Série de reportagens multimídia sobre os desafios enfrentados por São Paulo nos próximos anos. Produzido em parceria com o Instituto Arapyaú de Educação e Desenvolvimento Sustentável.
Produção de conteúdo multimídia para a seção Ponto de Vista da Revista Página 22, editada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.
Peça multimídia baseada em pauta realizada para o Wall Street Journal sobre o muro construído pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro no morro Santa Marta.
O documentarista Eduardo Coutinho costuma dizer que nunca faria um trabalho sobre cineastas homens de classe média. O que interessa para ele é a diferença. Não que isso sirva de regra, mas concordamos que uma das características mais interessantes do trabalho documental é essa possibilidade de ver o(s) mundo(s), aprender com o contraste.
Passado o nariz de cera…
Fizemos recentemente uma pauta (foto e vídeo) para a revista IstoÉ Dinheiro, que tem como editor de fotografia o amigo Toni Pires. A história nos interessou de imediato: falaríamos sobre o potencial econômico da classe D. Aí está um tema importantíssimo, interessantíssimo, pouco (e mal) explorado.
Altina Carvalho e família
Bom, o site novo da revista foi ao ar esta semana, e com ele o vídeo que produzimos. Agora é torcer para que venham outros.
São Paulo é uma cidade no cio. Por isso, transa com todo mundo e em todos os lugares. É bonita porque é feia, e como toda feia que se preza, beija mais gostoso. Que os Vínicius me perdoem, mas feiúra é fundamental.
Do alto do prédio ou na superfície da alvenaria, a cidade dói nos olhos dos inocentes que transitam nas calçadas. De onde eu a vejo, minhas retinas são seletas e de como eu a vejo, as esquinas são espertas. A cidade de São Paulo, que está no mapa, não é todo daquele tamanho, muita gente já tirou um pedaço, que faz muita falta na mesa do jantar, ou depositou em conta corrente, que nada contra a corrente, de quem ama esse lugar.
Essa maçã mordida que a massa não come, constrói o luxo que alimenta o lixo escondido debaixo do tapete. Essa cidade não é minha e não devia ser de ninguém, mas ela existe, e todo ano faz aniversário.
Nossa homenagem a São Paulo está na Revista da Folha de domingo (24/01), junto a três outros coletivos paulistanos: Cia de Foto, Galeria Experiência e SX70. O trabalho inclui também um video de cada coletivo, que podem ser vistos no site da Folha. Para quem não viu a revista, o amigo Alexandre Belém publicou os PDFs no OlhaVê.
Alguns meses atrás, fomos procurados pela Marta Madalon, coordenadora do projeto VCU.br, que é sediado na Casa das Caldeiras, em São Paulo.
O projeto, como diz a própria descrição, visa à “formação e inserção no mercado profissional de novos videomakers, destinado a jovens que vivem em áreas periféricas da Grande São Paulo”.
Marta nos procurou para que apresentássemos nosso trabalho e realizássemos uma oficina “estilo Garapa” com o grupo. Conversamos sobre o trabalho em coletivo, Creative Commons, possibilidades, mercado, fotografia…
Foi muito legal ver o pessoal ali, escondidos nas catacumbas da Casa das Caldeiras, produzindo vídeo de qualidade, comprometidos com as causas e histórias das suas regiões.
Dois dias de oficina resultaram no vídeo abaixo, que recebemos hoje em nosso e-mail. Obrigado ao pessoal do VCU, esperamos continuar próximos em 2010!
Voltamos do Recife já faz quase um mês e, até hoje, estávamos em dívida com a galera de lá.
Em novembro, participamos da III Semana de Fotografia – demos um workshop e discutimos (via Skype!) essa coisa chamada multimídia.
Foram dias intensos, pra resumir. Foi bom encontrar e reencontrar pessoas, dar caras e bocas a outras que só conhecíamos por seus trabalhos e/ou fotinhas de redes virtuais. Bom também foi conhecer uma cidade vibrante, alcoólica, colorida, criativa…
Abaixo, dois videos. O primeiro, resultado da oficina, traz 7 micro-histórias produzidas pelo grupo e interligadas por um tema geral: o muro, seja ele concreto ou sutil, público ou privado, físico ou social.
Participaram da oficina: Adriana Freire, Fabiola Melo, Bernardo Dantas, Emiliano Dantas, Gabriel Laprovítera, Iezu Kaeru, Ricardo Moura, Marcelo Soares, Marco Antônio Silva, Felipe Ferreira, Luciana Ourique, Wagner Ramos, Marcelo Feitosa, Fernanda Mafra, Wilma, Bruna Gonçalves, Osmário Marques, Joana Calazans, Flavia Braga, Mariana Lima, João Guilherme, Adria de Souza, Danilo Galvão e Maíra Gamarra.
