São Paulo é bonita porque é feia

janeiro 25th, 2010 § 6

Mil graus na terra da garoa – Sérgio Vaz

São Paulo é uma cidade no cio. Por isso, transa com todo mundo e em todos os lugares. É bonita porque é feia, e como toda feia que se preza, beija mais gostoso. Que os Vínicius me perdoem, mas feiúra é fundamental.

Do alto do prédio ou na superfície da alvenaria, a cidade dói nos olhos dos inocentes que transitam nas calçadas. De onde eu a vejo, minhas retinas são seletas e de como eu a vejo, as esquinas são espertas. A cidade de São Paulo, que está no mapa, não é todo daquele tamanho, muita gente já tirou um pedaço, que faz muita falta na mesa do jantar, ou depositou em conta corrente, que nada contra a corrente, de quem ama esse lugar.

Essa maçã mordida que a massa não come, constrói o luxo que alimenta o lixo escondido debaixo do tapete. Essa cidade não é minha e não devia ser de ninguém, mas ela existe, e todo ano faz aniversário.

(leia o texto inteiro aqui)


* Veja o PDF aqui.

Nossa homenagem a São Paulo está na Revista da Folha de domingo (24/01), junto a três outros coletivos paulistanos: Cia de Foto, Galeria Experiência e SX70. O trabalho inclui também um video de cada coletivo, que podem ser vistos no site da Folha. Para quem não viu a revista, o amigo Alexandre Belém publicou os PDFs no OlhaVê.

Top Semanal – Sétima edição

novembro 17th, 2008 § 1

Sétima edição (intermitente) do top garápico semanal. Uma foto por semana é definitivamente mais fácil de conseguir. Mais do que divulgar o nosso trabalho, essa seção é um exercício para o olhar, nos obrigando a fotografar diariamente, mais por prazer do que simplesmente trabalho. É isso, até a próxima semana!


Leo Caobelli



Paulo Fehlauer


Rodrigo Marcondes
Rodrigo Marcondes

Lágrimas de Capivara

maio 26th, 2008 § 5

Há tempos venho me pressionando para postar algo no blog. Talvez por ser o membro menos internáutico da Garapa, talvez por ser crítico demais em relação aos tópicos que me proponho, ainda não tinha escrito nada. Mas vou tentar (mesmo sabendo que não vou colocar tantos links interessantes quanto o Leo e o Paulo costumam fazer).

mergulho no tiete

Fiz uma matéria semana passada sobre mergulhadores no rio Tietê . Não se trata de esporte, lazer, nem nada relacionado a scuba fun (se é que o termo existe). São mergulhadores profissionais, que de tempos em tempos descem nas águas escuras do velho e mal tratado Tietê com o objetivo de monitorar o leito do rio e fazer manutenções necessárias para a boa fluência das milhares de toneladas de bosta que São Paulo despeja no que potencialmente seria um dos cenários mais lindos da cidade.

O Tietê é tópico recorrente no meu discurso de botequim. Sempre que passo por ali ou penso no rio, imagino um projeto mirabolante de criar túneis gigantescos que engoliriam as marginais e transformariam a parte superior num parque gigantesco, cheio de opcões de lazer e cultura para o povo paulistano. Seria mais ou menos como os túneis da Imigrantes, passando com a marginal 10 metros abaixo da terra, e deixando a orla do rio livre do fluxo de automóveis. Às vezes penso até em, num dia de congestionamento recorde, desligar o ventilador de dentro do túnel e deixar uns 3 milhões de paulistanos motorizados morrerem dentro de suas máquinas. São Paulo ia sorrir.

Penso também na despoluição do rio. Mas não vou me aprofundar no assunto, talvez somente falar quatro nomes de rios que deveriam fazer todos os paulistanos darem uma mordidinha na alça do sutiã de vergonha e aborrecimento: Danúbio, Tâmisa, Tevere e Sena. Não preciso falar mais nada, né?

Para concluir, vou reproduzir o que um amigo inglês disse quando fui buscá-lo em Guarulhos: “Cara, mas qual é o ponto deste rio? Se vocês querem mesmo é que os carros passem por aqui, por que não tapam logo essa merda e constróem mais seis pistas?!” Nada como a pontualidade britânica!