julho 14th, 2010 §
Três boas notícias do mundo fotográfico/audiovisual brasileiro:
1. Está no ar o site do 2o. Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo. O Fórum, que aconteceu pela primeira vez em 2007, será realizado entre 20 e 24 de outubro, mas já dá pra acompanhar as discussões na web.

2. Também está na rede a programação de workshops do 6o. Paraty Em Foco, que acontece de 15 a 19 de setembro em Paraty – RJ. Estamos preparando a nossa oficina, que deve aparecer por ali em breve. Aguardem novidades!
3. Encerram-se amanhã as inscrições da Mostra do Vídeo Livre 2010, que será realizada no Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, de 21 a 24 de julho. A proposta é divulgar trabalhos em vídeo distribuídos sob licenças livres, como Creative Commons e Copyleft. Estamos na curadoria da mostra. Participe, libere seu vídeo!
maio 14th, 2010 §

Há um conceito nas ciências sociais chamado “economia da dádiva”, segundo a Wikipedia, “uma forma de organização social na qual os membros fazem doações de bens e serviços valiosos, uns aos outros, sem que haja, formal ou explicitamente, expectativa de reciprocidade imediata ou futura”. Nesses sistemas, o mais importante é que o “presente” não seja acumulado, mas que circule; é ele quem cria o laço social que une uma determinada comunidade.
A era digital escancarou a reprodutibilidade das imagens a ponto de acabar, inclusive, com a ideia de uma matriz física que garantisse uma certa exclusividade, escassez. A imagem digital torna-se etérea, uma sequência de zeros e uns, facilmente disseminada pelas vias eletrônicas. Todas essas transformações afetam a forma como produzimos, interpretamos e consumimos imagens – ou, em um termo mais adequado aos tempos atuais, informação.
Pensando em tudo isso, e inspirados por exemplos semelhantes, resolvemos fazer aqui uma experiência. Criamos uma galeria chamada Galeria.CC, onde disponibilizaremos ensaios para aquisição em diferentes formatos.
O “CC” do nome da galeria vem da licença Creative Commons que acompanha as imagens em versão digital – quem desejar pode baixar gratuitamente as imagens em alta resolução (15cm / 300dpi) e utilizá-las como quiser, desde que respeitadas as condições da licença (citação da fonte, uso não comercial e distribuição dos conteúdos derivados sob a mesma licença).
Além do download gratuito, as imagens estarão à disposição para compra de cópias assinadas e numeradas em três opções de tamanho. As cópias serão impressas em qualidade fine art e terão preços determinados por uma fórmula simples: custos + doação no valor que o comprador desejar.
Nesta fórmula está o X da experiência: nosso “lucro” virá exclusivamente da generosidade do comprador e do valor atribuído por ele à obra. Ou seja, não há valor econômico previamente estabelecido, inerente ao trabalho.
O primeiro trabalho disponível na galeria é o ensaio que trouxemos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, em Madri, “O Muro“, sobre a barreira construída pela administração do Rio de Janeiro na comunidade Santa Marta. A escolha deste trabalho também é simbólica: trata-se de um ensaio que teve a sua produção financiada pelo governo espanhol, ou seja, que já está “pago” em sua origem. Assim, mais do que reservar uma exclusividade, nos parece mais interessante que as imagens, e a história, se disseminem – os resultados indiretos importam mais do que o ganho financeiro propriamente dito.
Como já foi dito, trata-se de uma experiência, ou seja, não sabemos quais serão seus resultados. Nesse sentido, vamos divulgar aqui todos os seus custos e os ganhos que obtivermos. Esperamos que seja positivo, em todos os sentidos.
junho 29th, 2009 §
Acabamos de receber o seguinte aviso do YouTube:
Prezado usuário,
Notificamos a remoção ou desativação do acesso ao material a seguir em decorrência de uma notificação de terceiros da parte de Viacom International Inc. informando que este material é infrator:
PRECONCEITO – MTV Pública – Aids: http://www.youtube.com/watch?v=qR9Z1Ls6W_c
Observação: A reincidência na violação de direitos autorais acarretará a exclusão da conta do usuário infrator e dos respectivos vídeos enviados. Para evitar que isso ocorra, remova todos os vídeos sobre os quais você não detém os direitos de reprodução e não envie outros vídeos que violem os direitos autorais de terceiros. Para saber mais sobre a política de direitos autorais do YouTube, leia nossas Informações sobre direitos autorais.
