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Leo Caobelli
Acompanhei o caso Isabella Nardoni, ainda fotografando pra Folha de S. Paulo, desde o início das investigações.
Sempre me despertou atenção o modo como a imprensa se apropriou da história, talvez por falta de notícia, criando assim um enredo de telenovela para ser acompanhado diariamente.
No final do dia 10 de abril de 2008, repórteres de diversos veículos se amontoavam em frente ao 9o. DP na expectativa da entrega do habeas corpus da defesa. Na noite fria e de muita chuva, o contra-luz traçava silhuetas como em um film noir, dando ares ainda mais policialescos ao caso da menina atirada do sexto andar.
Veja o áudio-slideshow que produzimos sobre o caso.
Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.
Por alguns dias, garapa virou guarapo. Acabamos de passar 20 dias em terra estrangeira, expandindo os horizontes pela América Latina. Começamos pela Cidade do México, onde participamos do Foundry Photo Workshop, um evento que reuniu dezenas de fotojornalistas e aprendizes do mundo inteiro.
Entre as diversas discussões que tivemos, conseguimos puxar um pouco a conversa para alguns tópicos que nos tocam diretamente. Primeiro, a necessidade de uma maior integração dos profissionais latino-americanos. Uma das questões que discutimos foi a abertura da grande mídia a profissionais locais, ou “por que é que os jornais enviam um fotógrafo americano para cobrir conflitos no Haiti?”. Claro que a pergunta não foi respondida, mas isso motivou uma discussão bem interessante e contatos promissores.
Parênteses: se esse assunto lhe interessa, entre na comunidade Nuestra Mirada, criada para integrar os profissionais latino-americanos.
Outra discussão derivada da primeira foi relacionada à própria idéia de grande mídia – no caso, grande mesmo, Time e Newsweek, por exemplo. Mais uma vez, o acordo entre os jovens fotógrafos foi de que há a necessidade de buscar outros caminhos, há um mundo inteiro a ser explorado. Nunca na História foi tão fácil produzir e distribuir conteúdo; se o famigerado mercado não paga por esse conteúdo, então que se crie um mercado novo, alternativo. E bola pra frente.
Além de toda a discussão, precisávamos produzir. No período da nossa estadia no México, um grupo de trabalhadores rurais sem terra – Movimiento de Los 400 Pueblos – acampava em uma praça na região central da cidade. Duas vezes ao dia, eles tiravam as roupas e se postavam nus em frente a uma das principais avenidas da capital mexicana, batucando e gritando por “respuesta”, sempre cercados por um cordão de policiais que se limitavam a assistir à manifestação diariamente.
Resolvemos, então, documentar um pouco do cotidiano e dos anseios desse grupo, e chegamos ao mini-documentário que acompanha esse texto: Tierra Desnuda.
Depois do México, seguimos para Havana, Cuba, mas isso é assunto para outro post.
Para levar:
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