Boa notícia: o E•Co 2010 – Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos está no Brasil. A exposição apresentada no Encontro, que aconteceu em maio em Madrid, estreia sua jornada pelo país por São Paulo no próximo sábado. Depois é a vez de Belo Horizonte, Recife, Belém e Salvador.
Os 20 coletivos participantes estarão representados na mostra, que traz 331 fotos e vídeos sob a curadoria do espanhol Claudi Carreras.
A exposição abre no próximo sábado, dia 3 de julho, no Centro Cultural São Paulo (Piso Flávio de Carvalho, Rua Vergueiro nº 100 – Metrô Vergueiro), e vai até o dia 29 de agosto.
Nós estaremos por lá na abertura, dia 3 às 15h, na Sala de Debates, conversando com Claudi Carreras e Cia de Foto.
A mostra é uma realização do Centro Cultural da Espanha em São Paulo (CCE-SP) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), em parceria com o Centro Cultural São Paulo (CCSP).
Há um conceito nas ciências sociais chamado “economia da dádiva”, segundo a Wikipedia, “uma forma de organização social na qual os membros fazem doações de bens e serviços valiosos, uns aos outros, sem que haja, formal ou explicitamente, expectativa de reciprocidade imediata ou futura”. Nesses sistemas, o mais importante é que o “presente” não seja acumulado, mas que circule; é ele quem cria o laço social que une uma determinada comunidade.
A era digital escancarou a reprodutibilidade das imagens a ponto de acabar, inclusive, com a ideia de uma matriz física que garantisse uma certa exclusividade, escassez. A imagem digital torna-se etérea, uma sequência de zeros e uns, facilmente disseminada pelas vias eletrônicas. Todas essas transformações afetam a forma como produzimos, interpretamos e consumimos imagens – ou, em um termo mais adequado aos tempos atuais, informação.
Pensando em tudo isso, e inspirados por exemplos semelhantes, resolvemos fazer aqui uma experiência. Criamos uma galeria chamada Galeria.CC, onde disponibilizaremos ensaios para aquisição em diferentes formatos.
O “CC” do nome da galeria vem da licença Creative Commons que acompanha as imagens em versão digital – quem desejar pode baixar gratuitamente as imagens em alta resolução (15cm / 300dpi) e utilizá-las como quiser, desde que respeitadas as condições da licença (citação da fonte, uso não comercial e distribuição dos conteúdos derivados sob a mesma licença).
Além do download gratuito, as imagens estarão à disposição para compra de cópias assinadas e numeradas em três opções de tamanho. As cópias serão impressas em qualidade fine art e terão preços determinados por uma fórmula simples: custos + doação no valor que o comprador desejar.
Nesta fórmula está o X da experiência: nosso “lucro” virá exclusivamente da generosidade do comprador e do valor atribuído por ele à obra. Ou seja, não há valor econômico previamente estabelecido, inerente ao trabalho.
O primeiro trabalho disponível na galeria é o ensaio que trouxemos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, em Madri, “O Muro“, sobre a barreira construída pela administração do Rio de Janeiro na comunidade Santa Marta. A escolha deste trabalho também é simbólica: trata-se de um ensaio que teve a sua produção financiada pelo governo espanhol, ou seja, que já está “pago” em sua origem. Assim, mais do que reservar uma exclusividade, nos parece mais interessante que as imagens, e a história, se disseminem – os resultados indiretos importam mais do que o ganho financeiro propriamente dito.
Como já foi dito, trata-se de uma experiência, ou seja, não sabemos quais serão seus resultados. Nesse sentido, vamos divulgar aqui todos os seus custos e os ganhos que obtivermos. Esperamos que seja positivo, em todos os sentidos.
Peça multimídia baseada em pauta realizada para o Wall Street Journal sobre o muro construído pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro no morro Santa Marta.
Pra quem ainda não ouviu falar, o encontro vai reunir 20 coletivos fotográficos da Europa e América Latina. Serão quatro dias em Madri e mais três em Soria, uma pequena cidade próxima à capital espanhola.
Obviamente, a expectativa é grande e já estamos bastante ansiosos. É interessante ver o crescimento e o respaldo desse movimento em torno da produção coletiva, mesmo que a ideia não seja necessariamente nova. As definições de “coletivo” são as mais diversas, mas uma característica que todos os grupos têm em comum é essa predisposição à colaboração. Esse, especificamente, vai ser o desafio em Soria: produzir um ensaio realmente coletivo durante a nossa estada por lá. Além disso, o tema geral do encontro também é sensacional: “Novas estratégias de produção e circuitos de visibilidade alternativos para projetos fotográficos”.
Vai ter muito trabalho bom exposto e apresentado, então vamos deixar que as imagens sejam vistas no próprio site do encontro e nos sites dos coletivos participantes. De nossa parte, já concluímos a edição do ensaio sobre o muro do morro Santa Marta, e em breve publicaremos aqui, mas temos algumas novidades que vão ficar escondidas na manga até a hora do encontro (surpresa é sempre legal, vai).
Pra dar uma ideia de como vai ser o ensaio, aí vai uma prévia…
Editar um ensaio fotográfico é sempre uma tarefa difícil de executar, às vezes até dolorosa. Multiplique a tensão por três (no nosso caso) e você terá uma ideia do que é editar em um coletivo. Se no processo de captação o diálogo é conceitual, propositivo, na hora da edição é que vem o verdadeiro exercício de coletividade. Quando a proposta é criar um ensaio coeso envolvendo três visões que podem ser parecidas, mas nunca iguais, é preciso avaliar muito bem as posições do indivíduo e do coletivo – até onde vão os limites de um e de outro – e é aí que o papo esquenta.
O bom é que esse processo é sempre construtivo – pelo menos no nosso caso, felizmente. O ensaio, no final, reflete não apenas as pontas do triângulo, mas a sua superfície – ou seja, o diálogo entre os três.
Tudo isso para dizer que estamos no processo de edição do trabalho que levaremos ao Encontro de Coletivos Fotográficos Euroamericanos, que acontece em Madri no mês de maio. Decidimos dar sequência a um trabalho que iniciamos no ano passado, sobre o muro que foi construído na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro. Na verdade, decidimos reiniciar o trabalho em uma nova proposta, trabalhando e experimentando com formatos analógicos (bem variados, por sinal).
O trabalho ainda não está finalizado – colocamos as fotos na parede e estamos “namorando” a proposta de montagem. Publicaremos aqui quando estiver tudo pronto. Por enquanto, como diria Pedro Bial, é só uma espiadinha.
Algumas semanas atrás, fomos convidados a colaborar com o jornal americano Wall Street Journal, em uma pauta que imediatamente nos atraiu pelo ‘potencial multimídia’: ir ao Rio de Janeiro para conversar com moradores sobre a construção de um muro entre a favela Santa Marta e um trecho de mata atlântica. O assunto é contraditório por natureza, e colocou o governo do estado do Rio de Janeiro sob uma chuva de críticas (até o Saramago entrou na onda).
A matéria do WSJ foi ao ar esta semana, com um slideshow e um trabalho interativo relacionando o muro no RJ a outros muros pelo mundo (Bagdá, Israel, Berlim…). Segue o link: http://online.wsj.com/article/SB124501964322813585.html. Confira abaixo a nossa edição do trabalho, acompanhada dos depoimentos de alguns dos moradores do morro.