Está no ar, enfim, o mapa-mundi do projeto “A Moment in Time“, do New York Times. O interessante é que o sucesso da experiência foi maior do que esperavam os seus criadores – eles não conseguiram absorver a imensa quantidade de imagens enviadas pelo público – por isso o atraso. Na imagem abaixo, encontramos uma das nossas fotos no mapa interativo.

Homenagem aos garapeiros que trabalharam no domingão.
Clique aqui para ver as outras fotos que enviamos.
Faz pouco mais de um mês que espalhamos, por nossa rede de contatos, o link da Garapa. Um mês atrás, estávamos ainda um pouco inseguros quanto à recepção que teríamos, já que estamos trabalhando com um formato que, apesar de não ser tão novo assim, ainda é pouco difundido no Brasil.
Trinta e poucos dias depois, colecionamos uma série de citações e comentários sobre o nosso trabalho. Começou na comunidade fotográfica, com os blogs 28mm, do Henrique Manreza, Granulado, da Carla Romero, e Lost Art, de Louise Chin e Ignácio Aronovich.
“A iniciativa merece aplausos e é um chute no traseiro dos jornais brasileiros que acham que internet é só publicar os textos das edições impressas sem fotos ou qualquer conteúdo adicional.” Ignacio Aronovich.
Depois, foi a vez da comunidade ligada ao chamado webjornalismo. O Rodrigo Savazoni começou a série pelo seu blog, republicando o material em seguida no Overmundo e Observatório da Imprensa:
“Se você navega por sites gringos, com o olho condicionado, encontra reportagens de altíssima qualidade. Isso é resultado da explosão do jornalismo digital nos últimos dois anos. Texto, áudio, vídeo, foto, mashups, mapas reunidos por criativos jornalistas resultam em histórias contadas de um jeito que jamais se viu. Alguns chamam de multimídia. Eu gosto da expressão hipermídia.
No Brasil, esse processo é mais lento. Pouca gente, até agora e infelizmente, apostou em boas reportagens digitais. [...]
Fehlauer, Caobelli e Marcondes resolveram entrar nessa briga. Por enquanto, estão fazendo na raça. Logo logo, espero, alguém vai sacar e vai bancar para eles condições de seguirem aperfeiçoando essa linguagem.”
Dali, a notícia percorreu os caminhos tortuosos da rede. Fomos parar no blog do GJOL, Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online, da UFBA, coordenado pelo prof. Marcos Palacios, e até em Portugal, no Ponto Media, blog do prof. António Granado, da Universidade Nova de Lisboa, referência em pesquisa sobre jornalismo online.
Mais do que fazer um mero ‘afago egocêntrico’, o que queremos mostrar com esse texto é a repercussão de uma idéia. Em vez de reclamar da falta de espaços para mostrar o nosso trabalho, resolvemos criar o nosso próprio, e assim nos inserimos nessa rede de possibilidades que é a internet.
Como bem lembrou Ignácio Aronovich, citando Jello Biafra, “don’t hate the media, become the media.” (não odeie a mídia, seja a mídia).
Mais citações:

Foto alterada digitalmente pela revista IstoÉ
Como fotojornalistas, e como cidadãos, sentimo-nos na obrigação de declarar nosso repúdio à recente publicação, pela Revista IstoÉ, de uma foto alterada digitalmente, como os caros leitores podem verificar pelas cópias de tela que acompanham esse texto.
A foto original foi feita pelo fotógrafo Cristiano Machado, publicada e comercializada pela Folha de S. Paulo. Como podem perceber, a inscrição “Fora Serra” foi apagada na versão da IstoÉ.

Em texto publicado na Folha de S. Paulo de hoje, 10 de abril, o editor-executivo da agência IstoÉ confirmou a alteração e pediu desculpas:
Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética.” Ele afirmou, por telefone, que “não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido”.
O debate sobre a manipulação de imagens no jornalismo não é novo, mas não lembramos de ninguém, em nenhum fórum, que tenha sinceramente defendido a prática. A alteração feita pela IstoÉ foi, além de claramente ideológica (apesar de a revista negar), leviana, e desrespeitosa tanto com o fotojornalista autor da imagem quanto com o leitor da revista.
Acreditamos que o trabalho jornalístico, como todos os outros, deve ser feito com honestidade e transparência, independente de posições políticas/editoriais. No momento da leitura, trava-se um pacto de confiança entre leitor e veículo, pacto esse que percebemos ter sido quebrado pela revista.
Felizmente, temos a internet como um espaço aberto de debates no qual tais atitudes não passam despercebidas. Felizmente, podemos contar com o público para inibir ações inaceitáveis como essa.
Mais: