Segunda parada: Amazonas

outubro 22nd, 2009 § 6

Postar do Amazonas não foi possível (Paulo falando); a conexão dos hotéis era ruim, pior ainda no interior do estado. O lado bom disso é que a viagem me permitiu desacelerar, sair do ritmo caótico paulistano e deixar o clima amazônico (quente, por sinal) me envolver.

Em Manaus, conversamos com Manoel da Cunha, seringueiro. Em seguida, partimos para Coari, no interior, e de lá seguimos pelo Solimões a caminho de duas comunidades no lago Mamiá. Viajar de barco pela imensidão amazônica é uma experiência que recomendo a todos.

De Coari, voltamos a Manaus em uma viagem que durou cerca de 20 horas (um trecho feito em uma hora de avião) em um barco “hotel” (aqueles em que as pessoas penduram suas redes). Foi ali que o tempo parou, fez refletir; dali surgiu a série de estudos abaixo, uma série sobre o tédio.

Tédio, nesse caso, não tem sentido pejorativo, mas o oposto disso.

*** Vejam mais no meu flickr, e aguardem a próxima parada. ***

Santo Antônio e Jirau

fevereiro 12th, 2009 § 3

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Paulo Fehlauer


Porto Velho, em Rondônia, recebeu, ao longo dos anos, diversas levas de migrantes. Esse fluxo é intermitente, e em geral ligado a planos nacionais de desenvolvimento, nascidos em sua maioria no Centro-Sul do país. Depois da madeira, da borracha e do ouro, é a vez da energia elétrica.

A notícia da implantação de duas usinas hidrelétricas no Rio Madeira – Santo Antônio e Jirau – levou o estado a um novo ciclo de suposta prosperidade. A cada dia, diversos ônibus trazem migrantes que vêm à cidade e aos distritos próximos em busca de emprego. Em distritos como Jacy-Paraná, loteiam-se áreas de floresta para ocupação e especulação imobiliária – a população do vilarejo praticamente dobrou em menos de dois anos.

Ao mesmo tempo, populações ribeirinhas tradicionais, acostumadas a retirar o sustento do rio e da terra fértil das suas margens, são desalojadas. O impacto humano e ambiental da construção de duas obras desse porte em plena Amazônia são em geral minimizados pelas empreiteiras e pelo poder público quando contrastados com os imensos benefícios que a geração de energia pode trazer ao país.

Viajei a Rondônia em agosto de 2007, antes do início das obras, para tentar entender um pouco melhor essa história. Meu relato sobre a viagem está no blog Na Rua.

Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.

Para saber mais:
- Novo Porto Velho, matéria de Carolina Derivi, que me acompanhou na viagem, publicada na revista Página 22;
- Vídeo-propaganda sobre as usinas – acredite se quiser;
- ONG Rio Madeira Vivo;
- Relatos da jornalista Carolina Derivi produzidos durante a viagem para o blog Eco Balaio;
- Um mapa para mostrar onde tudo isso acontece.