Se optar por enviar uma contranotificação, visite a Central de Ajuda para acessar as instruções.
Observe que na seção 512(f) da Lei de Direitos Autorais, qualquer pessoa que intencionalmente apresentar declaração falsa de que um material ou atividade foi removido ou desativado por engano ou identificação incorreta pode estar sujeita à responsabilidade.
Atenciosamente,
Equipe do YouTube, Inc.
O vídeo citado (e removido) pelo YouTube faz parte da série que fizemos sobre Aids para a MTV Brasil, distribuído em sua totalidade sob uma licença Creative Commons, como a maioria do trabalho que produzimos. Como vocês devem perceber, apenas um dos vídeos da série foi removido pelo YouTube, o que demonstra a ignorância da Viacom, gigante americana detentora da marca MTV, entre outras, que parece buscar aleatoriamente (e mecanicamente) pelas suas marcas sem sequer procurar os autores dos trabalhos para saber das suas condições de produção.
O trabalho em questão foi produzido pela Garapa para veiculação na MTV Brasil sem qualquer contrato formal, ficando portanto livre a atribuição de qualquer licença de distribuição. Nosso trabalho é, em grande parte, distribuído de forma livre, sob licença Creative Commons, porque acreditamos na livre circulação da informação e do conhecimento, ainda mais quando tratamos de questões de interesse público, como é o caso da Aids. Da mesma forma, consideramos justo o uso da trilha sonora utilizada, também distribuída originalmente sob licença Creative Commons.
Com este artigo, pretendemos deixar claro e registrado que levaremos a questão a todas as instâncias e consequências necessárias para que o objetivo da divulgação deste conteúdo (a conscientização em relação à Aids) seja respeitado, e para que nenhuma tentativa de censura ou autoritarismo seja capaz de subjugar qualquer conteúdo que julgamos ser de interesse público.
Aguardem novos capítulos. De qualquer forma, para garantir a publicidade de todo o nosso conteúdo, o mesmo vídeo continua disponível em nosso site, já que utilizamos mais de uma ferramenta para divulgação do material. Esta é mais uma prova do descompasso entre as leis de copyright e a distribuição de conteúdo na web. Ou seja, o problema é deles. Quem quiser ver, verá.
dezembro 1st, 2008 §
Um dos motivos pelo qual escolhemos o jornalismo, e dentro dele a fotografia, é a possibilidade de aprender a cada foto, a cada entrevista. É a curiosidade que faz o jornalista, essa disposição constante para ouvir e contar histórias.
Pois bem. Hoje, 1o. de dezembro, é celebrado mundialmente o Dia de Luta Contra a Aids. Há algumas semanas, fomos convocados pela MTV para produzir algo sobre o assunto para o quadro MTV Pública. Passamos horas, dias, discutindo, decidindo o que fazer e como sair dos clichês e cartilhas para falar da realidade.
Resolvemos então que mais importante do que qualquer discurso seria encontrar pessoas portadoras do HIV que topassem falar, de cara limpa e abertamente, na televisão. Foi aí que começou a aula.
Conhecemos três exemplos de muita coragem e determinação. O primeiro foi Beto Volpe, de São Vicente – SP, soropositivo há 19 anos. Em seguida, conversamos com Valdemar Alves Ferreira, que também convive com o vírus há 19 anos e, por último, com Sílvia Almeida, portadora do HIV há 14 anos.
