Participamos no dia 13 de abril do I EBEFI – Encontro Brasileiro da Economia da Foto e da Imagem. Debatemos a convergência digital com João Wainer, que faz a TV Folha, e Carla Romero, do Brasil 247. Transmitimos o debate ao vivo pela Twitcam. A conversa foi bem interessante – se você não viu, pode ver aqui.
Está disponível também, para acesso livre, a apresentação que levamos à mesa:
Há um conceito nas ciências sociais chamado “economia da dádiva”, segundo a Wikipedia, “uma forma de organização social na qual os membros fazem doações de bens e serviços valiosos, uns aos outros, sem que haja, formal ou explicitamente, expectativa de reciprocidade imediata ou futura”. Nesses sistemas, o mais importante é que o “presente” não seja acumulado, mas que circule; é ele quem cria o laço social que une uma determinada comunidade.
A era digital escancarou a reprodutibilidade das imagens a ponto de acabar, inclusive, com a ideia de uma matriz física que garantisse uma certa exclusividade, escassez. A imagem digital torna-se etérea, uma sequência de zeros e uns, facilmente disseminada pelas vias eletrônicas. Todas essas transformações afetam a forma como produzimos, interpretamos e consumimos imagens – ou, em um termo mais adequado aos tempos atuais, informação.
Pensando em tudo isso, e inspirados por exemplos semelhantes, resolvemos fazer aqui uma experiência. Criamos uma galeria chamada Galeria.CC, onde disponibilizaremos ensaios para aquisição em diferentes formatos.
O “CC” do nome da galeria vem da licença Creative Commons que acompanha as imagens em versão digital – quem desejar pode baixar gratuitamente as imagens em alta resolução (15cm / 300dpi) e utilizá-las como quiser, desde que respeitadas as condições da licença (citação da fonte, uso não comercial e distribuição dos conteúdos derivados sob a mesma licença).
Além do download gratuito, as imagens estarão à disposição para compra de cópias assinadas e numeradas em três opções de tamanho. As cópias serão impressas em qualidade fine art e terão preços determinados por uma fórmula simples: custos + doação no valor que o comprador desejar.
Nesta fórmula está o X da experiência: nosso “lucro” virá exclusivamente da generosidade do comprador e do valor atribuído por ele à obra. Ou seja, não há valor econômico previamente estabelecido, inerente ao trabalho.
O primeiro trabalho disponível na galeria é o ensaio que trouxemos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, em Madri, “O Muro“, sobre a barreira construída pela administração do Rio de Janeiro na comunidade Santa Marta. A escolha deste trabalho também é simbólica: trata-se de um ensaio que teve a sua produção financiada pelo governo espanhol, ou seja, que já está “pago” em sua origem. Assim, mais do que reservar uma exclusividade, nos parece mais interessante que as imagens, e a história, se disseminem – os resultados indiretos importam mais do que o ganho financeiro propriamente dito.
Como já foi dito, trata-se de uma experiência, ou seja, não sabemos quais serão seus resultados. Nesse sentido, vamos divulgar aqui todos os seus custos e os ganhos que obtivermos. Esperamos que seja positivo, em todos os sentidos.
O documentarista Eduardo Coutinho costuma dizer que nunca faria um trabalho sobre cineastas homens de classe média. O que interessa para ele é a diferença. Não que isso sirva de regra, mas concordamos que uma das características mais interessantes do trabalho documental é essa possibilidade de ver o(s) mundo(s), aprender com o contraste.
Passado o nariz de cera…
Fizemos recentemente uma pauta (foto e vídeo) para a revista IstoÉ Dinheiro, que tem como editor de fotografia o amigo Toni Pires. A história nos interessou de imediato: falaríamos sobre o potencial econômico da classe D. Aí está um tema importantíssimo, interessantíssimo, pouco (e mal) explorado.
Altina Carvalho e família
Bom, o site novo da revista foi ao ar esta semana, e com ele o vídeo que produzimos. Agora é torcer para que venham outros.
Na sexta-feira, 24/10, conversamos com o editor de fotografia da Folha de S. Paulo, Toni Pires, e sugerimos um trabalho de imersão no pregão da BM&F, já que a crise do mercado financeiro vinha sendo a tônica até em rodas de futebol.
Visitamos o pregão da bolsa diversas vezes – do dia 27, segunda-feira, até o dia 31, sexta, sempre conversando com operadores e funcionários da Bolsa.
Na quinta-feira, véspera do fechamento da Bovespa, ouvimos o representante do Sindicato do Mercado de Capitais, Hugo Nunes, relatar que “crises como a do 11 de setembro, a do Nahas e a asiática foram desgastantes pra nós, mas essa última está sendo uma das piores.”
O alarde não é desproporcional neste mercado no qual algumas empresas já desvalorizaram até 70%. Dentro desse quadro, a semana retratada demonstra o dia-a-dia em meio à crise.
Se na bolsa de valores já são habituais os calos vocais, resultado de anos de uma jornada de trabalho feita no grito, o estresse, sempre presente, agora reforça ainda mais a sua marca em cada expressão.
Em conjunto com as fotos obtidas nessa semana de pregão, gravamos também videos e entrevistas em áudio para que pudéssemos ter uma visão cada vez mais aprofundada desse microcosmo, no coração do centro da cidade, que não apenas recebe as influências de uma crise, mas muito vezes redefine seus rumos.
Foi assim que, do mezanino central, quase como em um aquário, a Garapa observou cada gesto, expressão e anotação dos operadores da bolsa, contando a história de uma semana de recuperação dos Mercados depois de tanta queda.
A Folha de S. Paulo, após alguns desencontros de informação e espaço físico no jornal (queriam publicar as fotos no jornal, além de colocar na Folha Online), acabou não veiculando a peça, o que nos fez lembrar a declaração que ouvimos de um operador, tão suado quanto um jogador de futebol, que nos disse ao final do último pregão da semana:
- Sabem qual o melhor remédio pra curar uma crise? Paciência, muita paciência!