Todos convidados!
novembro 3rd, 2011 § 0
Update: Morar
agosto 22nd, 2011 § 0
Estamos em plena produção do ensaio Morar, que trata da memória dos edifícios São Vito e Mercúrio, uma continuação do projeto que iniciamos em 2008. Tem sido muito interessante mergulhar na história dos edifícios, reencontrar os ex-moradores, rever parte da história da cidade em que vivemos. Parte do projeto foi viabilizada via crowdfunding, por meio do site Catarse.me.
O trabalho será exposto ainda este ano em parceria com a Galeria da Rua, em data a ser definida. Entre as peças do quebra-cabeças que será esse ensaio, produzimos uma série de daguerreótipos que retratam objetos com imenso valor sentimental para os ex-moradores. A experiência foi narrada pelo professor Ronaldo Entler no blog Icônica. Além disso, coletamos alguns fragmentos dos edifícios – pedaços de concreto e um ninho feito das ferragens originais, por exemplo – e faremos uma nova série de retratos dos ex-moradores, entre outras pequenas sub-histórias.
Aguardem novas notícias.
Morar, um novo coletivo
junho 7th, 2011 § 0
Dois meses depois de divulgar o projeto Morar (entenda aqui) no Catarse.me, uma plataforma de financiamento colaborativo, conseguimos arrecadar não apenas o valor que pedimos inicialmente, mas R$ 905,00 a mais. Tivemos 95 apoiadores, muitos deles desconhecidos até então.
Durante esses 60 dias, acompanhamos o placar ao lado quase de hora em hora, comemorando a cada “mais um” que se somava à conta. E o tal “mais um” era comemorado não necessariamente pelo valor, mas mais pelo seu significado: mais uma pessoa a apoiar o nosso projeto, mais um parceiro para nossos anseios.
Esta foi uma das lições que aprendemos: por trás de ideias como a do crowdfunding está algo maior do que uma relação meramente econômica (também presente, é claro); há uma relação de cumplicidade entre o proponente e os apoiadores. Nisso o modelo vai em direção praticamente oposta aos formatos tradicionais – e verticais – de financiamento, como as leis de incentivo ou o patrocínio. Já nos perguntaram algumas vezes sobre a necessidade ou não de prestação de contas. Nossa resposta é simples: a nossa obrigação com todos os que apoiaram é moral, não institucional, e isso é muito mais significativo. São 95 novos parceiros, que desejam ver o projeto realizado tanto quanto nós. De qualquer forma, consideramos justo abrir todas as contas do projeto: http://morar.tumblr.com/planilha
Outra lição importante: a web é imprevisível, não há receita de sucesso, e não dá para esperar que a rede por si só torne possível, espontaneamente, uma empreitada como essa. O contato pessoal continua sendo imprescindível.
Desde que publicamos o projeto no Catarse, várias outras ideias surgiram em plataformas semelhantes. É importante que esse modelo se consolide – quantos ótimos projetos não sairiam do papel se tivéssemos uma verdadeira cultura de colaboração? Como seria bom se não dependêssemos quase que exclusivamente dos departamentos de marketing das grandes empresas? Acreditamos que a onda esteja apenas começando a subir, e por isso decidimos reinvestir aqueles R$ 905,00 a mais que recebemos em outros projetos que julgarmos interessantes, para fazer a roda girar. Além disso, o resultado do projeto será distribuído sob licença Creative Commons, para uso livre e gratuito, respeitadas as condições da licença, opção que também nos parece justa considerando a forma como o trabalho foi viabilizado.
Um imenso obrigado a todos os apoiadores, ao pessoal do Catarse, e a todos os que nos ajudaram a espalhar a ideia por aí. Dois meses, algumas lições aprendidas e um novo coletivo formado, com mais 95 membros. O trabalho começa agora, e a sensação de realizá-lo dessa forma é indescritível.
Para saber mais sobre o projeto, leia a entrevista que demos às moças do blog 7 Fotografia, lá do Recife. Elas nos fizeram o favor de explorar praticamente todas as questões pertinentes ao projeto, nós só precisamos responder.
