A cada nova edição, o FestFotoPoA se torna mais sólido no cenário fotográfico brasileiro. Estivemos por lá em 2009, tivemos ótimas notícias sobre a edição 2010 (quando infelizmente não pudemos participar) e voltaremos agora em 2011. A programação esse ano está bem interessante, com direito a um fórum sobre livros de autor (tema que tem nos interessado bastante).
Levaremos para lá a mesma proposta de workshop realizada no Foto Em Pauta Tiradentes – a discussão do ensaio autoral e dos múltiplos desdobramentos possíveis para um trabalho – “da exibição online à parede da galeria”. Como dizemos no programa da oficina:
Partindo de ensaios dos participantes, serão pensadas novas formas de narrativa e exibição: inserção de vídeo e áudio, exibição online, exposição física, instalação e outros desdobramentos permitidos pelo tema e pela abordagem. Para isso, serão analisadas referências de trabalhos que apresentam essa confluência ou complementaridade de meios como forma de contar histórias.
Porto Alegre, 2009. Foto: Leo Caobelli.
Em Tiradentes o resultado foi muito interessante, e esperamos repetir o sucesso daquela experiência agora na capital gaúcha. Assim como as outras oficinas que ministramos, esta terá como base a plataforma Garapa Lab, na qual os participantes poderão interagir e continuar discutindo os temas propostos mesmo depois da atividade.
A oficina será realizada nos dias 5, 6 e 7 de abril, das 9h às 12h30.
É bom ver que a fotografia brasileira está se tornando verdadeiramente nacional, espalhando-se pelo país tanto na produção quanto na exibição e discussão. Pois… no mês que vem, a bola vai pra Tiradentes – MG. De 17 a 20 de fevereiro acontece o Festival Foto Em Pauta Tiradentes, novo filho do projeto Foto Em Pauta, realizado em Belo Horizonte desde 2004.
Levaremos ao festival uma nova proposta de workshop, que tem muito a ver com as nossas próprias reflexões dentro da Garapa. A atividade tem nome grande:
“O ensaio autoral: da exibição online à parede da galeria. Novos rumos e formatos para a fotografia”
Mas a proposta é simples. Durante 2 dias (17 e 18), discutiremos a ideia do ensaio autoral pensando não apenas na sua composição fotográfica, mas principalmente nas possibilidades narrativas e formas de distribuição, sejam elas físicas ou online. Como diz a descrição da proposta:
Neste workshop serão trabalhados ensaios que os participantes já tenham em andamento e que, a partir deles, serão pensadas novas formas de narrativa e exibição: inserção de vídeo e áudio, exibição online, exposição física, instalação e demais desdobramentos que o tema e abordagem tornem possíveis.
Exposição Mulheres Centrais no Instituto Cervantes, em São Paulo.
Essa oficina é resultado direto do processo que culminou no ensaio Mulheres Centrais, que conta com exposição fotográfica, vídeo, texto e web, além de outros formatos que ainda estão em projeto. Aprendemos muito com esse trabalho, e por isso pretendemos discutir essas possibilidades com os participantes. É importante que os interessados já tenham algum trabalho em andamento, mesmo que esteja no início, já que a ideia é colocar tudo na mesa e pensar coletivamente e colaborativamente nos diversos caminhos possíveis.
Para saber mais sobre o workshop e/ou fazer a sua inscrição, clique aqui. Qualquer dúvida, é só perguntar aqui embaixo, nos comentários.
Esse post foi construído para uma oficina que realizaríamos com uma turma de estudantes do Bacharelado de Fotografia do Senac-SP.
Como a ideia era discutir o fotojornalismo, pensamos em iniciar uma reflexão a partir de um artigo que vimos recentemente no site do New York Times. O título: Se o fotojornalismo está morto, o que é Luceo?
O próprio artigo é uma resposta a um outro texto, no qual Neil Burgess declara a morte do fotojornalismo. Neil hoje tem sua própria agência, a NB Pictures, que representa gente como Sebastião Salgado e Mario Testino, e já foi diretor da Magnum.
Agora… tem gente que não se cansa de anunciar a morte de tudo, né? Da arte, da fotografia, do fotojornalismo… Nossa resposta para eles é um longo bocejo. E, para provar que nada morre, tudo se transforma, de volta ao artigo do New York Times.
Luceo é uma cooperativa de fotógrafos americanos, que desenvolve um trabalho muito interessante, totalmente ligado à tradição fotojornalística. Nas palavras dos próprios fundadores:
LUCEO’s six founding members came together during a time of industry transition that has impacted the way that imagery is created, distributed and consumed. We are meeting these challenges with creative ideas that offer solutions to our clients and allow us opportunities to work on projects with purpose.
Transição.
A característica mais importante de qualquer momento de transição é justamente a indeterminação. Não há receitas ou fórmulas prontas: o campo está totalmente aberto à experimentação. O Luceo e outras associações, como os coletivos fotográficos, são uma das respostas que nascem desse processo.
As tais respostas têm a ver com modelos de negócio e distribuição, possibilidades narrativas, interação com outros formatos e plataformas e o que mais a imaginação permitir. Segue uma lista de links que trazem algumas dessas possibilidades, classificadas de acordo com critérios arbitrários.
Narrativas
Out my window: Projeto realizado pelo National Film Board do Canadá. O site é parte integrante de um projeto maior, multiplataforma, chamado Highrise.
Who are you?: Projeto solo de Leandro Badalotti, que escolhe a dedo pessoas no metrô de Nova York e as segue em busca das suas histórias.
Falkland Diaries: Diário multimídia realizado por Desmond Barry e Diego Vidart 25 anos depois da Guerra das Malvinas, durante o período exato em que aconteceu o conflito.
The Interview Project: Realizado pela produtora do cineasta David Lynch, esse extenso documentário conta as histórias de personagens encontrados no percurso de uma longa roadtrip pelos Estados Unidos.
Wait For Me: Ótimo documentário com apenas 3 minutos de duração, realizado pelo diretor vencedor do Oscar de documentário Ross Kauffman.
Os Sertões: Projeto interativo realizado pelo Jornal do Commercio, de Recife, a partir de ensaio do fotógrafo Alexandre Severo.
Mapas
O que fazer quando todas as histórias já foram contadas? Buscar novas palavras, novas formas de contá-las. Tal qual o império do conto “Do Rigor na Ciência” de Jorge Luis Borges, o mundo já está praticamente todo mapeado, cada vez com mais riqueza de detalhes.
Mulheres Centrais: Momento autopropaganda. O projeto, realizado pela Garapa, inclui uma exposição fotográfica, videos, textos e postais colecionáveis e um site, todos pensados de forma complementar, sem sobreposições de conteúdo.
The Sochi Project: Realizado pelos holandeses Rob Hornstra e Arnold Van Bruggen, o projeto propõe uma cobertura jornalística financiada colaborativamente pelo público. Veja a entrevista que Arnold nos concedeu recentemente.
Kickstarter: Inscreva seu projeto, determine o seu custo e acredite: se for bom, o público vai bancar.
Estes são apenas alguns exemplos – a lista poderia se estender por páginas e páginas.
Voltando ao início do texto, Mr. Burgess diz:
We have now reached the stage where magazine supplements offer me less for a story which might be used over a cover and eight pages than their associated papers pay me for a single picture of a celebrity.
Nada disso diz respeito à essência do fotojornalismo, mas sim a modelos de negócio e hierarquias mercadológicas. Será que realmente precisamos delas? Não há muito mais honestidade em modelos mais horizontais, como o do Luceo, que chega ao ponto de distribuir parte dos seus lucros a fotógrafos iniciantes com bons projetos? Não é extremamente limitada (e antiquada) a primazia do ensaio impresso em revista? Se alguma coisa morreu, foram as imposições e conceitos limitantes e determinantes. Entre a morte e a (re)invenção constante, ficamos com a segunda.
Durante seis meses, Tracy coletou esses links para uma seção do site chamada Company Spotlight, que traz, periodicamente, entrevistas com os responsáveis pelas empresas citadas. A nossa está na fila.
Passado o momento auto-promoção, a ideia desse post é chamar a atenção para os outros 69 links da lista. É interessante ver que praticamente todas as empresas citadas são “startups”‘; não há grandes corporações ou megaproduções. É a “cauda longa” de Chris Anderson, na prática.
Ah, Tracy pede que os leitores colaborem com outras iniciativas nos comentários. Fica a dica, portanto.
Podemos dizer facilmente que é o projeto mais grandioso que já ajudamos a construir, e os números traduzem bem essa grandiosidade: serão 100 entrevistas com protagonistas da cultura brasileira – gestores, produtores, trabalhadores – disponibilizadas em vídeo em uma complexa plataforma online e também publicadas em uma série de 5 livros, onde serão acompanhadas de 10 ensaios fotográficos.
Fernando Faro, criador do programa Ensaio, da TV Cultura, é um dos entrevistados do Produção Cultural no Brasil. Faro é personagem de um dos ensaios fotográficos do projeto.
O projeto é uma realização da Casa da Cultura Digital e da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, com orçamento obtido via Cinemateca Brasileira e Associação Amigos da Cinemateca, e foi executado por um “coletivo de empresas“, cada uma oferecendo a sua expertise.
O “prodcult”, como nos habituamos a chamar, tem como objetivo promover uma extensa reflexão sobre a produção cultural brasileira, seus imbróglios, peculiaridades e curiosidades. É praticamente um meta-projeto, considerando todas as questões envolvidas na sua própria produção.
