Morar (2009)

maio 9th, 2010 § 0

Documentário que acompanha os últimos dias em que o Edifício Mercúrio ficou habitado. O edifício, localizado no centro de São Paulo, próximo ao Mercado Municipal, foi desocupado pela Prefeitura em fevereiro de 2009, como parte do projeto de revitalização da área. O vídeo acompanha o ensaio fotográfico de mesmo nome.

INFO:
- Idioma: Português, sem legendas;
- Produção, captação, edição e plataforma web: Coletivo Garapa;
- Assistência de produção: Damyler Cunha.
- Trilha sonora: Panic Ensemble;
- Licença: Creative Commons BY-NC-SA.

LINK:
- Plataforma online experimental desenvolvida para o documentário.

Morar

maio 3rd, 2010 § 2

“Habite-se” na Galeria Olido

abril 12th, 2009 § 5

Durante pouco mais de um mês, juntamos esforços com um grupo de profissionais – artistas, curadora, cenógrafa – para colocar dentro de um espaço público um trabalho que consideramos de relevância também pública. Nasceu assim a exposição Habite-se, que reúne na Galeria Olido uma seleção de trabalhos que buscam retratar o cotidiano e as histórias dos agora ex-moradores dos edifícios São Vito e Mercúrio.

Os dois gigantes, comumente fundidos sob a alcunha de “treme-treme”, foram desapropriados pela Prefeitura de São Paulo dentro de projetos de revitalização do centro da cidade; o São Vito em 2004, na gestão Marta Suplicy, e o Mercúrio em fevereiro deste ano, já na gestão Gilberto Kassab.

À parte gestões, processos, projetos, o fato é que todas essas pessoas, a maioria trabalhadores do próprio centro, receberam, certo dia, um aviso dizendo que as suas casas não seriam mais suas. O que os trabalhos que compõem Habite-se têm em comum é o foco nas pessoas e em suas histórias, no impacto da mudança sobre a vida de cada um dos retratados.

Além de parte do nosso ensaio Morar, sobre o edifício Mercúrio, estão presentes os trabalhos da documentarista Camila Mouri e dos fotógrafos gUi Mohallem, Antonio Brasiliano e Fabiano Cerchiari, todos sobre o São Vito. A curadoria é de Rita Toledo Piza e a cenografia de Veronica Arias.

Portanto, estão todos convidados. A abertura será no dia 15 de abril, às 19h, e estarão presentes artistas e ex-moradores. A exposição ficará em cartaz até o dia 30 de maio. A Galeria Olido fica na Av. São João, 473, em São Paulo.

Ensaio: Morar

fevereiro 17th, 2009 § 28

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Já se vão mais de 19 meses desde que alguém da Garapa entrou pela primeira vez no edifício São Vito, na região central de São Paulo. Dali nasceu a idéia de registrar os apartamentos “vazios”, cheios ainda de memórias de moradores que se foram já há quase 5 anos. Em abril de 2004, a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão Marta Suplicy, desapropriou o São Vito, cadastrando proprietários e inquilinos com a promessa da reforma do prédio popularmente conhecido como Treme-Treme.

Com a chegada da administração Serra/Kassab, o projeto de reforma foi abandonado e a idéia de derrubar os prédios tomou força. Reeleito, Gilberto Kassab fez desse fato uma de suas primeiras plataformas de ação, iniciando o processo de desocupação do prédio conjugado ao São Vito, o edifício Mercúrio.

No dia 01 de dezembro de 2008, aproximadamente 50 guardas civis metropolitanos subiram os 24 andares do edifício colando ordens de despejo em cada um dos 6 apartamentos que compõem cada andar. Assistentes sociais informavam os moradores de que eles tinham duas semanas para deixar os apartamentos. Caso desobedecessem, teriam seus pertences colocados na rua.

Foi em meio a esse clima de tensão e expectativa que conhecemos um pouco das 34 famílias que ficaram no edifício após o prazo dado pela prefeitura.

Dona Selma, Cláudia, Maria, Lili, Joyce e tantos outros (a maioria mulheres) foram contando as suas histórias, muitas delas vividas dentro do edifício. Deram, assim, a sua perspectiva de moradia, questionando enfim a destruição de quase 800 apartamentos em uma cidade marcada por um imenso déficit habitacional.

A resistência, porém, não durou muito. Menos de dois meses após o prazo estipulado pela prefeitura, na manhã de 11/02, as famílias amanheceram novamente com a presença da polícia e, no espaço de 12 horas, o prédio foi desocupado e totalmente lacrado.

Algumas famílias conseguiram alugar apartamentos às pressas; outras estão em casas de amigos e parentes. Já os 144 apartamentos do Mercúrio começam a trilhar o mesmo caminho das 624 unidades do São Vito: mobílias que não puderam ser transportadas, objetos que se perderam pelo chão, lembranças deixadas pra trás do que um dia já foi mais vivo.

Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.

Para saber mais:
- Matéria do jornal O Globo sobre a desapropriação do Ed. São Vito (29/11/2006);
- Matéria da revista Vitruvius sobre o antigo projeto de requalificação do São Vito (10/2004);
- Matéria do portal G1 sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Matéria da jornalista Renata Bessi, publicada no Centro de Mídia Independente, sobre a desocupação do Ed. Mercúrio;
- Um mapa para entender onde acontece tudo isso.

Morar

fevereiro 1st, 2009 § 2



“Nosso modelo de urbanizar produz esses assentamentos precários. Pelo menos, agora temos uma idéia de que é preciso intervir no passivo, urbanizar as favelas. Mas o grande desafio é: como evitar a formação de novas? Isso só vai acontecer quando, finalmente, reconhecermos a moradia adequada como um direito dos cidadãos e garantirmos que os pobres tenham acesso à terra. No fundo, esta é a raiz de questões aparentemente distintas, como a dos quilombolas, dos sem-terra, dos indígenas e a dos posseiros urbanos. Hoje, temos recursos para construir a casa, mas não temos o chão. Esse é o pacto socioterritorial que o Brasil precisa fazer. Não da forma como é hoje, como se oferecer infra-estrutura, dignidade, fosse um favor que o governante faz: “Ele olhou para nós”. Isso não deveria ser negociado.”

Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, relatora especial da Organização das Nações Unidas para assuntos de moradia, em entrevista publicada na Carta Capital de setembro de 2008.


Para levar:

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