Para acompanhar o andamento do projeto, incluindo aí a prestação de contas, como falamos acima, siga o Tumblr que criamos para ele: http://morar.tumblr.com/
Morar 2011 – Passando o Chapéu
março 28th, 2011 § 1
Hoje inauguramos mais um projeto. Ou melhor, a necessária retomada de um antigo projeto. O Morar foi nosso primeiro trabalho autoral, quando a Garapa ainda nem estava, digamos, institucionalizada. Na virada de 2008 para 2009, contamos a história das poucas famílias que ainda resistiam no Edifício Mercúrio, na região central de São Paulo. Eles haviam acabado de receber a notificação de despejo – o prédio seria demolido – e tentavam garantir condições mínimas para seguir a vida.
Pouco mais de dois anos depois, e por pouco tempo, resta apenas um grande esqueleto coberto por um véu branco, já reduzido a menos da metade da altura original. Esses dois anos também foram emblemáticos nas nossas vidas: mudamos nossa forma de olhar o mundo, crescemos como coletivo e como seres humanos. No momento em que vem abaixo o monumento que retratamos dois anos atrás, diversas perguntas surgem em nossas cabeças: Como estarão os ex-moradores? O que pensarão eles sobre a demolição? Como estamos nós em relação a essa história?
O Morar recomeça e passa o chapéu. Decidimos colocar o projeto na plataforma Catarse.me, um site de crowdfunding, financiamento coletivo e colaborativo. Primeiro, porque acreditamos na colaboração; segundo, porque acreditamos que as questões que temos em relação à cidade em que vivemos, e aos rumos que ela toma, são comuns a muitos dos nossos vizinhos.
Ao final do projeto, pretendemos editar uma publicação: um jornal de aproximadamente 20 páginas com textos e imagens, traçando assim um arco de memória entre 2009 e 2011, entre os edifícios e o vazio, entre a São Paulo de ontem e a de amanhã.
Inauguramos hoje também um blog de acompanhamento do projeto: http://morar.tumblr.com/, no qual publicaremos inclusive as contas do trabalho, iniciativa que julgamos natural quando tratamos de um projeto patrocinado pelo público.
A corrida começa hoje – temos dois meses para torná-la viável. Até lá, é provável que não reste sequer a sombra dos edifícios. Para apoiar, entre aqui: http://catr.se/g5oN4B.
Morar (2009)
maio 9th, 2010 § 0
Documentário que acompanha os últimos dias em que o Edifício Mercúrio ficou habitado. O edifício, localizado no centro de São Paulo, próximo ao Mercado Municipal, foi desocupado pela Prefeitura em fevereiro de 2009, como parte do projeto de revitalização da área. O vídeo acompanha o ensaio fotográfico de mesmo nome.
INFO:
- Idioma: Português, sem legendas;
- Produção, captação, edição e plataforma web: Coletivo Garapa;
- Assistência de produção: Damyler Cunha.
- Trilha sonora: Panic Ensemble;
- Licença: Creative Commons BY-NC-SA.
LINK:
- Plataforma online experimental desenvolvida para o documentário.
Morar
maio 3rd, 2010 § 6
“Habite-se” na Galeria Olido
abril 12th, 2009 § 5
Durante pouco mais de um mês, juntamos esforços com um grupo de profissionais – artistas, curadora, cenógrafa – para colocar dentro de um espaço público um trabalho que consideramos de relevância também pública. Nasceu assim a exposição Habite-se, que reúne na Galeria Olido uma seleção de trabalhos que buscam retratar o cotidiano e as histórias dos agora ex-moradores dos edifícios São Vito e Mercúrio.
Os dois gigantes, comumente fundidos sob a alcunha de “treme-treme”, foram desapropriados pela Prefeitura de São Paulo dentro de projetos de revitalização do centro da cidade; o São Vito em 2004, na gestão Marta Suplicy, e o Mercúrio em fevereiro deste ano, já na gestão Gilberto Kassab.
À parte gestões, processos, projetos, o fato é que todas essas pessoas, a maioria trabalhadores do próprio centro, receberam, certo dia, um aviso dizendo que as suas casas não seriam mais suas. O que os trabalhos que compõem Habite-se têm em comum é o foco nas pessoas e em suas histórias, no impacto da mudança sobre a vida de cada um dos retratados.
