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Paulo Fehlauer
Tendo chegado à fotografia pela via do jornalismo, nunca me interessou a paisagem, a monotonia da imagem estática (por mais controverso que seja afirmá-lo). A paisagem humana, dinâmica, em constante mutação, sempre me atiçou mais os sentidos. Viajei pelo deserto, recentemente, em busca de uma paisagem que me desassossegasse, que me pusesse ao chão com a sua magnanimidade.
Exceto por alguns breves momentos em que a imponência do ambiente se mostrou inquestionável (como a travessia da Cordilheira dos Andes), meus olhos mantiveram-se ligados às matizes humanas, ali tão diferentes e também tão semelhantes ao que já conhecia.
De volta ao “sossego” de São Paulo, limpando a imagem de qualquer cor e brincando com tons e não-tons, fui descobrindo paisagens dentro da paisagem, momentos de preto e de branco, com pouco cinza entre eles, que talvez acabem por montar um retrato pessoal dessa busca – finda, por ora, mas interminável.
Veja mais fotos da viagem.
Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.
Por alguns dias, garapa virou guarapo. Acabamos de passar 20 dias em terra estrangeira, expandindo os horizontes pela América Latina. Começamos pela Cidade do México, onde participamos do Foundry Photo Workshop, um evento que reuniu dezenas de fotojornalistas e aprendizes do mundo inteiro.
Entre as diversas discussões que tivemos, conseguimos puxar um pouco a conversa para alguns tópicos que nos tocam diretamente. Primeiro, a necessidade de uma maior integração dos profissionais latino-americanos. Uma das questões que discutimos foi a abertura da grande mídia a profissionais locais, ou “por que é que os jornais enviam um fotógrafo americano para cobrir conflitos no Haiti?”. Claro que a pergunta não foi respondida, mas isso motivou uma discussão bem interessante e contatos promissores.
Parênteses: se esse assunto lhe interessa, entre na comunidade Nuestra Mirada, criada para integrar os profissionais latino-americanos.
Outra discussão derivada da primeira foi relacionada à própria idéia de grande mídia – no caso, grande mesmo, Time e Newsweek, por exemplo. Mais uma vez, o acordo entre os jovens fotógrafos foi de que há a necessidade de buscar outros caminhos, há um mundo inteiro a ser explorado. Nunca na História foi tão fácil produzir e distribuir conteúdo; se o famigerado mercado não paga por esse conteúdo, então que se crie um mercado novo, alternativo. E bola pra frente.
Além de toda a discussão, precisávamos produzir. No período da nossa estadia no México, um grupo de trabalhadores rurais sem terra – Movimiento de Los 400 Pueblos – acampava em uma praça na região central da cidade. Duas vezes ao dia, eles tiravam as roupas e se postavam nus em frente a uma das principais avenidas da capital mexicana, batucando e gritando por “respuesta”, sempre cercados por um cordão de policiais que se limitavam a assistir à manifestação diariamente.
Resolvemos, então, documentar um pouco do cotidiano e dos anseios desse grupo, e chegamos ao mini-documentário que acompanha esse texto: Tierra Desnuda.
Depois do México, seguimos para Havana, Cuba, mas isso é assunto para outro post.
Para levar:
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