Tierra Desnuda – Garapa no México

julho 8th, 2008 § 8

Por alguns dias, garapa virou guarapo. Acabamos de passar 20 dias em terra estrangeira, expandindo os horizontes pela América Latina. Começamos pela Cidade do México, onde participamos do Foundry Photo Workshop, um evento que reuniu dezenas de fotojornalistas e aprendizes do mundo inteiro.

Entre as diversas discussões que tivemos, conseguimos puxar um pouco a conversa para alguns tópicos que nos tocam diretamente. Primeiro, a necessidade de uma maior integração dos profissionais latino-americanos. Uma das questões que discutimos foi a abertura da grande mídia a profissionais locais, ou “por que é que os jornais enviam um fotógrafo americano para cobrir conflitos no Haiti?”. Claro que a pergunta não foi respondida, mas isso motivou uma discussão bem interessante e contatos promissores.

Parênteses: se esse assunto lhe interessa, entre na comunidade Nuestra Mirada, criada para integrar os profissionais latino-americanos.

Outra discussão derivada da primeira foi relacionada à própria idéia de grande mídia – no caso, grande mesmo, Time e Newsweek, por exemplo. Mais uma vez, o acordo entre os jovens fotógrafos foi de que há a necessidade de buscar outros caminhos, há um mundo inteiro a ser explorado. Nunca na História foi tão fácil produzir e distribuir conteúdo; se o famigerado mercado não paga por esse conteúdo, então que se crie um mercado novo, alternativo. E bola pra frente.

Além de toda a discussão, precisávamos produzir. No período da nossa estadia no México, um grupo de trabalhadores rurais sem terra – Movimiento de Los 400 Pueblos – acampava em uma praça na região central da cidade. Duas vezes ao dia, eles tiravam as roupas e se postavam nus em frente a uma das principais avenidas da capital mexicana, batucando e gritando por “respuesta”, sempre cercados por um cordão de policiais que se limitavam a assistir à manifestação diariamente.

Resolvemos, então, documentar um pouco do cotidiano e dos anseios desse grupo, e chegamos ao mini-documentário que acompanha esse texto: Tierra Desnuda.

Depois do México, seguimos para Havana, Cuba, mas isso é assunto para outro post.


Para levar:

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Isabella

abril 21st, 2008 § 20

Acompanhei o caso Isabella Nardoni desde o início das investigações. Sempre me despertou atenção o modo como a imprensa se apropriou da história, talvez por falta de notícias, criando assim um enredo de telenovela para ser acompanhado diariamente, ou como querem alguns canais de tv, minuto à minuto. Os registros são de dois dias de plantão: a noite do dia 10 de abril, quando todos os repórteres esperavam o pedido de habeas corpus pela defesa do casal, e o dia seguinte, quando Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram soltos, despertando as mais diversas reações nas pessoas presentes.

A trilha sonora usada, além dos áudios ambientes e entrevistas é Electric Counterpoint Fast, de Steve Reich.


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Isso é Jornalismo?

abril 10th, 2008 § 13

Foto alterada digitalmente pela revista IstoÉ

Foto alterada digitalmente pela revista IstoÉ


Como fotojornalistas, e como cidadãos, sentimo-nos na obrigação de declarar nosso repúdio à recente publicação, pela Revista IstoÉ, de uma foto alterada digitalmente, como os caros leitores podem verificar pelas cópias de tela que acompanham esse texto.

A foto original foi feita pelo fotógrafo Cristiano Machado, publicada e comercializada pela Folha de S. Paulo. Como podem perceber, a inscrição “Fora Serra” foi apagada na versão da IstoÉ.
Fotografia original publicada pela Folha de S. Paulo

Em texto publicado na Folha de S. Paulo de hoje, 10 de abril, o editor-executivo da agência IstoÉ confirmou a alteração e pediu desculpas:

Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética.” Ele afirmou, por telefone, que “não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido”.

O debate sobre a manipulação de imagens no jornalismo não é novo, mas não lembramos de ninguém, em nenhum fórum, que tenha sinceramente defendido a prática. A alteração feita pela IstoÉ foi, além de claramente ideológica (apesar de a revista negar), leviana, e desrespeitosa tanto com o fotojornalista autor da imagem quanto com o leitor da revista.

Acreditamos que o trabalho jornalístico, como todos os outros, deve ser feito com honestidade e transparência, independente de posições políticas/editoriais. No momento da leitura, trava-se um pacto de confiança entre leitor e veículo, pacto esse que percebemos ter sido quebrado pela revista.

Felizmente, temos a internet como um espaço aberto de debates no qual tais atitudes não passam despercebidas. Felizmente, podemos contar com o público para inibir ações inaceitáveis como essa.


Mais:


Bem-vindos

janeiro 19th, 2008 § 1

Olá! Sejam bem-vindos.

A Garapa nasceu há alguns meses, como toda grande idéia, em volta de mesas de bar. Saíamos da redação do jornal para pensar em algo novo, sintonizado com as tendências do jornalismo da era da internet. Também queríamos trazer de volta o prazer em se fazer jornalismo, o prazer de contar histórias. Buscamos denominadores comuns, e nos aproveitamos das diferenças. O resultado começa agora.

Nosso objetivo é produzir conteúdo jornalístico multimídia para meios de comunicação online. Resumindo, produzimos documentários em curta-metragem sobre temas variados, discutidos com nossos clientes. Nos propomos a humanizar a notícia, colocar o leitor-espectador-participante em contato mais orgânico com a informação.

É muito fácil nos encontrar: seja pelo nosso site, blog, portfolio, ou pelas páginas do Flickr e YouTube, estamos por aí. Acreditamos no potencial da internet e desde já assumimos nosso lado virtual.

Interessados? Entrem e fiquem à vontade! Ou seria melhor dizer… sirvam-se?

Garapa é:

Leo Caobelli, fotógrafo free-lancer, colaborador de diversos meios de comunicação do Brasil, como os jornais Folha de S. Paulo e revistas do Grupo Abril. Em 2005, foi selecionado para a Fabrica, centro de pesquisa em mídia da Benetton, na Itália;

Paulo Fehlauer, fotógrafo free-lancer e blogueiro, colaborador de veículos como o jornal Folha de S. Paulo e Revista Época. Passou 2 anos em Nova York trabalhando no International Center of Photography, e foi assistente do fotógrafo Ed Kashi no PhotoCamp, evento da National Geographic Magazine;

Rodrigo Marcondes, fotógrafo free-lancer, colaborador de veículos como o jornal Folha de S. Paulo e revistas do Grupo Abril, tendo vivido na Itália e Reino Unido.

Obrigado!