Além de parte do nosso ensaio Morar, sobre o edifício Mercúrio, estão presentes os trabalhos da documentarista Camila Mouri e dos fotógrafos gUi Mohallem, Antonio Brasiliano e Fabiano Cerchiari, todos sobre o São Vito. A curadoria é de Rita Toledo Piza e a cenografia de Veronica Arias.
Portanto, estão todos convidados. A abertura será no dia 15 de abril, às 19h, e estarão presentes artistas e ex-moradores. A exposição ficará em cartaz até o dia 30 de maio. A Galeria Olido fica na Av. São João, 473, em São Paulo.
Ensaio: Morar
fevereiro 17th, 2009 § 29
Já se vão mais de 19 meses desde que alguém da Garapa entrou pela primeira vez no edifício São Vito, na região central de São Paulo. Dali nasceu a idéia de registrar os apartamentos “vazios”, cheios ainda de memórias de moradores que se foram já há quase 5 anos. Em abril de 2004, a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão Marta Suplicy, desapropriou o São Vito, cadastrando proprietários e inquilinos com a promessa da reforma do prédio popularmente conhecido como Treme-Treme.
Com a chegada da administração Serra/Kassab, o projeto de reforma foi abandonado e a idéia de derrubar os prédios tomou força. Reeleito, Gilberto Kassab fez desse fato uma de suas primeiras plataformas de ação, iniciando o processo de desocupação do prédio conjugado ao São Vito, o edifício Mercúrio.
No dia 01 de dezembro de 2008, aproximadamente 50 guardas civis metropolitanos subiram os 24 andares do edifício colando ordens de despejo em cada um dos 6 apartamentos que compõem cada andar. Assistentes sociais informavam os moradores de que eles tinham duas semanas para deixar os apartamentos. Caso desobedecessem, teriam seus pertences colocados na rua.
Foi em meio a esse clima de tensão e expectativa que conhecemos um pouco das 34 famílias que ficaram no edifício após o prazo dado pela prefeitura.
Dona Selma, Cláudia, Maria, Lili, Joyce e tantos outros (a maioria mulheres) foram contando as suas histórias, muitas delas vividas dentro do edifício. Deram, assim, a sua perspectiva de moradia, questionando enfim a destruição de quase 800 apartamentos em uma cidade marcada por um imenso déficit habitacional.
A resistência, porém, não durou muito. Menos de dois meses após o prazo estipulado pela prefeitura, na manhã de 11/02, as famílias amanheceram novamente com a presença da polícia e, no espaço de 12 horas, o prédio foi desocupado e totalmente lacrado.
Algumas famílias conseguiram alugar apartamentos às pressas; outras estão em casas de amigos e parentes. Já os 144 apartamentos do Mercúrio começam a trilhar o mesmo caminho das 624 unidades do São Vito: mobílias que não puderam ser transportadas, objetos que se perderam pelo chão, lembranças deixadas pra trás do que um dia já foi mais vivo.
Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.
Para saber mais:
- Matéria do jornal O Globo sobre a desapropriação do Ed. São Vito (29/11/2006);
- Matéria da revista Vitruvius sobre o antigo projeto de requalificação do São Vito (10/2004);
- Matéria do portal G1 sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Matéria da jornalista Renata Bessi, publicada no Centro de Mídia Independente, sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Um mapa para entender onde acontece tudo isso.
Morar
fevereiro 1st, 2009 § 2
“Nosso modelo de urbanizar produz esses assentamentos precários. Pelo menos, agora temos uma idéia de que é preciso intervir no passivo, urbanizar as favelas. Mas o grande desafio é: como evitar a formação de novas? Isso só vai acontecer quando, finalmente, reconhecermos a moradia adequada como um direito dos cidadãos e garantirmos que os pobres tenham acesso à terra. No fundo, esta é a raiz de questões aparentemente distintas, como a dos quilombolas, dos sem-terra, dos indígenas e a dos posseiros urbanos. Hoje, temos recursos para construir a casa, mas não temos o chão. Esse é o pacto socioterritorial que o Brasil precisa fazer. Não da forma como é hoje, como se oferecer infra-estrutura, dignidade, fosse um favor que o governante faz: “Ele olhou para nós”. Isso não deveria ser negociado.”
Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, relatora especial da Organização das Nações Unidas para assuntos de moradia, em entrevista publicada na Carta Capital de setembro de 2008.
Para levar:
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