agosto 23rd, 2010 §
Está no ar a versão beta do projeto Produção Cultural no Brasil, do qual participamos.
Podemos dizer facilmente que é o projeto mais grandioso que já ajudamos a construir, e os números traduzem bem essa grandiosidade: serão 100 entrevistas com protagonistas da cultura brasileira – gestores, produtores, trabalhadores – disponibilizadas em vídeo em uma complexa plataforma online e também publicadas em uma série de 5 livros, onde serão acompanhadas de 10 ensaios fotográficos.

Fernando Faro, criador do programa Ensaio, da TV Cultura, é um dos entrevistados do Produção Cultural no Brasil. Faro é personagem de um dos ensaios fotográficos do projeto.
O projeto é uma realização da Casa da Cultura Digital e da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, com orçamento obtido via Cinemateca Brasileira e Associação Amigos da Cinemateca, e foi executado por um “coletivo de empresas“, cada uma oferecendo a sua expertise.
O “prodcult”, como nos habituamos a chamar, tem como objetivo promover uma extensa reflexão sobre a produção cultural brasileira, seus imbróglios, peculiaridades e curiosidades. É praticamente um meta-projeto, considerando todas as questões envolvidas na sua própria produção.
Você chegou agora a este site, foi à página de vídeos e viu 100 rostos de pessoas que influenciam diretamente o que se denomina “cultura brasileira”. Algumas você vai descobrir, outras conhecer e entender melhor. Então poderá opiniar, apresentar a discussão a amigos, escrever reflexões, fazer novas provocações e agir. Se, com o passar dos dias, você e todos nós que orbitamos em torno desta plataforma tivermos uma noção mais complexa do que é a tal “cultura brasileira”, pronto, chegamos ao ponto. Fonte: Produção Cultural no Brasil.
Como nosso pé está fincado na fotografia, colocamos aqui como exemplo a entrevista do fotógrafo Thomaz Farkas, cujo trabalho, aliás, tem muito a ver com todas as questões, dificuldades e alegrias da tal produção cultural. Melhor deixar ele mesmo falar.
Veja o artigo completo sobre Thomaz Farkas.
O projeto inaugura sua fase de testes com 23 vídeos. A partir de hoje, será disponibilizada uma nova entrevista por dia útil, até acabar o estoque. Veja, leia, comente, espalhe, divirta-se.
maio 3rd, 2010 §
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fevereiro 25th, 2010 §
Editar um ensaio fotográfico é sempre uma tarefa difícil de executar, às vezes até dolorosa. Multiplique a tensão por três (no nosso caso) e você terá uma ideia do que é editar em um coletivo. Se no processo de captação o diálogo é conceitual, propositivo, na hora da edição é que vem o verdadeiro exercício de coletividade. Quando a proposta é criar um ensaio coeso envolvendo três visões que podem ser parecidas, mas nunca iguais, é preciso avaliar muito bem as posições do indivíduo e do coletivo – até onde vão os limites de um e de outro – e é aí que o papo esquenta.
O bom é que esse processo é sempre construtivo – pelo menos no nosso caso, felizmente. O ensaio, no final, reflete não apenas as pontas do triângulo, mas a sua superfície – ou seja, o diálogo entre os três.
Tudo isso para dizer que estamos no processo de edição do trabalho que levaremos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, que acontece em Madri no mês de maio. Decidimos dar sequência a um trabalho que iniciamos no ano passado, sobre o muro que foi construído na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro. Na verdade, decidimos reiniciar o trabalho em uma nova proposta, trabalhando e experimentando com formatos analógicos (bem variados, por sinal).
O trabalho ainda não está finalizado – colocamos as fotos na parede e estamos “namorando” a proposta de montagem. Publicaremos aqui quando estiver tudo pronto. Por enquanto, como diria Pedro Bial, é só uma espiadinha.


fevereiro 10th, 2010 §
Hoje inaugura a 1500 Gallery, em Nova York. Gostaríamos muito de estar lá (presencialmente). Não apenas para ver nosso trabalho impresso em tamanho grande, exposto na galeria, ou pelas caipirinhas grátis que serão servidas, ou porque estar em NY é sempre muito bom… mas também porque acreditamos na proposta da galeria desde a primeira conversa com Alex, um dos sócios. Fotografia brasileira, seja ela feita por brasileiros ou não.
Temos duas séries lá: uma sobre habitação em São Paulo, e outra sobre o deserto do Atacama. Muita gente legal está no acervo, alguns que já conhecíamos, alguns bons amigos, outros que descobrimos agora. Outra coisa legal da 1500 é que as imagens serão vendidas em séries maiores (as nossas ficam entre 50 e 100 cópias), a preços mais acessíveis (pelo menos para o mercado de fine art).
Portanto, como não estaremos lá presencialmente, repassamos o convite a quem estiver em NYC, ou conhecer alguém que está ou vive na cidade.
Segue o convite:

E a página da galeria no Facebook.
agosto 10th, 2009 §
Liz Baylen é uma dessas fotógrafas que dá gosto de ver.
