
Cleonir divide o trabalho com Vinícius e mais dois seguranças
Lendo o post do garoto de sorriso largo que fotografou a moçada que estava no Odeon, a gente não pode esquecer de quem esteve nos bastidores do festival ajudando o processo a acontecer. Algumas dessas pessoas são a faxineira Vanda Cunha, os seguranças Vinícius e Cleonir Flores e a responsável pelo café do Centro Cultural Érico Veríssimo, Marlene, que nós conversamos e fotografamos durante a oficina com o Garapa.
Essas pessoas dialogaram conosco durante seis dias, mostraram a rotina de trabalho, revelaram alguns segredos e nos questionaram. Nessa troca de experiências nas salas e corredores do Centro Cultural Érico Veríssimo ouvimos o que eles pensam sobre a fotografia. Vinícius e Cleonir estranharam, no começo, câmeras e gravadores voltados para eles.

Vinicius abre o centro cultural logo cedo e acompanha os visitantes na recepção
“Eu me senti meio invadido na minha privacidade, mas depois foi legal ser fotografado um pouquinho”, disse Vinícius. Cleonir contou que a atividade desenvolvida por eles requer muita observação. “A gente não se envolveu muito no evento porque não faz parte do nosso trabalho. Não é nem falta de interesse, nem nada. É que nosso serviço é diferente. A gente não se envolve em evento nenhum”, disse.
Vanda Cunha e Marlene estranharam menos a presença das câmeras e aceitaram logo de cara participar da nossa cobertura. “Eu não sei, assim, como é que eu vou te dizer porque eu gostei? Eu me senti importante. Até falei para a minha família que eu fui fotografada e eles acharam bem legal”, contou Vanda. Entre a preparação de um café e outro, Marlene nos disse que ama fotografar. “Eu faço álbum e dou de presente para a minha família, meus pais. Eu acho que a fotografia é isso: lembrança de um tempo que não volta mais”.

Vanda Cunha cuidava quase sempre das atividades no terceiro andar

Marlene teve uma semana movimentada por causa do Fest Foto 2009
Fotos: Ana Lira
Em dois momentos ímpares da delegação carioca em POA, Marcio Isensee da uma relaxada da maratona de atividades do Festfoto:

Chegamos no Odeon ontem de noite, penultima noite do FestFotoPOA, para ouvir um jazz de excelente qualidade. Nas primeiras fotos que fiz do pessoal tocando, descobri o Felipe, um guri de 13 anos que mora nas ruas de Porto Alegre. Primeira estranheza que ele me causou foi o fato de estar atentamente concentrado nos musicos e nos acordes de Chet Baker que sopravam… Em segundos me surgiu a idéia de fotografá-lo, mas assim que apontei a camera, ele se esquivou. Começou-se a revelar aí o que daria o tom da noite: ele não queria ser o personagem, queria ser o produtor das imagens…
Num instante de loucura, larguei minha camera na mão dele. Depois vi que tinha agido certo, e que tinha q dar a liberdade dele fotografar o que quisesse por ali. Impressionou muito as capacidades que ele desenvolveu e, além de muito comunicativo e cativante, o moleque é inteligente e rápido pra aprender. Refletindo um pouco: é impressionante a capacidade que o Brasil tem de negar ã seres humanos fantásticos as oportunidades que são asseguradas pelos Direitos Humanos e pela Constituição.
Fui embora pra dormir confortavelmente numa cama e deixei pra trás o guri, que passaria a noite inteira acordado e, se rolasse, ia dormir de manhã, no fundo de algum banco de ônibus.
Aqui apresento algumas fotos que ele fez e que editamos, em cima da nossa arrogancia informática. Abstraia-se os conceitos de foco e tremido, até pq o guri se superou com uma 35mm fixa (manual) e a velocidade baixa (1/20s)…infelizmente não podemos passar aqui o link do Felipe.. porque nem nessa rede democaratica de informações o menino tem seu espaço… falta uma maquina digital e um computador pois o conhecimento necessario tenho certeza que Felipe não teria dificuldade de aprender; veja abaixo como as crianças aprendem fácil…
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![]() Auto-retrato |
E aqui um retrato do guri de sorriso largo:
Ontem a noite foi daquelas cheias.
Auditório novamente lotado para ver Riboud e Teixeira.

foto: Daniel Marenco

Palco é lugar de show e deles Riboud é amigo.
Do alto de seus 87 anos Marc Riboud arrancou gargalhadas da platéia, além de deixar a intérprete constrangida.
Encabulada, a tradutora preferiu não ser literal em frases como:
“Essa é minha foto da torre eiffel de pernas abertas” (na tradução virou: “essa é a torre eiffel vista debaixo”), ou
“As cubanas tem esses corpo lindos… que bunda” (dessa vez: “ele está elogiando as cubanas… tenho vergonha de traduzir, assim fico vermelha”).
Esperto que é, Marc entende o que está acontecendo e diz: “pode ficar vermelha vermelha… o palco está escuro mesmo”
O público precisou de senha para entrar na sala, mas mesmo com fila de espera, todos se acomodaram no auditório e puderam ouvir a história de mais de 100 fotos de Riboud.
Hoje tem mais Marc, dessa vez na companhia especial de Evandro Teixeira:
LOcal: Auditório Barbosa Lessa - Centro Cultural Erico Verissimo
Entrada gratuita
19:30 às 21:00 - 1968 - Paris/Rio - Palestra de Marc Riboud e Evandro Teixeira.

Pela primeira vez na América Latina, Marc Riboud passeou pelas ruas de Porto Alegre.
Não só passeou como deu aula e tirou onda.
A cada foto que fazíamos, Riboud procurava a melhor luz pra ser bem fotografado e nos proporcionava cenas dignas de um mestre.
Foi uma aula em uma tarde.

Foi-se o tempo em que o cheiro do dektol precedia nossa edição de imagens.
Agora são 10 e pouco da manhã e todo mundo começa a pré-editar os trabalhos que vão virar o grande mosaico de cobertura dessa edição do FestFoto.
Muitas boas idéias, imagens, sons e vídeos… uma galera tão empolgada quanto talentosa.
Mas porquê lembrei do dektol?
Simples, em uma sala com 10 fotógrafos, 7 computadores portáteis são os responsáveis por todo esse armazenamento e edição.
Mais do que em café, fotógrafos são dependentes de computadores… pelo menos os que fazem oficina de multimídia, já que pelas bandas do Daguerreótipo tudo é diferente.



Algumas imagens do segundo dia do FestFotoPOA 2009…

Encontro com Autor: J.R. Ripper

Seminário Fotografia como Instrumento de Inclusão Social


Jantando no Tudo Pelo Social
Começaram também os Encontros com o Autor. Neste momento, Joaquim Marçal “dá a letra” -como eles dizem por aqui- no palco do CEE Erico Verissimo. Na sequência J.R. Ripper sobe à mesa. Logo depois tem debate com Francesca Nocevelli, Luiz Abreu, Rosina Duarte e o próprio Ripper. Ainda hoje, às 20h, acompanharemos o abertura da exposição audiovisual de Alécio de Andrade.
Joaquim Marçal e Carlos Carvalho no palco do CEE
Sim, a primeira noite foi intensa.
Peleia gaudéria, uruguaia, cubana e paulistana… uma coisa que só quem esteve ali, ou acompanhou online, pôde curtir em toda sua intensidade.
Eduardo Seidl já deu a letra do Cel3uma nos comentários, mas deixo a dica por escrito aqui tb.
Cobertura boa também no blog amigo, vale conferir.

E assim vamos juntando todo o festival pra ser visto até por quem não está de corpo presente.