Morar (2009)

maio 9th, 2010 § 0

Documentário que acompanha os últimos dias em que o Edifício Mercúrio ficou habitado. O edifício, localizado no centro de São Paulo, próximo ao Mercado Municipal, foi desocupado pela Prefeitura em fevereiro de 2009, como parte do projeto de revitalização da área. O vídeo acompanha o ensaio fotográfico de mesmo nome.

INFO:
- Idioma: Português, sem legendas;
- Produção, captação, edição e plataforma web: Coletivo Garapa;
- Assistência de produção: Damyler Cunha.
- Trilha sonora: Panic Ensemble;
- Licença: Creative Commons BY-NC-SA.

LINK:
- Plataforma online experimental desenvolvida para o documentário.

Morar

maio 3rd, 2010 § 2

“É melhor morar em ocupação do que na rua.”

junho 17th, 2009 § 10

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O Edifício Prestes Maia já foi a maior ocupação vertical da América Latina. Passou mais de 12 anos abandonado, acumulando 4 milhões de reais em dívidas com a Prefeitura, até que 468 famílias resolveram tomar os seus apartamentos e corredores. A ocupação durou quase 5 anos. No dia 15 de Junho de 2007, o prédio foi totalmente desocupado e lacrado.

Poucos meses antes, muitas das famílias que viviam no Prestes Maia se mudaram para um novo endereço ali perto, em frente à Estação da Luz. Na madrugada do dia 25 para 26 de março daquele ano, essas famílias ocuparam o número 340 da Rua Mauá. O edifício, que esteve fechado por 10 anos e que nos seus tempos áureos abrigou o Hotel Santos Dumont, passou a ser habitado por cerca de 120 famílias, que se engajaram na recuperação do prédio.

Foi lá que conhecemos melhor os habitantes desta São Paulo que São Paulo não faz questão de conhecer, ou reconhecer: uma grande maioria de migrantes nordestinos que ergueram prédios, abriram avenidas, cuidaram de lares e hoje não têm seu direito à moradia respeitado.

Publicamos parte deste material na primeira edição brasileira da revista Vice, lançada este mês. Para quem quiser ver, o link é http://www.viceland.com/br/v1n0/htdocs/squat-thrusts-880.php?country=br. Por aqui, confira uma edição mais pessoal do trabalho.

Alguns depoimentos:

“Minha bisneta está desaparecida, fugiu de casa com uma amiga. A avó dela sonhou que ela estava afogada em uma cachoeira, mas a gente ainda acredita que ela esteja viva. A mãe está grávida de mais um, e assim a gente vai vivendo. Não é fácil morar em São Paulo, uma cidade tão rica, mas tão cheia de pobreza. Eu tenho parentes morando debaixo do Minhocão, passando fome, frio, medo. É melhor morar em ocupação do que na rua.”
Maria do Carmo, ou vó, como é carinhosamente conhecida, mora na antiga zeladoria do hotel.

“Eu morava de aluguel num cortiço na Rio Branco, mas daí alagou lá e eu perdi tudo, roupas, móveis… aí eu, meus 3 filhos e meu marido viemos morar aqui porque uma colega conseguiu esse quarto pra nós. Atualmente, meu marido está desempregado, mas faz um bico aqui, um bico acolá e assim a gente vai juntando alguma coisa”.
Cacilda da Silva.

“Agora ele tá bem, mas quando chegou no hospital ninguém dizia que ia viver. Os médicos chegaram a jogar fora um pedaço do crânio dele porque achavam que ele já estivesse morto, e agora ele precisa fazer a cirurgia pra colocar uma placa. Ele também precisa de uma cadeira de rodas, porque está ficando com desvio na coluna porque não tem mais firmeza nas pernas. Tudo por causa do meu ex-marido. Já fazia 7 meses que a gente estava separado mas ele não aceitava a separação. Aí, pra me atingir, ele entrou em casa, deu um tiro no meu filho, na minha mãe e se matou depois. Comigo ele não quis fazer nada, quis me deixar sozinha, sofrendo. Mas Deus é justo, deixou meu filho e minha mãe vivos. Com minha mãe não aconteceu nenhuma sequela, só com o Arturzinho.
Roberta Sílvia Guimarães Dutra e Arthur Guimarães Dutra.

