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	<title>Garapa &#187; movimento negro</title>
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	<description>Coletivo que tem como objetivo pensar e produzir conteúdo documental de maneira crítica e independente, integrando diversos formatos e narrativas.  Fundada pelos jornalistas e fotógrafos Leo Caobelli, Paulo Fehlauer e Rodrigo Marcondes, a Garapa tem explorado diversas tendências da produção audiovisual e online contemporânea.</description>
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		<title>Ainda sobre multimídia</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 17:34:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Caobelli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gordon Parks está morto. Se você não é fotógrafo, cinéfilo ou estudante do movimento negro americano provavelmente nem ouviu a notícia, mas conto, o fato ocorreu em março de 2006. Ainda lembro de tê-la visto num canto de janela, na capa do UOL. Curioso que o óbito de um fotógrafo de tamanho renome ocupasse pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.pdngallery.com/legends/parks/index.html">Gordon Parks</a> está morto. Se você não é fotógrafo, cinéfilo ou estudante do movimento negro americano provavelmente nem ouviu a notícia, mas conto, o fato ocorreu em março de 2006.<br />
Ainda lembro de tê-la visto num canto de janela, na capa do <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0803200619.htm">UOL</a>. Curioso que o óbito de um fotógrafo de tamanho renome ocupasse pouco espaço, já que dois anos antes os falecimentos de <a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/2004/08/04/ult32u8927.jhtm">Henri Cartier-Bresson</a> e <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u47670.shtml">Richard Avedon</a> foram amplamente cobertos.<br />
Mr. Parks, como era chamado por <a href="http://www.monroegallery.com/detail.cfm?id=694">Malcolm X</a>, teve uma infância tão complicada quanto a de vários outros jovens afro-americanos que presenciaram o auge da segregação racial. Mas o que um fotógrafo tão atuante nas décadas de 60 e 70 tem a ver com multimídia?<br />
Pois muito. Gordon Parks dirigiu o filme <a href="http://www.youtube.com/watch?v=xDyRdhSIqlo">Shaft</a> e esqueça a versão com Samuel L. Jackson, estamos falando de 1971. Criou assim a onda de filmes sobre cultura negra que ficou conhecida como <a href="http://www.blaxploitation.com/">Blaxploitation</a>. Em Shaft a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=tZzBrxj-Gjo">trilha sonora</a> era tão importante que chegava a coadjuvar em diversas cenas de ação e que, por isso mesmo, recebeu a contribuição de Gordon Parks em sua faceta musical. Isso sem falar que dois anos antes, em 1969, adaptou, dirigiu, roteirizou e compôs integralmente a trilha de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0064579/">“The Learning Tree”</a>, sua novela autobiográfica e que foi o primeiro filme de um negro a ser produzido por Hollywood.<br />
Parks também foi pioneiro na imprensa, onde foi o primeiro afro-americano a compor o quadro de fotógrafos da revista <a href="http://www.life.com/Life/">Life</a>, publicação para a qual fotografou e escreveu sobre o movimento <a href="http://www.noi.org/">“A Nação do Islã”</a>, onde figuravam Malcolm X, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Elijah_Muhammad">Elijah Muhammad</a> e <a href="http://www.picturapixel.com/arquivos/edicao1/portifolio_gordon05.html">Muhammad Ali-Haj</a>. A revista era vista com desconfiança pelo movimento negro, o próprio Elijah perguntou pra Parks o que fazia um negro com as suas qualificações trabalhando para os brancos inimigos. O cavalo de Tróia foi o argumento de Parks que, mesmo contrariando o consenso separatista vigente da época, ganhou a permissão para registrar sem censuras o cotidiano do <a href="http://www.picturapixel.com/arquivos/edicao1/portifolio_gordon02.html">islamismo negro</a>.  Com habilidade e talento ímpares Gordon Parks conseguiu equilibrar o trabalho de grande impacto e visibilidade na imprensa branca com as recentes amizades que fazia cativando o movimento negro liderado por Malcom X.<br />
Parks também esteve no Brasil onde fotografou e escreveu sobre o início do crescimento das favelas cariocas, apadrinhou o menino <a href="http://www.picturapixel.com/arquivos/edicao1/portifolio_gordon12.html">Flavio da Silva</a> de 12 anos, asmático e tuberculoso que cuidava de sete irmãos, enquanto o pai vendia querosene no asfalto e a mãe trabalhava de lavadeira. Sob sua tutela Flavio foi levado para tratamento de saúde nos EUA e depois de curado regressou para o Brasil, onde a convivência com o padrinho foi constante por mais de 40 anos.<br />
Muito além de assistencialistas, as ações de Parks eram resultado da sua trajetória simples que incluía empregos como garçom, pianista de bordel e jogador de basquete universitário, mas foi numa <a href="http://www.flickr.com/photos/olivander/184192403/">Voigtlander Brilliant</a> usada, comprada por US$ 7,50, que Gordon Parks encontrou seu ponto de equilíbrio: &#8220;Percebi que a câmera poderia ser uma arma contra a pobreza, contra o racismo, contra todos os tipos de injustiças sociais&#8221;, dizia. E eu, revendo meu livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2233178&#038;sid=1522222441064516003529446&#038;k5=2D2AA2D8&#038;uid=">Half Past Autumn</a>, uma retrospectiva dos trabalhos de Parks, percebi que multimídia está longe de ser uma novidade.</p>
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