Classe D, IstoÉ Dinheiro e Garapa

março 12th, 2010 § 2

O documentarista Eduardo Coutinho costuma dizer que nunca faria um trabalho sobre cineastas homens de classe média. O que interessa para ele é a diferença. Não que isso sirva de regra, mas concordamos que uma das características mais interessantes do trabalho documental é essa possibilidade de ver o(s) mundo(s), aprender com o contraste.

Passado o nariz de cera…

Fizemos recentemente uma pauta (foto e vídeo) para a revista IstoÉ Dinheiro, que tem como editor de fotografia o amigo Toni Pires. A história nos interessou de imediato: falaríamos sobre o potencial econômico da classe D. Aí está um tema importantíssimo, interessantíssimo, pouco (e mal) explorado.

Altina Carvalho e família

Bom, o site novo da revista foi ao ar esta semana, e com ele o vídeo que produzimos. Agora é torcer para que venham outros.

New York, cachaça e fotografia

fevereiro 10th, 2010 § 4

Hoje inaugura a 1500 Gallery, em Nova York. Gostaríamos muito de estar lá (presencialmente). Não apenas para ver nosso trabalho impresso em tamanho grande, exposto na galeria, ou pelas caipirinhas grátis que serão servidas, ou porque estar em NY é sempre muito bom… mas também porque acreditamos na proposta da galeria desde a primeira conversa com Alex, um dos sócios. Fotografia brasileira, seja ela feita por brasileiros ou não.

Temos duas séries lá: uma sobre habitação em São Paulo, e outra sobre o deserto do Atacama. Muita gente legal está no acervo, alguns que já conhecíamos, alguns bons amigos, outros que descobrimos agora. Outra coisa legal da 1500 é que as imagens serão vendidas em séries maiores (as nossas ficam entre 50 e 100 cópias), a preços mais acessíveis (pelo menos para o mercado de fine art).

Portanto, como não estaremos lá presencialmente, repassamos o convite a quem estiver em NYC, ou conhecer alguém que está ou vive na cidade.

Segue o convite:


E a página da galeria no Facebook.

Vídeo nas Caldeiras

dezembro 18th, 2009 § 6

Alguns meses atrás, fomos procurados pela Marta Madalon, coordenadora do projeto VCU.br, que é sediado na Casa das Caldeiras, em São Paulo.

O projeto, como diz a própria descrição, visa à “formação e inserção no mercado profissional de novos videomakers, destinado a jovens que vivem em áreas periféricas da Grande São Paulo”.

Marta nos procurou para que apresentássemos nosso trabalho e realizássemos uma oficina “estilo Garapa” com o grupo. Conversamos sobre o trabalho em coletivo, Creative Commons, possibilidades, mercado, fotografia…

Foi muito legal ver o pessoal ali, escondidos nas catacumbas da Casa das Caldeiras, produzindo vídeo de qualidade, comprometidos com as causas e histórias das suas regiões.

Dois dias de oficina resultaram no vídeo abaixo, que recebemos hoje em nosso e-mail. Obrigado ao pessoal do VCU, esperamos continuar próximos em 2010!

+ Video Volunteers.

Segunda parada: Amazonas

outubro 22nd, 2009 § 6

Postar do Amazonas não foi possível (Paulo falando); a conexão dos hotéis era ruim, pior ainda no interior do estado. O lado bom disso é que a viagem me permitiu desacelerar, sair do ritmo caótico paulistano e deixar o clima amazônico (quente, por sinal) me envolver.

Em Manaus, conversamos com Manoel da Cunha, seringueiro. Em seguida, partimos para Coari, no interior, e de lá seguimos pelo Solimões a caminho de duas comunidades no lago Mamiá. Viajar de barco pela imensidão amazônica é uma experiência que recomendo a todos.

De Coari, voltamos a Manaus em uma viagem que durou cerca de 20 horas (um trecho feito em uma hora de avião) em um barco “hotel” (aqueles em que as pessoas penduram suas redes). Foi ali que o tempo parou, fez refletir; dali surgiu a série de estudos abaixo, uma série sobre o tédio.

Tédio, nesse caso, não tem sentido pejorativo, mas o oposto disso.

*** Vejam mais no meu flickr, e aguardem a próxima parada. ***

Rio + Mtv

outubro 12th, 2009 § 11

Cheguei agora (Leo falando) no Rio de Janeiro e a vista da varanda já é promissora!