Você chegou agora a este site, foi à página de vídeos e viu 100 rostos de pessoas que influenciam diretamente o que se denomina “cultura brasileira”. Algumas você vai descobrir, outras conhecer e entender melhor. Então poderá opiniar, apresentar a discussão a amigos, escrever reflexões, fazer novas provocações e agir. Se, com o passar dos dias, você e todos nós que orbitamos em torno desta plataforma tivermos uma noção mais complexa do que é a tal “cultura brasileira”, pronto, chegamos ao ponto. Fonte: Produção Cultural no Brasil.
Como nosso pé está fincado na fotografia, colocamos aqui como exemplo a entrevista do fotógrafo Thomaz Farkas, cujo trabalho, aliás, tem muito a ver com todas as questões, dificuldades e alegrias da tal produção cultural. Melhor deixar ele mesmo falar.
O projeto inaugura sua fase de testes com 23 vídeos. A partir de hoje, será disponibilizada uma nova entrevista por dia útil, até acabar o estoque. Veja, leia, comente, espalhe, divirta-se.
Nós também estaremos por lá, com a proposta de criar o que chamamos de “Inventário Coletivo” do festival (também conhecido como “o balaio”). Esse é o nome e o objetivo do nosso workshop.
Do que se trata?
A oficina tem como proposta teórica debater diversos conceitos pertinentes a essa era contemporânea – fluida, digital e interconectada. Apropriação, remix, Creative Commons, multimídia, rede, colaboração… são várias as “tags” (pra usar um termo próprio desse meio).
E como vai ser?
O workshop terá duas partes. A primeira tomará os dois primeiros dias (quinta e sexta). A ideia é a seguinte: vamos começar discutindo uma pauta conjunta, baseada no tema do festival: Inventários da Terra. O grande coletivo formado por todos os participantes então se distribuirá em subcoletivos, cada um pensando na sua forma particular de abordar o tema geral. Em seguida, todos sairão à caça do seu inventário, no formato que preferir.
Todo o conteúdo produzido (em foto, áudio, vídeo, texto, o que for) vai compor um grande “balaio coletivo”, que servirá de base para a edição. Nessa segunda fase, a única regra que colocamos é que cada coletivo utilize no seu trabalho algum conteúdo produzido por outro.
Os resultados da oficina serão publicados no blog do Paraty Em Foco, assinados por cada coletivo, e também na plataforma Garapa Lab, para a qual os participantes serão convidados.
A segunda parte vai acontecer nos dois últimos dias (sábado e domingo), mas não tomará os dias inteiros (afinal, tem muita coisa pra ser vista no festival). Os mesmos coletivos formados farão breves encontros a fim de aproveitar a dinâmica do próprio festival para gerar mais conteúdo para o blog. Esses encontros serão marcados de acordo com a agenda de cada grupo.
É isso. Dúvidas podem ser tiradas por aqui mesmo, nos comentários. As inscrições estão abertas, e podem ser feitas pelo site do festival.
Como, infelizmente, a oficina que daríamos no Dia do Espanhol acabou não acontecendo, resolvemos trazê-la para a nossa casa, aproveitando para transformá-la em um teste, um piloto de um projeto no qual pensamos já há algum tempo.
A oficina, chamada de “Narrativas Digitais” vai acontecer no próximo domingo, dia 4 de julho, aqui na Casa da Cultura Digital, sede da Garapa. Vejam abaixo as informações gerais e, caso interesse, inscrevam-se. As vagas são limitadas.
Oficina realizada em 2009 no FestFotoPoa, em Porto Alegre.
Número de vagas: 12 (a seleção será feita por ordem de inscrição)
Objetivos:
- Debater as possibilidades narrativas e de distribuição de conteúdo audiovisual no contexto das redes digitais.
- Promover a familiarização dos participantes com o trabalho em coletivo e com as ferramentas de produção e divulgação de conteúdo.
- Produzir três peças audiovisuais de curta duração que serão veiculadas no site da Garapa e ficarão disponíveis para download e distribuição on-line.
Público-alvo:
Estudantes e demais interessados pelo tema das narrativas digitais.
Obs.: Esta é uma oficina prática de familiarização, com foco nas possibilidades narrativas. Portanto, não espere formação técnica avançada ou grande carga teórica.
Dinâmica:
A oficina será dividida em três etapas: apresentação, captação e edição. Serão formados 3 grupos, a fim de explorar diferentes possibilidades narrativas. É importante (mas não obrigatório) que os participantes selecionados tragam câmera fotográfica digital (não precisa ser profissional).
UPDATE: Inscrições encerradas. Aguardem os resultados!
Reportagem multimídia interativa sobre a vila de Serra Grande, no litoral da Bahia, produzida para o Instituto Arapyaú de Educação e Desenvolvimento Sustentável. Nesse vídeo, Ivana de Souza, moradora da vila, lê uma carta que escreveu sobre sua terra natal.