São Paulo deslocada

novembro 20th, 2011 § 3

No seu próximo passeio pela Barra Funda, fique de olho nas paredes. Desde a semana passada, começamos a espalhar uma série de painéis fotográficos pela região. O projeto “Deslocamentos” foi selecionado pelo Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo em 2010, e tomou forma agora. São 5 painéis impressos em “lambe-lambe” que trazem para o centro 5 paisagens localizadas nos extremos do território da cidade.

Deslocamento #2, que traz uma linha de trem de Marsilac para um pilar do Minhocão.

Como diz a descrição oficial do projeto:

Deslocamentos é um projeto de experimentação fotográfica e espacial. Utilizando a imagem mecânica, movemos espaços na cidade de São Paulo, de seus extremos para o centro. Paisagens que normalmente passam despercebidas à maioria dos habitantes da metrópole. Imagens que num primeiro momento nos enganam, por não remeterem à imagem de cidade à qual estamos habituados. 

Em um circuito a céu aberto no centro de São Paulo, apresentamos ao público a representação de uma metrópole não usual. Em formato gigante, fotografias dos limites físicos da cidade passam a habitar o centro, e o centro passa a enxergar a periferia.

Percorremos a cidade em busca de paisagens que tivessem pouco a ver com a imagem habitual de São Paulo. De Marsilac, no extremo Sul, por exemplo, trouxemos uma bucólica linha de trem que corta duas faixas de pinheiros; da Cantareira, no extremo Norte, uma trilha no meio da mata.

Os locais de aplicação das imagens foram escolhidos de forma a permitir que todo o trajeto seja percorrido a pé ou de bicicleta, a fim de promover a ocupação sadia e criativa dos espaços públicos da região. Cada imagem é acompanhada por uma ficha técnica, que inclui as coordenadas geográficas do local fotografado, o mapa do percurso e um QR-Code, que leva o visitante à página da imagem no site do projeto.

Deslocamento #5

“Deslocamentos” tem ainda como objetivo acompanhar a ação do tempo sobre essas imagens, registrando-as até que se desfaçam e o concreto volte a predominar. Essa parte do projeto pode ser colaborativa: quem fotografar alguma das imagens, pode nos enviar a foto que publicaremos no site em breve. Para enviar, mande a foto para o email contato@garapa.org.

Ah, e o site do projeto é http://garapa.org/deslocamentos

Stephen Shore em São Paulo!

setembro 12th, 2011 § 2

Foto: Stephen Shore

Um dos nomes mais importantes da fotografia contemporânea, o americano Stephen Shore estará em São Paulo essa semana, e teremos a honra de entrevistá-lo em dose dupla. Shore vem ao Brasil a convite do SP Photo Fest, e realiza palestra, workshop e exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS-SP).

A palestra, gratuita, acontece na quinta-feira, dia 15/09, às 19:30h, no auditório do MIS, e deve ser concorrida. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes. Assim como em 2009, quando entrevistamos Martin Parr no mesmo auditório, dividiremos o palco na quinta-feira com Shore. Tentaremos transmitir via Twitcam (http://twitter.com/garapa) para quem não puder comparecer.

O MIS fica na Av. Europa, 158.

Veja um teaser da entrevista que fizemos com ele hoje no hotel em que está hospedado:

Mais Geração 00

junho 29th, 2011 § 0

A exposição Geração 00 fechou as suas portas no Sesc Belenzinho, mas seus efeitos continuam vibrando por aí. Abaixo, um video que produzimos com o curador da exposição, Eder Chiodetto, no qual ele resume as motivações e escolhas que fez para a mostra.

Parte das imagens foi produzida pelo amigo Paulo Pereira, do Estúdio Luzia.

Saiba mais sobre a exposição nesse post do blog do Paraty Em Foco e nos pertinentes comentários feitos pelos professores Ronaldo Entler e Rubens Fernandes Júnior no blog Icônica.

Produção Cultural no Brasil

agosto 23rd, 2010 § 9

Está no ar a versão beta do projeto Produção Cultural no Brasil, do qual participamos.