O segundo vídeo foi o que apresentamos na palestra da sexta-feira, feita via Skype, direto de Porto Alegre, pelo já quase casado Leo. Para essa projeção, fizemos um convite a diversas pessoas que de alguma forma participaram do nosso ano.
Estão na projeção: Anderson Barbosa, Paulo Batalha, Caio Leão, Garapa, IZ, Daniel Marenco, Juliana Mundim, Coletivo Odin, Pandora, Raquel Brust, Coletivo SUB, Eduardo Seidl, Talita Virgínia, Marcelo Feitosa e Iezu Kaeru.
Considere algumas palavras muito em voga nos dias de hoje: rede, multimídia, sustentável, colaborativo. São conceitos que se relacionam com novos modelos de produção, distribuição, consumo, relacionamento; um novo modelo de sociedade – possível, esperamos.
Quando fomos convidados a pensar uma proposta de comunicação online para a revista Página 22, uma referência no tema da sustentabilidade, vimos uma oportunidade de juntar estas palavras em um projeto que tivesse a cara do momento em que vivemos.
A proposta do site é, além de divulgar o conteúdo da revista impressa, ampliar perspectivas. Para tanto, temos dois blogs, agenda, um espaço para divulgação de iniciativas de ciberação, além do conteúdo multimídia que já é marca do trabalho da Garapa (que também pode ser visto no canal da revista no Vimeo).
O site foi desenvolvido em WordPress, uma ferramenta livre, de código aberto (a mesma que gerencia o nosso site). O projeto saiu da Garapa para as mãos da designer Cátia Kitahara e do HackLab.
Segundo a própria equipe da revista, “Está na ideia de rede o conceito chave dos novos tempos. À luz e semelhança dos ecossistemas, é estratégica a reorganização da sociedade e da economia com base no entendimento de que tudo e todos estão interligados. PÁGINA22 acredita que uma sociedade mais justa, em equilíbrio com o ambiente e que proporciona vida de qualidade para todos somente poderá ser construída em conjunto, com o maior envolvimento possível de participantes que também acreditam nessa causa.”
Com muito atraso, finalmente disponibilizamos por aqui o vídeo final da oficina de fotojornalismo e multimídia que demos no Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, o FestFotoPoa, em abril deste ano. Tivemos 19 participantes, que passaram uma semana discutindo, fotografando, gravando vídeo e áudio e editando esse material.
Como resultado, tivemos três peças multimídia, aqui agrupadas em um vídeo único. A primeira tratou dos caminhos que levavam cada pessoa ao festival todos os dias, um retrato sensorial de viagens individuais. A segunda peça buscou fazer um resumo do festival sob diversos olhares: os funcionários do Centro Cultural, as visões dos “estrangeiros”, a rua. O último grupo fez uma homenagem ao fotógrafo João Roberto Ripper, presente no festival, explorando também uma oficina de daguerreótipo que foi parte da programação.
Veja o vídeo abaixo. Na sequência, dois relatos de participantes da oficina.
Os de dentro, os de fora e os do centro Ana Lira
Humanismo e realidade, fotografia e compromisso, tema principal da terceira edição do Fest Foto Poa, é o elo entre as histórias que fizeram parte do trabalho Os de dentro, os de fora e os do centro, que integra a cobertura audiovisual produzida pelos integrantes da oficina do Coletivo Garapa no festival.
Quando começamos a conversar sobre a linha mestra do trabalho, algumas idéias foram colocadas na roda, e logo percebemos que três delas se destacavam na preferência do grupo. A primeira era falar do festival, da fotografia e de seu papel social por meio das pessoas que trabalhavam dentro do edifício-sede do evento: o Centro Cultural Érico Veríssimo. As equipes de limpeza, segurança e manutenção têm um papel importante no funcionamento das atividades que ocorrem em qualquer espaço de eventos, mas, em geral, ficam invisíveis aos olhos dos visitantes.
O objetivo da primeira narrativa, então, era acompanhar o cotidiano dessas equipes e observar como elas interagiam com o festival e com a fotografia. Nesse processo, nós pudemos conhecer melhor o trabalho da faxineira Vanda Cunha, que aceitou de imediato a nossa companhia e colaborou bastante com o andamento das sessões de fotos e gravações; da atendente do café Monjolo, Marlene, para quem a fotografia é a “lembrança de um tempo que não volta mais”; da supervisora Cleusa Silveira que, quando vê as fotografias do próprio casamento, tem vontade de casar de véu e grinalda outra vez; e da equipe de segurança formada, entre outros, por Vinícius e Cleonir Flores, que nos colocaram diversas questões sobre a relação fotógrafo e fotografado. Relatos que mudaram a nossa perspectiva de interação com o evento.