Começaremos hoje uma série de viagens que vai levar a Garapa para Rio de Janeiro (checked!), Manaus, Brasília, Bahia e São Paulo (que já é nossa casa).

Estamos aqui com a equipe da Mtv para gravar o Plano Mtv, um programa que vai discutir política, sustentabilidade, desenvolvimento, saúde e que tem muito pano pra fazer manga de braço completo. Amanhã vamos à Cidade de Deus conversar com o MV Bill e saber mais sobre a Cufa. A iniciativa do programa é do diretor Mauro Dahmer, que também está no Rio junto com o editor Davis Sousa. Com eles, já fizemos os MTV Pública em 2009.

Fica por enquanto a vista da janela, depois de alguns chopps à beira mar (cortesia da verba diária de alimentação!).

riob

O tempo e a espera

agosto 10th, 2009 § 8

Liz Baylen é uma dessas fotógrafas que dá gosto de ver.
Seu trabalho é absolutamente impecável, seja em conteúdo, técnica ou intimidade com os assuntos que fotografa.
Há pouco, vasculhando alguns links, encontrei um áudio slideshow com uma ótima matéria fotografada por ela.
Liz fotografou a pauta “waiting for death” para o LA Times e aqui se vê um ótimo exemplo de complementariedade entre texto e elementos multimidiáticos. O texto com a matéria no site nos leva a um mergulho por algumas características de seu personagem, o sr. Edwin, com seus 90 anos de idade e consciente de não ter mais muito tempo de vida.
Passagens textuais como:

“Would you like a pain pill?”
“Yes.”
“Tramadol or Vicodin?”
“I don’t care.”

Demonstram que não apenas Liz, mas o repórter Thomas Curwen também mergulhou na história e soube encontrar cada passagem, cada fala de seu entrevistado.
Balanceando o texto aparecem lindas fotos, 6×6, retratando o cotidiano de Edwin que se compara a estátua envelhecida em seu quintal.
Um harmonioso exemplo que poderia muito bem pautar o jornalismo online da grande mídia brasileira.

liz2

A bruxa da censura está à solta

junho 29th, 2009 § 7

Acabamos de receber o seguinte aviso do YouTube:

Prezado usuário,

Notificamos a remoção ou desativação do acesso ao material a seguir em decorrência de uma notificação de terceiros da parte de Viacom International Inc. informando que este material é infrator:

PRECONCEITO – MTV Pública – Aids: http://www.youtube.com/watch?v=qR9Z1Ls6W_c

Observação: A reincidência na violação de direitos autorais acarretará a exclusão da conta do usuário infrator e dos respectivos vídeos enviados. Para evitar que isso ocorra, remova todos os vídeos sobre os quais você não detém os direitos de reprodução e não envie outros vídeos que violem os direitos autorais de terceiros. Para saber mais sobre a política de direitos autorais do YouTube, leia nossas Informações sobre direitos autorais.

Se optar por enviar uma contranotificação, visite a Central de Ajuda para acessar as instruções.

Observe que na seção 512(f) da Lei de Direitos Autorais, qualquer pessoa que intencionalmente apresentar declaração falsa de que um material ou atividade foi removido ou desativado por engano ou identificação incorreta pode estar sujeita à responsabilidade.

Atenciosamente,
Equipe do YouTube, Inc.

O vídeo citado (e removido) pelo YouTube faz parte da série que fizemos sobre Aids para a MTV Brasil, distribuído em sua totalidade sob uma licença Creative Commons, como a maioria do trabalho que produzimos. Como vocês devem perceber, apenas um dos vídeos da série foi removido pelo YouTube, o que demonstra a ignorância da Viacom, gigante americana detentora da marca MTV, entre outras, que parece buscar aleatoriamente (e mecanicamente) pelas suas marcas sem sequer procurar os autores dos trabalhos para saber das suas condições de produção.

O trabalho em questão foi produzido pela Garapa para veiculação na MTV Brasil sem qualquer contrato formal, ficando portanto livre a atribuição de qualquer licença de distribuição. Nosso trabalho é, em grande parte, distribuído de forma livre, sob licença Creative Commons, porque acreditamos na livre circulação da informação e do conhecimento, ainda mais quando tratamos de questões de interesse público, como é o caso da Aids. Da mesma forma, consideramos justo o uso da trilha sonora utilizada, também distribuída originalmente sob licença Creative Commons.