Seu trabalho é absolutamente impecável, seja em conteúdo, técnica ou intimidade com os assuntos que fotografa.
Há pouco, vasculhando alguns links, encontrei um áudio slideshow com uma ótima matéria fotografada por ela.
Liz fotografou a pauta “waiting for death” para o LA Times e aqui se vê um ótimo exemplo de complementariedade entre texto e elementos multimidiáticos. O texto com a matéria no site nos leva a um mergulho por algumas características de seu personagem, o sr. Edwin, com seus 90 anos de idade e consciente de não ter mais muito tempo de vida.
Passagens textuais como:
“Would you like a pain pill?”
“Yes.”
“Tramadol or Vicodin?”
“I don’t care.”
Demonstram que não apenas Liz, mas o repórter Thomas Curwen também mergulhou na história e soube encontrar cada passagem, cada fala de seu entrevistado.
Balanceando o texto aparecem lindas fotos, 6×6, retratando o cotidiano de Edwin que se compara a estátua envelhecida em seu quintal.
Um harmonioso exemplo que poderia muito bem pautar o jornalismo online da grande mídia brasileira.

maio 1st, 2009 §
Fomos convidados pela organização do SP Photo Fest para entrevistar o fotógrafo britânico Martin Parr, que vem ao Brasil na próxima semana e dará palestra no Museu da Imagem e do Som (MIS) no dia 12 de maio.
Martin, na nossa opinião, tem um dos trabalhos mais originais e provocativos da atualidade, um olhar que chega a ser estranho dentro do classicismo da Magnum, agência da qual é membro. Parr chegou a ser criticado por Henri Cartier-Bresson, que considerava o seu trabalho não uma documentação, mas uma gozação com os seus personagens. Por essas e outras, somos fãs declarados do cara.
Dada a responsabilidade do convite, e considerando os nossos ideais enquanto coletivo fotográfico, resolvemos tornar a própria construção da entrevista um processo coletivo. O espaço de comentários abaixo está aberto a sugestões, perguntas, críticas, discussão. Nosso roteiro para a entrevista se baseará na conversa que tivermos por aqui. Portanto, participem.
O evento terá tradução simultânea e será transmitido ao vivo pela internet, com espaço para participação do público presencial e online. Acompanhe aqui: http://garapa.org/martin-parr-ao-vivo
Lembrando: a entrevista acontece no dia 12 de maio, das 19h30 às 21h30, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.
O MIS fica na Av. Europa, 158, no Jd. Europa (veja o mapa). Mais informações em http://spphotofest.com.br.
Abaixo, uma lista de links para “fomentar o debate”:
Currículo de Martin Parr (PDF) (inclui uma ótima entrevista com Martin realizada em 2007);
Press Release – Martin Parr no MIS (PDF);
Página de Martin Parr na Agência Magnum;
No YouTube: Parr fala sobre o seu trabalho (Parte 1 e Parte 2);
Página sobre Martin Parr na Wikipedia;
Site oficial de Martin Parr.
novembro 6th, 2008 §
outubro 15th, 2008 §
Iniciamos aqui as Alcoólicas, sessões de papo fotográfico (ou não) regadas a qualquer bebida que esteja disponível. A idéia é simples: garrafas abertas, gravador no centro da roda, câmeras espalhadas e…
Para estrear a seção, fomos até a casa da Cia de Foto.
Clique nos botões para ouvir trechos da conversa. Para ouvir todos na seqüência, basta clicar em um botão e controlar o player.
É quase meia-noite quando João apanha a nossa câmera, então em algum ponto do chão do estúdio, e declara esta uma produção coletiva. Estamos, talvez, já na quarta hora desse papo que durará mais de cinco. Sem saber mais de quem eram as fotos, esse conteúdo visual, que embaralha dois coletivos, despretensiosamente mantém a sua autoria enquanto reforça os telhados, já que a chuva é de pedras.
Nas definições enciclopédicas da palavra coletivo, sobram referências naturais como alcatéia, colméia, bando, arquipélago. A que mais nos chamou a atenção, no entanto, foi revoada. Segundo o Michaelis, revoada (re.vo.a.da), no coletivo, corresponde a um bando de aves que voa de volta ao seu ponto de partida.
Durante o nosso papo, Pio citou esse ponto de partida por diversas vezes, seja na revisitação que a fotografia faz a todo momento , seja citando Cartier-Bresson e Robert Capa. Somos então não muito mais do que pássaros que preferem voar em companhia, e que só querem circular e voltar ao ponto que chamaram de partida. Assim, se torna natural que os desavisados ainda usem estilingues e pedras contra a revoada.
As pedras, no caso da Cia, são muitas vezes as comparações com a linguagem publicitária, rebatidas por Pio , ou o questionamento sobre o tratamento de imagem .
Percebemos, na conversa, que a Cia enxerga as pedras pelo caminho, mas sem tropeçar. Como, por exemplo, quando o João foi premiado com o World Press Photo e imediatamente celebrizado , sem que a discussão envolvesse a participação do coletivo como um todo, seja na preparação , mérito ou no próprio questionamento da autoria .