“Uma vez eu fui convidada para uma apresentação no exterior por causa do movimento, pra apresentar o MSTC (Movimento Sem-Teto do Centro) lá fora. Daí, quando eu cheguei, meu marido tinha pintado o apartamento e escrito esse “Eu Amo Você” na parede. É bom né, chegar e ver uma coisa assim, ainda mais pra nós que passamos tanto tempo lutando por moradia, pelo nosso espaço, pelos nossos direitos”.
Ivaneti de Araújo, coordenadora do MSTC.

O Muro

junho 17th, 2009 § 22

Algumas semanas atrás, fomos convidados a colaborar com o jornal americano Wall Street Journal, em uma pauta que imediatamente nos atraiu pelo ‘potencial multimídia’: ir ao Rio de Janeiro para conversar com moradores sobre a construção de um muro entre a favela Santa Marta e um trecho de mata atlântica. O assunto é contraditório por natureza, e colocou o governo do estado do Rio de Janeiro sob uma chuva de críticas (até o Saramago entrou na onda).

A matéria do WSJ foi ao ar esta semana, com um slideshow e um trabalho interativo relacionando o muro no RJ a outros muros pelo mundo (Bagdá, Israel, Berlim…). Segue o link: http://online.wsj.com/article/SB124501964322813585.html. Confira abaixo a nossa edição do trabalho, acompanhada dos depoimentos de alguns dos moradores do morro.

Saiba mais sobre o muro:
Matéria do jornal O Globo em 27 de março de 2009;
Editorial do Observatório de Favelas em 29 de abril de 2009.

P.S.: Agradecimentos especiais a Lucas Zappa. A trilha é de Gabriel Garcea, obtida sob licença Creative Commons no Jamendo.com.

“Habite-se” na Galeria Olido

abril 12th, 2009 § 5

Durante pouco mais de um mês, juntamos esforços com um grupo de profissionais – artistas, curadora, cenógrafa – para colocar dentro de um espaço público um trabalho que consideramos de relevância também pública. Nasceu assim a exposição Habite-se, que reúne na Galeria Olido uma seleção de trabalhos que buscam retratar o cotidiano e as histórias dos agora ex-moradores dos edifícios São Vito e Mercúrio.

Os dois gigantes, comumente fundidos sob a alcunha de “treme-treme”, foram desapropriados pela Prefeitura de São Paulo dentro de projetos de revitalização do centro da cidade; o São Vito em 2004, na gestão Marta Suplicy, e o Mercúrio em fevereiro deste ano, já na gestão Gilberto Kassab.

À parte gestões, processos, projetos, o fato é que todas essas pessoas, a maioria trabalhadores do próprio centro, receberam, certo dia, um aviso dizendo que as suas casas não seriam mais suas. O que os trabalhos que compõem Habite-se têm em comum é o foco nas pessoas e em suas histórias, no impacto da mudança sobre a vida de cada um dos retratados.

Além de parte do nosso ensaio Morar, sobre o edifício Mercúrio, estão presentes os trabalhos da documentarista Camila Mouri e dos fotógrafos gUi Mohallem, Antonio Brasiliano e Fabiano Cerchiari, todos sobre o São Vito. A curadoria é de Rita Toledo Piza e a cenografia de Veronica Arias.

Portanto, estão todos convidados. A abertura será no dia 15 de abril, às 19h, e estarão presentes artistas e ex-moradores. A exposição ficará em cartaz até o dia 30 de maio. A Galeria Olido fica na Av. São João, 473, em São Paulo.

