Recentemente, voltou à pauta o debate sobre a duração do sigilo de documentos secretos no Brasil, entre eles, os documentos relativos ao período da ditadura militar. Em meio a essa discussão, a Pública, uma agência de reportagem e jornalismo investigativo, produziu uma extensa reportagem que revisita uma das histórias mais obscuras do regime militar: a guerrilha do Araguaia.
Produzimos o video abaixo em parceria com a Pública, a partir do acervo que faz parte de um processo judicial iniciado em 1982, mas que só começou a dar resultados em 2003, quando foi promulgada sentença que obrigava a União a promover buscas de corpos, exigir a entrega de documentos pelos militares e colher depoimentos de pessoas envolvidas.
Entre os relatos, estão dados reveladores sobre a participação forçada de camponeses nas atividades de repressão, entre outros.
Considere algumas palavras muito em voga nos dias de hoje: rede, multimídia, sustentável, colaborativo. São conceitos que se relacionam com novos modelos de produção, distribuição, consumo, relacionamento; um novo modelo de sociedade – possível, esperamos.
Quando fomos convidados a pensar uma proposta de comunicação online para a revista Página 22, uma referência no tema da sustentabilidade, vimos uma oportunidade de juntar estas palavras em um projeto que tivesse a cara do momento em que vivemos.
A proposta do site é, além de divulgar o conteúdo da revista impressa, ampliar perspectivas. Para tanto, temos dois blogs, agenda, um espaço para divulgação de iniciativas de ciberação, além do conteúdo multimídia que já é marca do trabalho da Garapa (que também pode ser visto no canal da revista no Vimeo).
O site foi desenvolvido em WordPress, uma ferramenta livre, de código aberto (a mesma que gerencia o nosso site). O projeto saiu da Garapa para as mãos da designer Cátia Kitahara e do HackLab.
Segundo a própria equipe da revista, “Está na ideia de rede o conceito chave dos novos tempos. À luz e semelhança dos ecossistemas, é estratégica a reorganização da sociedade e da economia com base no entendimento de que tudo e todos estão interligados. PÁGINA22 acredita que uma sociedade mais justa, em equilíbrio com o ambiente e que proporciona vida de qualidade para todos somente poderá ser construída em conjunto, com o maior envolvimento possível de participantes que também acreditam nessa causa.”
Trata-se de um site-reportagem multimídia e interativo que investiga a trágica história de um acidente ambiental ocorrido no interior do RJ. No dia 18 de novembro de 2008, a empresa Servatis, localizada na cidade de Resende, deixou que milhares de litros do pesticida Endosulfan atingissem o rio Pirapetinga, afluente do Paraíba do Sul, principal fonte de abastecimento de água do estado.
O site especial traz textos, fotos, áudios, vídeos e um mapa, formatos que se entrecruzam nas diversas peças e pontos-de-vista que compõem o quebra-cabeças. O formato, relativamente conhecido nos Estados Unidos e Europa, é, até onde sabemos, inédito no Brasil. A inspiração inicial foi o trabalho “Condition: Critical“, produzido pela americana MediaStorm para a organização Médicos Sem Fronteiras.
Além disso, a reportagem se aproxima do conceito de Jornalismo Open Source, disponibilizando grande parte do material captado para download gratuito, sob licença Creative Commons. A proposta, com essa decisão, é tornar mais transparente o processo de produção de informação.
Outro dado interessante é que, exceto pelos softwares de edição de foto e vídeo, todo o trabalho foi produzido utilizando ferramentas gratuitas disponíveis na rede, como o Blip.tv e Umapper, além do WordPress, ferramenta de publicação que foi adaptada para a reportagem.
Um dos motivos pelo qual escolhemos o jornalismo, e dentro dele a fotografia, é a possibilidade de aprender a cada foto, a cada entrevista. É a curiosidade que faz o jornalista, essa disposição constante para ouvir e contar histórias.
Pois bem. Hoje, 1o. de dezembro, é celebrado mundialmente o Dia de Luta Contra a Aids. Há algumas semanas, fomos convocados pela MTV para produzir algo sobre o assunto para o quadro MTV Pública. Passamos horas, dias, discutindo, decidindo o que fazer e como sair dos clichês e cartilhas para falar da realidade.
Resolvemos então que mais importante do que qualquer discurso seria encontrar pessoas portadoras do HIV que topassem falar, de cara limpa e abertamente, na televisão. Foi aí que começou a aula.