Podemos dizer facilmente que é o projeto mais grandioso que já ajudamos a construir, e os números traduzem bem essa grandiosidade: serão 100 entrevistas com protagonistas da cultura brasileira – gestores, produtores, trabalhadores – disponibilizadas em vídeo em uma complexa plataforma online e também publicadas em uma série de 5 livros, onde serão acompanhadas de 10 ensaios fotográficos.

Fernando Faro, criador do programa Ensaio, da TV Cultura, é um dos entrevistados do Produção Cultural no Brasil. Faro é personagem de um dos ensaios fotográficos do projeto.

O projeto é uma realização da Casa da Cultura Digital e da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, com orçamento obtido via Cinemateca Brasileira e Associação Amigos da Cinemateca, e foi executado por um “coletivo de empresas“, cada uma oferecendo a sua expertise.

O “prodcult”, como nos habituamos a chamar, tem como objetivo promover uma extensa reflexão sobre a produção cultural brasileira, seus imbróglios, peculiaridades e curiosidades. É praticamente um meta-projeto, considerando todas as questões envolvidas na sua própria produção.

Você chegou agora a este site, foi à página de vídeos e viu 100 rostos de pessoas que influenciam diretamente o que se denomina “cultura brasileira”. Algumas você vai descobrir, outras conhecer e entender melhor. Então poderá opiniar, apresentar a discussão a amigos, escrever reflexões, fazer novas provocações e agir. Se, com o passar dos dias, você e todos nós que orbitamos em torno desta plataforma tivermos uma noção mais complexa do que é a tal “cultura brasileira”, pronto, chegamos ao ponto. Fonte: Produção Cultural no Brasil.

Como nosso pé está fincado na fotografia, colocamos aqui como exemplo a entrevista do fotógrafo Thomaz Farkas, cujo trabalho, aliás, tem muito a ver com todas as questões, dificuldades e alegrias da tal produção cultural. Melhor deixar ele mesmo falar.

Veja o artigo completo sobre Thomaz Farkas.

O projeto inaugura sua fase de testes com 23 vídeos. A partir de hoje, será disponibilizada uma nova entrevista por dia útil, até acabar o estoque. Veja, leia, comente, espalhe, divirta-se.

Morar

maio 3rd, 2010 § 6

Edição: round 1, fight!

fevereiro 25th, 2010 § 15

Editar um ensaio fotográfico é sempre uma tarefa difícil de executar, às vezes até dolorosa. Multiplique a tensão por três (no nosso caso) e você terá uma ideia do que é editar em um coletivo. Se no processo de captação o diálogo é conceitual, propositivo, na hora da edição é que vem o verdadeiro exercício de coletividade. Quando a proposta é criar um ensaio coeso envolvendo três visões que podem ser parecidas, mas nunca iguais, é preciso avaliar muito bem as posições do indivíduo e do coletivo – até onde vão os limites de um e de outro – e é aí que o papo esquenta.

O bom é que esse processo é sempre construtivo – pelo menos no nosso caso, felizmente. O ensaio, no final, reflete não apenas as pontas do triângulo, mas a sua superfície – ou seja, o diálogo entre os três.

Tudo isso para dizer que estamos no processo de edição do trabalho que levaremos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, que acontece em Madri no mês de maio. Decidimos dar sequência a um trabalho que iniciamos no ano passado, sobre o muro que foi construído na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro. Na verdade, decidimos reiniciar o trabalho em uma nova proposta, trabalhando e experimentando com formatos analógicos (bem variados, por sinal).

O trabalho ainda não está finalizado – colocamos as fotos na parede e estamos “namorando” a proposta de montagem. Publicaremos aqui quando estiver tudo pronto. Por enquanto, como diria Pedro Bial, é só uma espiadinha.


New York, cachaça e fotografia

fevereiro 10th, 2010 § 4

Hoje inaugura a 1500 Gallery, em Nova York. Gostaríamos muito de estar lá (presencialmente). Não apenas para ver nosso trabalho impresso em tamanho grande, exposto na galeria, ou pelas caipirinhas grátis que serão servidas, ou porque estar em NY é sempre muito bom… mas também porque acreditamos na proposta da galeria desde a primeira conversa com Alex, um dos sócios. Fotografia brasileira, seja ela feita por brasileiros ou não.