Ensaio: Morar

fevereiro 17th, 2009 § 28

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Já se vão mais de 19 meses desde que alguém da Garapa entrou pela primeira vez no edifício São Vito, na região central de São Paulo. Dali nasceu a idéia de registrar os apartamentos “vazios”, cheios ainda de memórias de moradores que se foram já há quase 5 anos. Em abril de 2004, a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão Marta Suplicy, desapropriou o São Vito, cadastrando proprietários e inquilinos com a promessa da reforma do prédio popularmente conhecido como Treme-Treme.

Com a chegada da administração Serra/Kassab, o projeto de reforma foi abandonado e a idéia de derrubar os prédios tomou força. Reeleito, Gilberto Kassab fez desse fato uma de suas primeiras plataformas de ação, iniciando o processo de desocupação do prédio conjugado ao São Vito, o edifício Mercúrio.

No dia 01 de dezembro de 2008, aproximadamente 50 guardas civis metropolitanos subiram os 24 andares do edifício colando ordens de despejo em cada um dos 6 apartamentos que compõem cada andar. Assistentes sociais informavam os moradores de que eles tinham duas semanas para deixar os apartamentos. Caso desobedecessem, teriam seus pertences colocados na rua.

Foi em meio a esse clima de tensão e expectativa que conhecemos um pouco das 34 famílias que ficaram no edifício após o prazo dado pela prefeitura.

Dona Selma, Cláudia, Maria, Lili, Joyce e tantos outros (a maioria mulheres) foram contando as suas histórias, muitas delas vividas dentro do edifício. Deram, assim, a sua perspectiva de moradia, questionando enfim a destruição de quase 800 apartamentos em uma cidade marcada por um imenso déficit habitacional.

A resistência, porém, não durou muito. Menos de dois meses após o prazo estipulado pela prefeitura, na manhã de 11/02, as famílias amanheceram novamente com a presença da polícia e, no espaço de 12 horas, o prédio foi desocupado e totalmente lacrado.

Algumas famílias conseguiram alugar apartamentos às pressas; outras estão em casas de amigos e parentes. Já os 144 apartamentos do Mercúrio começam a trilhar o mesmo caminho das 624 unidades do São Vito: mobílias que não puderam ser transportadas, objetos que se perderam pelo chão, lembranças deixadas pra trás do que um dia já foi mais vivo.

Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.

Para saber mais:
- Matéria do jornal O Globo sobre a desapropriação do Ed. São Vito (29/11/2006);
- Matéria da revista Vitruvius sobre o antigo projeto de requalificação do São Vito (10/2004);
- Matéria do portal G1 sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Matéria da jornalista Renata Bessi, publicada no Centro de Mídia Independente, sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Um mapa para entender onde acontece tudo isso.

cuidado

fevereiro 3rd, 2009 § 0

Morar

fevereiro 1st, 2009 § 2



“Nosso modelo de urbanizar produz esses assentamentos precários. Pelo menos, agora temos uma idéia de que é preciso intervir no passivo, urbanizar as favelas. Mas o grande desafio é: como evitar a formação de novas? Isso só vai acontecer quando, finalmente, reconhecermos a moradia adequada como um direito dos cidadãos e garantirmos que os pobres tenham acesso à terra. No fundo, esta é a raiz de questões aparentemente distintas, como a dos quilombolas, dos sem-terra, dos indígenas e a dos posseiros urbanos. Hoje, temos recursos para construir a casa, mas não temos o chão. Esse é o pacto socioterritorial que o Brasil precisa fazer. Não da forma como é hoje, como se oferecer infra-estrutura, dignidade, fosse um favor que o governante faz: “Ele olhou para nós”. Isso não deveria ser negociado.”

Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, relatora especial da Organização das Nações Unidas para assuntos de moradia, em entrevista publicada na Carta Capital de setembro de 2008.


Para levar:

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vista

janeiro 29th, 2009 § 0

movimento

janeiro 26th, 2009 § 0