Conhecemos três exemplos de muita coragem e determinação. O primeiro foi Beto Volpe, de São Vicente – SP, soropositivo há 19 anos. Em seguida, conversamos com Valdemar Alves Ferreira, que também convive com o vírus há 19 anos e, por último, com Sílvia Almeida, portadora do HIV há 14 anos.
Julgamos que seria interessante colocar as visões dessas pessoas lado a lado com a opinião de jovens não-portadores, a fim de criar esse diálogo entre o jovem, exposto ao risco e ao constante embate entre medo e liberdade, e pessoas que vivem bem, felizes, embora conscientes de suas limitações.
Além das pílulas que fizemos para a MTV, publicamos aqui trechos maiores das entrevistas que fizemos com nossos três personagens. Todos os vídeos são distribuídos sob uma licença Creative Commons, o que aqui significa que eles são livres para reprodução, publicação, distribuição e remixagem em qualquer veículo, desde que mantidos os créditos. A trilha incidental é do álbum Ghosts, da banda americana Nine Inch Nails, também distribuída sob Creative Commons.
Os vídeos, enfim:
Procuramos manter uma boa qualidade visual, o que às vezes torna os vídeos um pouco pesados (especialmente os depoimentos mais longos). Se a sua conexão não permitir a reprodução direta, pause o vídeo e aguarde o carregamento completo. Ou veja no YouTube.
Acompanhei o caso Isabella Nardoni desde o início das investigações. Sempre me despertou atenção o modo como a imprensa se apropriou da história, talvez por falta de notícias, criando assim um enredo de telenovela para ser acompanhado diariamente, ou como querem alguns canais de tv, minuto à minuto. Os registros são de dois dias de plantão: a noite do dia 10 de abril, quando todos os repórteres esperavam o pedido de habeas corpus pela defesa do casal, e o dia seguinte, quando Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram soltos, despertando as mais diversas reações nas pessoas presentes.
A trilha sonora usada, além dos áudios ambientes e entrevistas é Electric Counterpoint Fast, de Steve Reich.
Como fotojornalistas, e como cidadãos, sentimo-nos na obrigação de declarar nosso repúdio à recente publicação, pela Revista IstoÉ, de uma foto alterada digitalmente, como os caros leitores podem verificar pelas cópias de tela que acompanham esse texto.
A foto original foi feita pelo fotógrafo Cristiano Machado, publicada e comercializada pela Folha de S. Paulo. Como podem perceber, a inscrição “Fora Serra” foi apagada na versão da IstoÉ.
Em texto publicado na Folha de S. Paulo de hoje, 10 de abril, o editor-executivo da agência IstoÉ confirmou a alteração e pediu desculpas:
Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética.” Ele afirmou, por telefone, que “não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido”.
O debate sobre a manipulação de imagens no jornalismo não é novo, mas não lembramos de ninguém, em nenhum fórum, que tenha sinceramente defendido a prática. A alteração feita pela IstoÉ foi, além de claramente ideológica (apesar de a revista negar), leviana, e desrespeitosa tanto com o fotojornalista autor da imagem quanto com o leitor da revista.
Acreditamos que o trabalho jornalístico, como todos os outros, deve ser feito com honestidade e transparência, independente de posições políticas/editoriais. No momento da leitura, trava-se um pacto de confiança entre leitor e veículo, pacto esse que percebemos ter sido quebrado pela revista.
Felizmente, temos a internet como um espaço aberto de debates no qual tais atitudes não passam despercebidas. Felizmente, podemos contar com o público para inibir ações inaceitáveis como essa.
Para mostrar a possível (e viável) aplicação de recursos multimídia no jornalismo diário, produzi esse slideshow sonoro sobre um recente acidente ocorrido na Zona Norte de São Paulo. Na segunda-feira, 31 de março, um caminhão cheio de material de construção invadiu uma casa, matando a dona-de-casa Maria José da Silva, de 54 anos, e ferindo duas de suas filhas.
Captei todo o material durante mais ou menos duas horas, enquanto fazia a cobertura do acidente. Utilizei um gravador de áudio e uma câmera fotográfica. A edição foi feita em mais duas horas, com dois softwares: para o áudio, GarageBand, da Apple; para o slideshow, o programa Soundslides. Simples, rápido e eficiente, além de trazer um ótimo “bônus” para o leitor. Basta disposição e interesse. Confiram e comentem!