Acompanhei o caso Isabella Nardoni desde o início das investigações. Sempre me despertou atenção o modo como a imprensa se apropriou da história, talvez por falta de notícias, criando assim um enredo de telenovela para ser acompanhado diariamente, ou como querem alguns canais de tv, minuto à minuto. Os registros são de dois dias de plantão: a noite do dia 10 de abril, quando todos os repórteres esperavam o pedido de habeas corpus pela defesa do casal, e o dia seguinte, quando Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram soltos, despertando as mais diversas reações nas pessoas presentes.
A trilha sonora usada, além dos áudios ambientes e entrevistas é Electric Counterpoint Fast, de Steve Reich.
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Foto alterada digitalmente pela revista IstoÉ
Como fotojornalistas, e como cidadãos, sentimo-nos na obrigação de declarar nosso repúdio à recente publicação, pela Revista IstoÉ, de uma foto alterada digitalmente, como os caros leitores podem verificar pelas cópias de tela que acompanham esse texto.
A foto original foi feita pelo fotógrafo Cristiano Machado, publicada e comercializada pela Folha de S. Paulo. Como podem perceber, a inscrição “Fora Serra” foi apagada na versão da IstoÉ.

Em texto publicado na Folha de S. Paulo de hoje, 10 de abril, o editor-executivo da agência IstoÉ confirmou a alteração e pediu desculpas:
Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética.” Ele afirmou, por telefone, que “não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido”.
O debate sobre a manipulação de imagens no jornalismo não é novo, mas não lembramos de ninguém, em nenhum fórum, que tenha sinceramente defendido a prática. A alteração feita pela IstoÉ foi, além de claramente ideológica (apesar de a revista negar), leviana, e desrespeitosa tanto com o fotojornalista autor da imagem quanto com o leitor da revista.
Acreditamos que o trabalho jornalístico, como todos os outros, deve ser feito com honestidade e transparência, independente de posições políticas/editoriais. No momento da leitura, trava-se um pacto de confiança entre leitor e veículo, pacto esse que percebemos ter sido quebrado pela revista.
Felizmente, temos a internet como um espaço aberto de debates no qual tais atitudes não passam despercebidas. Felizmente, podemos contar com o público para inibir ações inaceitáveis como essa.
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