A segunda proposta de rumo narrativo foi apresentada por fotógrafos de Porto Alegre, que queriam discutir as impressões dos colegas de fora acerca da cidade, do festival e das trocas que aconteceram no Centro Cultural Érico Veríssimo. Alguns deles, como o carioca Lucas Zappa e o recifense Alexandre Belém estavam chegando pela primeira vez à cidade. O sergipano Alejandro Zambrana estava se reconectando com Porto Alegre, depois de alguns anos sem visitar a capital gaúcha O mesmo acontecia com Ana Lira, que também participou da conversa com o grupo.
Essa turma representou todos aqueles que, morando em cidades e estados próximos ou não de Porto Alegre, se deslocaram para trocar idéias durante seis dias de Fest Foto. Esses relatos, então, trariam um outro ponto de vista do festival por meio da investigação das expectativas que “os de fora” nutriam a respeito da cidade e do festival, dos intercâmbios realizados e dos resultados que poderiam se desdobrar em futuros projetos individuais e coletivos dos participantes.
A terceira idéia era conversar com as pessoas que circulavam e trabalhavam no centro de Porto Alegre, local em que o evento foi realizado, e observar como elas se relacionavam com aquela área da cidade. O trabalho foi feito por uma equipe que uniu fotógrafos locais e de fora para que houvesse um diálogo mais amplo sobre o tema.
Durante a experiência, Lucas Zappa e Bianca Barbosa se aproximaram de trabalhadores da rua dos Andradas e colheram depoimentos e imagens que sintetizassem a relação deles com aquele ambiente. Os entrevistados ficavam todos os dias em pontos de grande circulação de pessoas, por serem vendedores de rua ou representantes comerciais, e vivenciavam mais do que qualquer participante do festival as vantagens e desvantagens de trabalhar no centro de uma capital. Um dos aspectos mais marcantes foi a maneira como eles ignorados pela maioria da população que sobe e desce as ruas apressada. A vendedora de fotografia 3×4 ganhou visibilidade porque estava sendo filmada. Na maioria das vezes, ela passa despercebida no meio da multidão entoando solitária o seu canto: fotooo…foooto…fotooo…
Depoimento Fernando Krum
No nosso grupo, pensamos em criar uma peça contando o caminho que cada um de nós, participantes do Festfotopoa, fizemos até chegar ao ponto de encontro diário: a Casa de Cultura Erico Veríssimo, localizada no centro de Porto Alegre.
Com uma temática apontada, cada participante teve total liberdade para contar, à sua maneira, o cotidiano ao seu redor. Paisagens que encontramos diariamente e às vezes esquecemos, as pessoas que nos deparamos no caminho, os intervalos de espera entre uma condução e outra. Um exercício de ver o comum-corriqueiro com olhos curiosos e atentos.
P.S. garápico: Agradecemos a todos os participantes pela dedicação e pelas lições que aprendemos: Alejandro Zambrana, Alexandre Belém, Ana Lira, André Feltes, Bira Oliveira, Bianca Barbosa, Carmen Silva, Daniel Marenco, Eduardo Lima, Fabiano Scholl, Fernando Krum, Fernando Vieira, Gilberto Barroso, Jessé Giotti, Jefferson Coppola, Lucas Zappa, Ricardo Wolffenbuttel, Rogério Amaral e Tamires Kopp.
Algumas semanas atrás, fomos convidados a colaborar com o jornal americano Wall Street Journal, em uma pauta que imediatamente nos atraiu pelo ‘potencial multimídia’: ir ao Rio de Janeiro para conversar com moradores sobre a construção de um muro entre a favela Santa Marta e um trecho de mata atlântica. O assunto é contraditório por natureza, e colocou o governo do estado do Rio de Janeiro sob uma chuva de críticas (até o Saramago entrou na onda).
A matéria do WSJ foi ao ar esta semana, com um slideshow e um trabalho interativo relacionando o muro no RJ a outros muros pelo mundo (Bagdá, Israel, Berlim…). Segue o link: http://online.wsj.com/article/SB124501964322813585.html. Confira abaixo a nossa edição do trabalho, acompanhada dos depoimentos de alguns dos moradores do morro.