Com este artigo, pretendemos deixar claro e registrado que levaremos a questão a todas as instâncias e consequências necessárias para que o objetivo da divulgação deste conteúdo (a conscientização em relação à Aids) seja respeitado, e para que nenhuma tentativa de censura ou autoritarismo seja capaz de subjugar qualquer conteúdo que julgamos ser de interesse público.

Aguardem novos capítulos. De qualquer forma, para garantir a publicidade de todo o nosso conteúdo, o mesmo vídeo continua disponível em nosso site, já que utilizamos mais de uma ferramenta para divulgação do material. Esta é mais uma prova do descompasso entre as leis de copyright e a distribuição de conteúdo na web. Ou seja, o problema é deles. Quem quiser ver, verá.

FestFotoPoa – Oficina de Fotojornalismo e Multimídia

junho 17th, 2009 § 0

Com muito atraso, finalmente disponibilizamos por aqui o vídeo final da oficina de fotojornalismo e multimídia que demos no Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, o FestFotoPoa, em abril deste ano. Tivemos 19 participantes, que passaram uma semana discutindo, fotografando, gravando vídeo e áudio e editando esse material.

Como resultado, tivemos três peças multimídia, aqui agrupadas em um vídeo único. A primeira tratou dos caminhos que levavam cada pessoa ao festival todos os dias, um retrato sensorial de viagens individuais. A segunda peça buscou fazer um resumo do festival sob diversos olhares: os funcionários do Centro Cultural, as visões dos “estrangeiros”, a rua. O último grupo fez uma homenagem ao fotógrafo João Roberto Ripper, presente no festival, explorando também uma oficina de daguerreótipo que foi parte da programação.

Veja o vídeo abaixo. Na sequência, dois relatos de participantes da oficina.

Os de dentro, os de fora e os do centro
Ana Lira

Humanismo e realidade, fotografia e compromisso, tema principal da terceira edição do Fest Foto Poa, é o elo entre as histórias que fizeram parte do trabalho Os de dentro, os de fora e os do centro, que integra a cobertura audiovisual produzida pelos integrantes da oficina do Coletivo Garapa no festival.

Quando começamos a conversar sobre a linha mestra do trabalho, algumas idéias foram colocadas na roda, e logo percebemos que três delas se destacavam na preferência do grupo. A primeira era falar do festival, da fotografia e de seu papel social por meio das pessoas que trabalhavam dentro do edifício-sede do evento: o Centro Cultural Érico Veríssimo. As equipes de limpeza, segurança e manutenção têm um papel importante no funcionamento das atividades que ocorrem em qualquer espaço de eventos, mas, em geral, ficam invisíveis aos olhos dos visitantes.

O objetivo da primeira narrativa, então, era acompanhar o cotidiano dessas equipes e observar como elas interagiam com o festival e com a fotografia. Nesse processo, nós pudemos conhecer melhor o trabalho da faxineira Vanda Cunha, que aceitou de imediato a nossa companhia e colaborou bastante com o andamento das sessões de fotos e gravações; da atendente do café Monjolo, Marlene, para quem a fotografia é a “lembrança de um tempo que não volta mais”; da supervisora Cleusa Silveira que, quando vê as fotografias do próprio casamento, tem vontade de casar de véu e grinalda outra vez; e da equipe de segurança formada, entre outros, por Vinícius e Cleonir Flores, que nos colocaram diversas questões sobre a relação fotógrafo e fotografado. Relatos que mudaram a nossa perspectiva de interação com o evento.

A segunda proposta de rumo narrativo foi apresentada por fotógrafos de Porto Alegre, que queriam discutir as impressões dos colegas de fora acerca da cidade, do festival e das trocas que aconteceram no Centro Cultural Érico Veríssimo. Alguns deles, como o carioca Lucas Zappa e o recifense Alexandre Belém estavam chegando pela primeira vez à cidade. O sergipano Alejandro Zambrana estava se reconectando com Porto Alegre, depois de alguns anos sem visitar a capital gaúcha O mesmo acontecia com Ana Lira, que também participou da conversa com o grupo.

Essa turma representou todos aqueles que, morando em cidades e estados próximos ou não de Porto Alegre, se deslocaram para trocar idéias durante seis dias de Fest Foto. Esses relatos, então, trariam um outro ponto de vista do festival por meio da investigação das expectativas que “os de fora” nutriam a respeito da cidade e do festival, dos intercâmbios realizados e dos resultados que poderiam se desdobrar em futuros projetos individuais e coletivos dos participantes.