Temos duas séries lá: uma sobre habitação em São Paulo, e outra sobre o deserto do Atacama. Muita gente legal está no acervo, alguns que já conhecíamos, alguns bons amigos, outros que descobrimos agora. Outra coisa legal da 1500 é que as imagens serão vendidas em séries maiores (as nossas ficam entre 50 e 100 cópias), a preços mais acessíveis (pelo menos para o mercado de fine art).

Portanto, como não estaremos lá presencialmente, repassamos o convite a quem estiver em NYC, ou conhecer alguém que está ou vive na cidade.

Segue o convite:


E a página da galeria no Facebook.

O tempo e a espera

agosto 10th, 2009 § 8

Liz Baylen é uma dessas fotógrafas que dá gosto de ver.
Seu trabalho é absolutamente impecável, seja em conteúdo, técnica ou intimidade com os assuntos que fotografa.
Há pouco, vasculhando alguns links, encontrei um áudio slideshow com uma ótima matéria fotografada por ela.
Liz fotografou a pauta “waiting for death” para o LA Times e aqui se vê um ótimo exemplo de complementariedade entre texto e elementos multimidiáticos. O texto com a matéria no site nos leva a um mergulho por algumas características de seu personagem, o sr. Edwin, com seus 90 anos de idade e consciente de não ter mais muito tempo de vida.
Passagens textuais como:

“Would you like a pain pill?”
“Yes.”
“Tramadol or Vicodin?”
“I don’t care.”

Demonstram que não apenas Liz, mas o repórter Thomas Curwen também mergulhou na história e soube encontrar cada passagem, cada fala de seu entrevistado.
Balanceando o texto aparecem lindas fotos, 6×6, retratando o cotidiano de Edwin que se compara a estátua envelhecida em seu quintal.
Um harmonioso exemplo que poderia muito bem pautar o jornalismo online da grande mídia brasileira.

liz2

Entrevista colaborativa: Martin Parr

maio 1st, 2009 § 19

Martin Parr, from Common Sense  1995-1999.Fomos convidados pela organização do SP Photo Fest para entrevistar o fotógrafo britânico Martin Parr, que vem ao Brasil na próxima semana e dará palestra no Museu da Imagem e do Som (MIS) no dia 12 de maio.

Martin, na nossa opinião, tem um dos trabalhos mais originais e provocativos da atualidade, um olhar que chega a ser estranho dentro do classicismo da Magnum, agência da qual é membro. Parr chegou a ser criticado por Henri Cartier-Bresson, que considerava o seu trabalho não uma documentação, mas uma gozação com os seus personagens. Por essas e outras, somos fãs declarados do cara.

Dada a responsabilidade do convite, e considerando os nossos ideais enquanto coletivo fotográfico, resolvemos tornar a própria construção da entrevista um processo coletivo. O espaço de comentários abaixo está aberto a sugestões, perguntas, críticas, discussão. Nosso roteiro para a entrevista se baseará na conversa que tivermos por aqui. Portanto, participem.

O evento terá tradução simultânea e será transmitido ao vivo pela internet, com espaço para participação do público presencial e online. Acompanhe aqui: http://garapa.org/martin-parr-ao-vivo

Lembrando: a entrevista acontece no dia 12 de maio, das 19h30 às 21h30, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.
O MIS fica na Av. Europa, 158, no Jd. Europa (veja o mapa). Mais informações em http://spphotofest.com.br.

Abaixo, uma lista de links para “fomentar o debate”:

Currículo de Martin Parr (PDF) (inclui uma ótima entrevista com Martin realizada em 2007);
Press Release – Martin Parr no MIS (PDF);
Página de Martin Parr na Agência Magnum;
No YouTube: Parr fala sobre o seu trabalho (Parte 1 e Parte 2);
Página sobre Martin Parr na Wikipedia;
Site oficial de Martin Parr.

Luís

novembro 6th, 2008 § 0

Luís