + doação no valor que o comprador desejar.
Nesta fórmula está o X da experiência: nosso “lucro” virá exclusivamente da generosidade do comprador e do valor atribuído por ele à obra. Ou seja, não há valor econômico previamente estabelecido, inerente ao trabalho.
O primeiro trabalho disponível na galeria é o ensaio que trouxemos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, em Madri, “O Muro“, sobre a barreira construída pela administração do Rio de Janeiro na comunidade Santa Marta. A escolha deste trabalho também é simbólica: trata-se de um ensaio que teve a sua produção financiada pelo governo espanhol, ou seja, que já está “pago” em sua origem. Assim, mais do que reservar uma exclusividade, nos parece mais interessante que as imagens, e a história, se disseminem – os resultados indiretos importam mais do que o ganho financeiro propriamente dito.
Como já foi dito, trata-se de uma experiência, ou seja, não sabemos quais serão seus resultados. Nesse sentido, vamos divulgar aqui todos os seus custos e os ganhos que obtivermos. Esperamos que seja positivo, em todos os sentidos.








Muito bacana a iniciativa. Espero que esta experiência seja muito valiosa e enriquecedora a todos.
Saudações
Poxa, excelente iniciativa para quebrar um pouco com a nossa habitual lógica do lucro a qualquer custo. A qualquer custo aqui só as doações, doar por agradecimento do uso. Circula dinheiro, mas sem o capitalismo voraz. É uma satisfação poder apreciar isso acontecer. Ser amigo. VIDA LONGA, Garapa! Simples assim.
[...] eu não sei quantos de vocês viram isso aqui http://garapa.org/2010/05/uma-experiencia/ No mês de maio os amigos do Garapa resolveram experimentar a generosidade da maneira mais [...]
[...] eu não sei quantos de vocês viram isso aqui http://garapa.org/2010/05/uma-experiencia/ No mês de maio os amigos do Garapa resolveram experimentar a generosidade da maneira mais [...]