O Muro

junho 17th, 2009 § 22

Algumas semanas atrás, fomos convidados a colaborar com o jornal americano Wall Street Journal, em uma pauta que imediatamente nos atraiu pelo ‘potencial multimídia’: ir ao Rio de Janeiro para conversar com moradores sobre a construção de um muro entre a favela Santa Marta e um trecho de mata atlântica. O assunto é contraditório por natureza, e colocou o governo do estado do Rio de Janeiro sob uma chuva de críticas (até o Saramago entrou na onda).

A matéria do WSJ foi ao ar esta semana, com um slideshow e um trabalho interativo relacionando o muro no RJ a outros muros pelo mundo (Bagdá, Israel, Berlim…). Segue o link: http://online.wsj.com/article/SB124501964322813585.html. Confira abaixo a nossa edição do trabalho, acompanhada dos depoimentos de alguns dos moradores do morro.

Saiba mais sobre o muro:
Matéria do jornal O Globo em 27 de março de 2009;
Editorial do Observatório de Favelas em 29 de abril de 2009.

P.S.: Agradecimentos especiais a Lucas Zappa. A trilha é de Gabriel Garcea, obtida sob licença Creative Commons no Jamendo.com.

Pirapitingui

fevereiro 12th, 2009 § 2

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Paulo Fehlauer


Apesar de o isolamento obrigatório de portadores da hanseníase ser proibido no Brasil desde 1986, o medo do mundo “lá fora” faz com que muitos pacientes sigam vivendo nas diversas colônias que permanecem ativas no país. Pirapitingui, em Itu – SP, é uma dessas colônias. Com 300 hectares, abriga cerca de 400 pacientes.

As fotos que compõem esse trabalho fazem parte da reportagem multimídia “Entremuros da Colônia“, apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso da jornalista Gabriela Agustini.

Veja mais ensaios fotográficos na nossa galeria.

Para saber mais:
- Morhan – Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase;
- Site da colônia de Pirapitingui;
- Artigo da Wikipedia sobre a Hanseníase.

Ainda sobre multimídia

junho 4th, 2008 § 1

Gordon Parks está morto. Se você não é fotógrafo, cinéfilo ou estudante do movimento negro americano provavelmente nem ouviu a notícia, mas conto, o fato ocorreu em março de 2006.
Ainda lembro de tê-la visto num canto de janela, na capa do UOL. Curioso que o óbito de um fotógrafo de tamanho renome ocupasse pouco espaço, já que dois anos antes os falecimentos de Henri Cartier-Bresson e Richard Avedon foram amplamente cobertos.
Mr. Parks, como era chamado por Malcolm X, teve uma infância tão complicada quanto a de vários outros jovens afro-americanos que presenciaram o auge da segregação racial. Mas o que um fotógrafo tão atuante nas décadas de 60 e 70 tem a ver com multimídia?
Pois muito. Gordon Parks dirigiu o filme Shaft e esqueça a versão com Samuel L. Jackson, estamos falando de 1971. Criou assim a onda de filmes sobre cultura negra que ficou conhecida como Blaxploitation. Em Shaft a trilha sonora era tão importante que chegava a coadjuvar em diversas cenas de ação e que, por isso mesmo, recebeu a contribuição de Gordon Parks em sua faceta musical. Isso sem falar que dois anos antes, em 1969, adaptou, dirigiu, roteirizou e compôs integralmente a trilha de “The Learning Tree”, sua novela autobiográfica e que foi o primeiro filme de um negro a ser produzido por Hollywood.
Parks também foi pioneiro na imprensa, onde foi o primeiro afro-americano a compor o quadro de fotógrafos da revista Life, publicação para a qual fotografou e escreveu sobre o movimento “A Nação do Islã”, onde figuravam Malcolm X, Elijah Muhammad e Muhammad Ali-Haj. A revista era vista com desconfiança pelo movimento negro, o próprio Elijah perguntou pra Parks o que fazia um negro com as suas qualificações trabalhando para os brancos inimigos. O cavalo de Tróia foi o argumento de Parks que, mesmo contrariando o consenso separatista vigente da época, ganhou a permissão para registrar sem censuras o cotidiano do islamismo negro. Com habilidade e talento ímpares Gordon Parks conseguiu equilibrar o trabalho de grande impacto e visibilidade na imprensa branca com as recentes amizades que fazia cativando o movimento negro liderado por Malcom X.
Parks também esteve no Brasil onde fotografou e escreveu sobre o início do crescimento das favelas cariocas, apadrinhou o menino Flavio da Silva de 12 anos, asmático e tuberculoso que cuidava de sete irmãos, enquanto o pai vendia querosene no asfalto e a mãe trabalhava de lavadeira. Sob sua tutela Flavio foi levado para tratamento de saúde nos EUA e depois de curado regressou para o Brasil, onde a convivência com o padrinho foi constante por mais de 40 anos.
Muito além de assistencialistas, as ações de Parks eram resultado da sua trajetória simples que incluía empregos como garçom, pianista de bordel e jogador de basquete universitário, mas foi numa Voigtlander Brilliant usada, comprada por US$ 7,50, que Gordon Parks encontrou seu ponto de equilíbrio: “Percebi que a câmera poderia ser uma arma contra a pobreza, contra o racismo, contra todos os tipos de injustiças sociais”, dizia. E eu, revendo meu livro Half Past Autumn, uma retrospectiva dos trabalhos de Parks, percebi que multimídia está longe de ser uma novidade.