Outro caso semelhante é o do jovem fotógrafo Ronaldo Camelo, ganhador do Prêmio Porto Seguro na categoria revelação, que teve o suporte da Cia de Foto para desenvolver seu projeto .
A questão da autoria foi um dos fios condutores da nossa conversa, já que essa reunião de mais de 5 horas se originou a partir do questionamento sobre autoralidade individual x coletiva em uma lista de discussão sobre fotografia.
A pergunta sobre quem é a Cia de Foto não pode ser respondida sem que se saiba como ela funciona: quem a anula e como são pensadas e quebradas internamente as suas hierarquias . Uma resposta é simples, no entanto: o modelo proposto pelo coletivo é, sim, funcional .
Talvez todas essas pedras possam ser resumidas à crise em que o fotojornalismo se encontra, como lembrou o Rafael, em um momento em que as artes dialogam com a realidade muitas vezes com mais propriedade do que a fotografia de periódicos .
É também no contexto dessa crise que o sindicalismo fotográfico e o pensamento burocrático, na defesa da “reserva de mercado”, se mostram refratários a mudanças e resistentes a quem queira quebrar as supostas regras .
Foi explorando esses diversos caminhos que a Cia chegou à internet, abrindo mão do velho mantra fotográfico da cópia em papel, e se mostrando em pêlo no Flickr , inserindo-se assim em discussões sobre Creative Commons e copyright .
Quanto ao filho mais novo do grupo, o blog, os “Cias” assumem seu lado “fotógrafo-preciosista”. A atualização é lenta, porque tudo precisa ser bem pensado, trabalhado e digerido antes de ir pro ar .
Saímos da Cia depois da 1h da madrugada, com as pedras já desfeitas em pó, e com a certeza de que aquele momento coletivo ímpar caminhava para sua multiplicação, mesmo que apenas de garrafas .
Mais:
Música: Supertalented – You’re Wrong – Birdsong Netlabel.
Para levar:
Para fazer download do vídeo, clique aqui (clique com o botão direito, em seguida “Salvar como”).
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setembro 25th, 2008 §
Participamos, nessa quinta-feira, às 16h, do programa FS TV, realizado pelo Fotosite e transmitido ao vivo pelo FS Online e pelo Terra TV. O tema do debate são os blogs fotográficos e as possibilidades do uso da web pelos fotógrafos.
Nos acompanha no bate-papo o fotógrafo Bruno Miranda, da agência Na Lata e do blog Copromancia; pelo telefone, participam Alexandre Belém, do Olha, Vê, e Simoneta Persichetti, todos fotógrafos-blogueiros. Envie suas perguntas e sugestões de blogs pelo e-mail fotosite@fotosite.com.br.
Portanto, se você está lendo esse post antes das 16h, clique aqui para assistir à entrevista ao vivo. Do contrário, clique no mesmo link para assistir à entrevista gravada.
Aguarde também por aqui os nossos comentários.
julho 8th, 2008 §
Por alguns dias, garapa virou guarapo. Acabamos de passar 20 dias em terra estrangeira, expandindo os horizontes pela América Latina. Começamos pela Cidade do México, onde participamos do Foundry Photo Workshop, um evento que reuniu dezenas de fotojornalistas e aprendizes do mundo inteiro.
Entre as diversas discussões que tivemos, conseguimos puxar um pouco a conversa para alguns tópicos que nos tocam diretamente. Primeiro, a necessidade de uma maior integração dos profissionais latino-americanos. Uma das questões que discutimos foi a abertura da grande mídia a profissionais locais, ou “por que é que os jornais enviam um fotógrafo americano para cobrir conflitos no Haiti?”. Claro que a pergunta não foi respondida, mas isso motivou uma discussão bem interessante e contatos promissores.
Parênteses: se esse assunto lhe interessa, entre na comunidade Nuestra Mirada, criada para integrar os profissionais latino-americanos.
Outra discussão derivada da primeira foi relacionada à própria idéia de grande mídia – no caso, grande mesmo, Time e Newsweek, por exemplo. Mais uma vez, o acordo entre os jovens fotógrafos foi de que há a necessidade de buscar outros caminhos, há um mundo inteiro a ser explorado. Nunca na História foi tão fácil produzir e distribuir conteúdo; se o famigerado mercado não paga por esse conteúdo, então que se crie um mercado novo, alternativo. E bola pra frente.
Além de toda a discussão, precisávamos produzir. No período da nossa estadia no México, um grupo de trabalhadores rurais sem terra – Movimiento de Los 400 Pueblos – acampava em uma praça na região central da cidade. Duas vezes ao dia, eles tiravam as roupas e se postavam nus em frente a uma das principais avenidas da capital mexicana, batucando e gritando por “respuesta”, sempre cercados por um cordão de policiais que se limitavam a assistir à manifestação diariamente.
Resolvemos, então, documentar um pouco do cotidiano e dos anseios desse grupo, e chegamos ao mini-documentário que acompanha esse texto: Tierra Desnuda.
Depois do México, seguimos para Havana, Cuba, mas isso é assunto para outro post.
Para levar:
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