A terceira idéia era conversar com as pessoas que circulavam e trabalhavam no centro de Porto Alegre, local em que o evento foi realizado, e observar como elas se relacionavam com aquela área da cidade. O trabalho foi feito por uma equipe que uniu fotógrafos locais e de fora para que houvesse um diálogo mais amplo sobre o tema.

Durante a experiência, Lucas Zappa e Bianca Barbosa se aproximaram de trabalhadores da rua dos Andradas e colheram depoimentos e imagens que sintetizassem a relação deles com aquele ambiente. Os entrevistados ficavam todos os dias em pontos de grande circulação de pessoas, por serem vendedores de rua ou representantes comerciais, e vivenciavam mais do que qualquer participante do festival as vantagens e desvantagens de trabalhar no centro de uma capital. Um dos aspectos mais marcantes foi a maneira como eles ignorados pela maioria da população que sobe e desce as ruas apressada. A vendedora de fotografia 3×4 ganhou visibilidade porque estava sendo filmada. Na maioria das vezes, ela passa despercebida no meio da multidão entoando solitária o seu canto: fotooo…foooto…fotooo…

Depoimento
Fernando Krum

No nosso grupo, pensamos em criar uma peça contando o caminho que cada um de nós, participantes do Festfotopoa, fizemos até chegar ao ponto de encontro diário: a Casa de Cultura Erico Veríssimo, localizada no centro de Porto Alegre.

Com uma temática apontada, cada participante teve total liberdade para contar, à sua maneira, o cotidiano ao seu redor. Paisagens que encontramos diariamente e às vezes esquecemos, as pessoas que nos deparamos no caminho, os intervalos de espera entre uma condução e outra. Um exercício de ver o comum-corriqueiro com olhos curiosos e atentos.


P.S. garápico: Agradecemos a todos os participantes pela dedicação e pelas lições que aprendemos: Alejandro Zambrana, Alexandre Belém, Ana Lira, André Feltes, Bira Oliveira, Bianca Barbosa, Carmen Silva, Daniel Marenco, Eduardo Lima, Fabiano Scholl, Fernando Krum, Fernando Vieira, Gilberto Barroso, Jessé Giotti, Jefferson Coppola, Lucas Zappa, Ricardo Wolffenbuttel, Rogério Amaral e Tamires Kopp.

Casa da Cultura Digital

junho 17th, 2009 § 27

Parque Savóia

Pois bem, olhe para a foto. Passamos um mês inteiro sem atualizar o site, mas os motivos foram bons. Entre eles, o nascimento de um projeto do qual estamos orgulhosos de fazer parte. Há alguns dias nos mudamos, juntamente com um grupo bastante diverso de pessoas, para um singelo endereço na região central de São Paulo. Em uma bela e tranquila vila próxima ao caos do minhocão, encontra-se agora a Casa da Cultura Digital.

Reunindo um grupo tão diversificado quanto interessante de profissionais, a Casa (que na verdade são duas) pretende ser um centro de referência no pensamento e no desenvolvimento de uma cultura digital brasileira, seja ela real ou virtual, textual ou super-hiper-multimídia.

Estão conosco na empreitada:

- Laboratório Brasileiro de Cultura Digital;
- FLi Multimídia;
- Veredas;
- Nunklaki Comunicações;
- Beijo Técnico Produções Artísticas
e outros.

Ainda estamos acertando os ponteiros, movendo (e fabricando) móveis, resolvendo pendengas técnicas. O lançamento oficial da casa deve acontecer em breve, mas se alguém quiser nos visitar, anote o endereço:

Garapa
Casa da Cultura Digital
Rua Vitorino Carmilo, 459 (aqui!)
Campos Elíseos
São Paulo – SP

Nove dias em Porto Alegre

abril 20th, 2009 § 4

Durante nove dias, a Garapa troca o caos paulistano pelos ares (até então) frescos da capital gaúcha. Participamos como convidados do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, o FestFotoPoa, que homenageia o fotógrafo Luiz Humberto e traz da França Marc Riboud, entre outros destaques.

Além de participar de uma mesa de debate, durante toda a semana daremos uma oficina de jornalismo multimídia que contribuirá com a cobertura online do evento. Essa cobertura será feita em um blog criado especialmente para isso.

Acompanhem as transmissões ao vivo das principais palestras e participem do bate-papo no endereço http://garapa.org/festfotopoa/ao-vivo.

Ah, e a noite de abertura reserva mais uma surpresa garápica. Aguardem.