Antes mesmo do advento das primeiras câmeras fotográficas o retrato já fazia parte da tradição pictorialista. Foi através dele que monarquias eternizaram seus perfis e artistas retrataram suas inspirações ainda tendo o pincel como ferramenta principal. Charles Baudelaire amaldiçoou a fotografia por considerá-la perseguidora do realismo; uma não-arte, portanto. Independentemente de sua opinião, Baudelaire teve seu rosto fotografado.
Para nós, o mais importante em um retrato é dialogar de maneira visual com o fotografado, criando algum vínculo que possa expressar mais do que apenas um semblante, embora muito longe de se pretender real como criticava Baudelaire.
São Paulo tem uma população metropolitana de 11 milhões de habitantes. Um número superior à metade dessas pessoas tomou as ruas da cidade em dois eventos ideologicamente opostos e com intervalo de pouco mais de 48 horas.
No dia 22 de maio de 2008, um grupo com 4 milhões de evangélicos realizou a chamada Marcha para Jesus. Com camisetas repletas de frases bíblicas e bandeiras das congregações as quais pertenciam os religiosos rezaram, louvaram e pregaram a palavras de ordem contra o homossexualismo e o sexo antes do casamento.
Já na manhã do dia 25, a 12a. edição da Parada Gay reuniu 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista. Fantasiados e cheios de adereços coloridos, os simpatizantes do movimento estavam ali para cobrar o fim do preconceito e a aceitação ao amor entre pessoas do mesmo sexo.
As fotos refletem, quase em quadros repetitivos, as expressões desses mais de 6 milhões de vozes bradando suas duas verdades.