Julgamos que seria interessante colocar as visões dessas pessoas lado a lado com a opinião de jovens não-portadores, a fim de criar esse diálogo entre o jovem, exposto ao risco e ao constante embate entre medo e liberdade, e pessoas que vivem bem, felizes, embora conscientes de suas limitações.
Além das pílulas que fizemos para a MTV, publicamos aqui trechos maiores das entrevistas que fizemos com nossos três personagens. Todos os vídeos são distribuídos sob uma licença Creative Commons, o que aqui significa que eles são livres para reprodução, publicação, distribuição e remixagem em qualquer veículo, desde que mantidos os créditos. A trilha incidental é do álbum Ghosts, da banda americana Nine Inch Nails, também distribuída sob Creative Commons.
Os vídeos, enfim:
Procuramos manter uma boa qualidade visual, o que às vezes torna os vídeos um pouco pesados (especialmente os depoimentos mais longos). Se a sua conexão não permitir a reprodução direta, pause o vídeo e aguarde o carregamento completo. Ou veja no YouTube.
Alguns links:
maio 16th, 2008 §
O Michaelis já define seu verbete: “sf (multi+mídia) Inform: Sistema que combina som, imagens estáticas, animação, vídeo e textos, com funções educativas, entre outras. M. interativa, Inform: sistema multimídia em que o usuário pode acionar um comando, que é respondido pelo programa, ou controlar ações e funcionamento do programa. adj Inform Referente ao aplicativo que contém uma combinação de som, gráficos, animação, vídeo e texto.” Mas a definição de um sistema mutável pode ser estanque?
Responder com foro de verdade o que é multimídia pode ser tão difícil quanto já foi definir o papel da fotografia quando criada por Talbot e Daguerre. As respostas então, no melhor do pluralismo, vêm em forma de produção. E foi assim, sem grandes pretensões, que Beirut – banda que a Garapa já usou como trilha do especial Boliviano – lançou no ano passado The Flying Club Cup. O “disco” é um ótimo exemplo de criação multimídia. Trata-se de uma reunião de registros em vídeo gravados ao vivo no Brooklyn, NY, nos quais a banda muitas vezes separa os intrumentos quase como em camadas e vai somando-os conforme o vocalista, compositor de todos os instrumentos, letrista e mentor do projeto Zach Condon (o cara na foto, clicado por Danelle Manthey) se move pelo “set”. O site ainda prima pelo inusitado ao dispor as músicas em clique de fotos, aparentemente, aleatórias e sem divulgar o nome da canção que se abrirá ao escolher a imagem preferida.
Outro bom exemplo de produto multimídia é a produção argentina do BLU, onde uma animação em stop motion ganha os muros de Buenos Aires e outras províncias hermanas. O vídeo se chama Muto e já começa a ser figurinha carimbada no youtube. Além da qualidade dos desenhos e ambientações, a abertura anunciando a licensa em creative commons é outro bom indício de qualidade, a intelectual.
Os nórdicos também mandam muito bem, como prova o catálogo online da Ikea feito pelos suecos da F&B e pelos noruegueses da Thomson. O trabalho foi feito em 2005 e, além de continuar atual, influenciou outras centenas, desde filmes publicitários a abertura de novela da Globo. Eu amo as passagens de abertura entre um quarto e outro, o Fehlauer já pira mais no slow motion dentro de cada cena.
E já que o post passou pelos EUA, Argentina, Suécia e Noruega, porquê não dar um pulo no Japão? É de lá que vem o exemplo, ainda não sei se bom ou ruim, de aliar ginástica a aulas de inglês, tudo com o melhor da estética oitentista presente no início da produção dos anos 90. Ainda não sei como alguém conseguiu convencer uma emissora de TV com essa idéia, mas fico muito grato por te-lo feito, pois assim garantiu minhas risadas da semana. Assista aqui ao episódio sobre frases relacionadas a saúde e não deixe de procurar mais episódios do Zuiikin English.